Duvidaram de Shakira, e ela fez de Copacabana o palco da revanche
Foi o maior palco já montado na praia de Copacabana: 1.500m² para um público de 2 milhões de pessoas. Mas a melhor definição para o espetáculo deste 2 de maio de 2026 é outra: o show da revanche. Shakira, mulher latino-americana de 49 anos, cantou e "hablou" no lugar que definiu como "templo do mundo", provando que ultrapassada é a opinião de quem ousa acreditar que seu auge ficou lá atrás. De quebra, ainda deu um basta naqueles que insistem em subestimar o bairro mais democrático do Brasil.
Imagine se a cantora tivesse dado ouvidos à minoria barulhenta que criticou sua escolha para o evento que já recebeu Madonna e Lady Gaga. Quando o nome foi anunciado, o coro dos céticos repetia: "vai ser um fiasco", "ela está sempre aqui", "que escolha foi essa?".
Foi a escolha perfeita. No momento perfeito. Para ela e para nós, orgulhosos de nossa latinidade. Enquanto potências globais guerreiam, a Loba uniu uma multidão para mostrar outra força: a de quem sabe o valor da história que construiu e da capacidade de se reerguer em meio aos altos e baixos.
Colombiana, sim. Mas a "Garota de Copacabana" ideal. Shakira é a garota-propaganda perfeita de um bairro que, assim como ela, é colocado em xeque o tempo todo. Adoram rotular este canto do Rio como "caótico", "farofento" ou "obsoleto". Mas, ano após ano, seja no Réveillon ou nos megaeventos de maio, o mundo inteiro continua querendo descolar uma janela na Avenida Atlântica para sentir esse clima. Lugar onde a festa é para todos, de graça, com gente de diferentes origens se misturando sem distinção.
Shakira e Copacabana ensinam que nada substitui a experiência para reconhecer o próprio valor. Quem circulou pela orla neste feriado perguntaria: "Que decadência é essa? Isso aqui é o centro do mundo!". Enquanto o mercado se desespera pelo "novo", Copacabana assistiu de camarote, com a sabedoria de quem já viu de tudo, ao triunfo de quem soube se reinventar. O show da diva não foi apenas música; foi um manifesto contra a invisibilidade.
Nas calçadas em preto e branco da Princesinha do Mar, que, como todos nós, precisam de manutenção e cuidado, os "Pies Descalzos" de Shakira e de seus fãs deixaram marcas definitivas. E a anfitriã, a senhora Copacabana, mostrou que não há limite de idade para fazer da vida um acontecimento. Ainda tem muita história para ser escrita, cantada.
Gabriela Germano é editora-assistente e atua na área de cultura e entretenimento desde 2002. É pós-graduada em Jornalismo Cultural pela Uerj e graduada pela Unesp. Sugestões de temas e opiniões são bem-vindas. Instagram: @gabigermano E-mail: gabriela.germano@extra.inf.br
