O agravamento do surto de Ebola na África apresenta diversas características que as autoridades de saúde consideram ao avaliar se uma doença deve ser elevada ao status de emergência pandêmica, de acordo com a principal autoridade de saúde pública do continente.
Yap Boum, chefe de preparação e resposta a emergências dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) da África, não chegou a afirmar que o surto deveria ser formalmente declarado uma emergência pandêmica, uma decisão que cabe à Organização Mundial da Saúde (OMS).
Ainda assim, ele apontou a gravidade do Ebola, a complexidade de sua transmissão e o impacto nos sistemas de saúde como alguns dos critérios que geram preocupação.
“Temos uma situação de alta gravidade”, alerta, em uma coletiva de imprensa na quinta-feira (20), observando uma taxa de letalidade acima de 46%.
A transmissão também é complexa e o número de províncias afetadas aumentou, enquanto o surto está interrompendo os serviços de saúde de rotina, incluindo o atendimento a gestantes e o tratamento da malária, segundo Boum.
“O risco para a saúde pública continua muito alto, enquanto as vacinas e os tratamentos permanecem limitados”, afirma Boum.
O representante do CDC da África também cita a perturbação econômica e social, o medo público e as implicações para a segurança sanitária global como fatores relevantes para a avaliação da emergência.
Os comentários surgem no momento em que a OMS analisa o surto de acordo com o Regulamento Sanitário Internacional.
Boum afirma que um comitê de emergência se reuniu na segunda-feira e indicou que o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, deverá comunicar a posição da organização.
O surto já foi declarado uma emergência de saúde pública de interesse internacional.
De acordo com as alterações regulamentares que entraram em vigor em 2025, uma emergência pandêmica representa um nível de alerta mais elevado para doenças transmissíveis que atendam a critérios adicionais.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC) estima que apenas 30% a 40% dos casos de Ebola estão sendo detectados, o que significa que o surto pode ser cerca de três vezes maior do que o documentado.
Mortes na comunidade e rastreamento de contatos deficiente continuam sendo preocupações específicas.
