Eco Invest: bancos concluem alocação dos investimentos do primeiro leilão

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Fonte da notícia: Valor Valor

O Eco Invest Brasil começa a mostrar, na ponta, o destino dos recursos mobilizados para acelerar a transformação ecológica da economia brasileira. Três dos grandes bancos que arremataram uma larga fatia do primeiro leilão do programa, em dezembro de 2024, Itaú Unibanco, Banco do Brasil e Bradesco , já concluíram a alocação de quase R$ 17 bilhões em projetos sustentáveis, combinando recursos públicos e capital privado. O Itaú concluiu a execução de R$ 8,4 bilhões, enquanto o Bradesco destinou R$ 3,6 bilhões. Os recursos chegaram a projetos de saneamento, transição energética, economia circular, bioeconomia, eficiência energética e infraestrutura, mostrando a variedade de setores que o mecanismo pretende alcançar.

Já o Banco do Brasil, alocou 100% dos R$ 4,8 bilhões previstos no primeiro leilão, em uma estrutura que alcançou alavancagem de seis vezes. Os recursos apoiam projetos de saneamento, reflorestamento, biocombustíveis, construções sustentáveis, economia circular e eficiência energética.

A movimentação ganha relevância após o resultado do 5º leilão do Eco Invest, homologado nesta semana. Na nova rodada, que recebeu R$ 181,3 bilhões em propostas, foram aprovados R$ 49,95 bilhões em potencial de investimentos em seis cadeias produtivas ligadas à inovação e à transformação ecológica. O Bradesco foi um dos destaques. Além de ser a única instituição financeira presente nas cinco rodadas do programa, venceu três das seis frentes deste quinto leilão, com potencial de R$ 28,5 bilhões em investimentos em circularidade de resíduos minerais e industriais, fertilizantes verdes, bioinsumos, proteínas alternativas, biomateriais e química verde. Recursos que já chegaram aos projetos No primeiro leilão, o Itaú foi a instituição financeira com o maior volume de recursos contemplados. Dos R$ 8,4 bilhões alocados pelo banco, R$ 1,35 bilhão veio diretamente do programa e R$ 7,05 bilhões foram mobilizados em capital privado. Ao todo, foram estruturadas 16 operações, distribuídas entre quatro grandes eixos: economia circular, transição energética, infraestrutura verde e adaptação e bioeconomia. Em saneamento, operações com Sabesp e Aegea somaram R$ 2,67 bilhões e têm potencial de beneficiar cerca de 1 milhão de pessoas, por meio da expansão e modernização de sistemas de abastecimento de água e tratamento de esgoto. A economia circular também recebeu recursos para valorização de resíduos, produção de biometano e reciclagem de PET, em operações com Solví e Global PET/Cirklo. Na transição energética, os recursos apoiaram projetos de Coamo e São Martinho voltados à produção de etanol de milho. Juntos, os projetos têm potencial para adicionar cerca de 550 milhões de litros de etanol por ano à capacidade produtiva. Também foram financiados projetos da Oleoplan, para expansão da produção de biodiesel, e operações com Volkswagen, CCM e EDP, voltadas a eficiência energética, modernização industrial, digitalização de redes elétricas e redução de perdas. Outro eixo foi o de infraestrutura verde e adaptação. Grupo Boticário e Eurofarma receberam recursos para expansão e modernização de unidades industriais com certificação ambiental. Na bioeconomia, o Itaú destinou recursos a projetos da Bracell e da Suzano, relacionados a cadeias produtivas de base renovável e ao manejo florestal sustentável. “O principal potencial do Eco Invest está em sua capacidade de escalar o financiamento de projetos sustentáveis no Brasil. Ao utilizar recursos públicos de forma catalítica para mobilizar volumes significativamente maiores de capital privado, o programa cria condições para ampliar investimentos de longo prazo em setores estratégicos para o desenvolvimento do país”, afirma Luciana Nicola, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do Itaú Unibanco. No Bradesco, a alocação de R$ 3,6 bilhões no primeiro leilão é a soma de R$ 500 milhões em capital catalítico e R$ 3,1 bilhões em recursos privados mobilizados. A carteira reúne empresas de diferentes portes e setores. Entre elas estão Aço Verde do Brasil, Adami, Cocal, Oleoplan, Neoenergia Elektro, Neoenergia Coelba, Biotrop, Nova Rio, Cirklo, Solví Essencis e Corsan. Na indústria, os recursos apoiam a ampliação do uso de biocarbono na produção de aço da Aço Verde do Brasil, no Maranhão, e a modernização e expansão da unidade de papel da Adami, em Santa Catarina. Na bioenergia, foram financiadas a expansão e modernização da Cocal e a ampliação do processamento de soja e da produção de biodiesel da Oleoplan. A carteira também contempla automação e eficiência de redes elétricas da Neoenergia, pesquisa e desenvolvimento de bioinsumos pela Biotrop e projetos de economia circular. Na área de resíduos, a Solví recebeu recursos para tratamento de resíduos, captação de biogás e recuperação energética, enquanto a Cirklo ampliará a reciclagem de PET e a coleta de garrafas pós-consumo. No saneamento, os recursos destinados à Corsan apoiam a expansão e a melhoria da infraestrutura de água e esgoto no Rio Grande do Sul, incluindo iniciativas de adaptação climática. “A combinação de capital público e privado permitiu ampliar o alcance do financiamento e atender empresas com diferentes portes e necessidades de investimento. O Eco Invest viabilizou condições de taxas que parte dessas companhias não conseguiria acessar fora do programa”, afirma Caio Andrade, responsável pela área de ESG do Bradesco BBI. Segundo Henrique Leite de Vasconcellos, gerente executivo de ASG no BB, dos recursos totais, o Banco do Brasil captou R$ 800 milhões de capital catalítico do Tesouro Nacional e o restante com o mercado. A instituição também realizou captações externas, com destaque para operações junto ao Crédit Agricole e ao Natixis, e mantém novas estruturas em desenvolvimento.

Como funciona o Eco Invest Criado pelo governo federal e coordenado pelos ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Eco Invest Brasil utiliza recursos públicos para atrair capital privado e internacional para projetos de transformação ecológica. O mecanismo é baseado no chamado blended finance, ou financiamento combinado: recursos públicos são usados de forma catalítica para reduzir riscos, melhorar as condições financeiras e tornar projetos de longo prazo mais atrativos para investidores privados. A proposta é enfrentar uma das principais barreiras à transição para uma economia de baixo carbono: a necessidade de volumes elevados de capital para financiar projetos que exigem investimentos de longo prazo. A expectativa é que os próximos ciclos ampliem ainda mais a conexão entre financiamento, inovação e transformação produtiva, levando recursos para setores como minerais críticos, baterias, mobilidade elétrica, inteligência artificial aplicada à indústria, combustíveis verdes, biogás e biometano.

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