Durigan vê redução de juros como ‘desafio’ e defende aprimoramento da regra fiscal para 2027 - QTU Questões do Universo

Durigan vê redução de juros como ‘desafio’ e defende aprimoramento da regra fiscal para 2027

Fonte: Bandeira da fonte

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o principal desafio do próximo governo é reduzir a taxa de juros e também defendeu um aprimoramento do atual arcabouço fiscal.
As declarações foram dadas na manhã desta segunda-feira (31), durante o BTG Macro Day 2026.
“Temos que olhar para o tema da taxa de juros no país.
É algo que machuca muito.
É o custo do dinheiro no país, seja para o Tesouro Nacional, seja para famílias, pequenas empresas, grandes empresas e agricultores.
O tema do crédito preocupa.
Temos que fazer avançar uma agenda olhando para essa minha final.
Como a gente traz o juro para um patamar civilizado?”, disse.
Atualmente o Banco Central promove um ciclo de afrouxamento da taxa Selic, que está em 14% ao ano, após tocar o patamar inédito de 15% no ano passado.
“O desafio de agora é reduzir taxa de juros, ter juros civilizados.
Vamos adotar as medidas necessárias para atingir isso, com amplo debate”, disse Durigan.
Na sequência, o ministro também destacou como prioridade o cumprimento com as metas de resultado primário estabelecidas no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO).
Atualmente, o governo calcula sair de um déficit efetivo de 0,4% do PIB, em 2026, para um resultado positivo pouco superior a 0,1% no próximo ano.
“O presidente Lula passou 8 anos fazendo superávit primário e precisou voltar para a presidência para devolver um orçamento sem armadilhas, sem esconder despesas, com tudo previsto e com superávit primário para 2027.
E em diante, acreditem, vamos passar a ter superávit crescente e recorrente”, afirmou.
Como parte conjunta do plano, Durigan então defendeu a atual regra fiscal do governo como importante para “gerar credibilidade”.
“Eu defendo que a gente não troque a regra fiscal, mas que a gente reforce e aprimore a regra fiscal.”
O ministro da Fazenda aponta que uma das medidas para reforçar o arcabouço fiscal seria a de um maior controle dos gastos obrigatórios.
“Gasto obrigatório consome bastante do orçamento e precisa crescer menos”, disse.
Na sequência, Durigan também destaca a revisão de 10% dos benefícios tributários infraconstitucionais que está sendo feita pelo governo neste ano.

Durigan avalia que, a partir dessas medidas, haveria como abrir espaço orçamentário para despesas discricionárias e expansão de investimentos do governo.
Na sequência, o ministro fez uma defesa dos gastos em assistência social.
“Temos que privilegiar o gasto social.
As pessoas muitas vezes precisam daquele suporte.
O que precisamos fazer é isso com eficiência.
Não dá para fazer política social sem revisão de gastos, sem controlar os critérios de concessão e acompanhar os beneficiários”, afirma.
O ministro diz que vê com bons olhos a ideia de “gatilhos” para frear o gasto excessivo em políticas públicas e enxerga que algumas políticas sociais podem deixar de ser despesas obrigatórias e entrar em “controle de fluxo”.
Ele também destacou a necessidade de trazer os beneficiários de programas sociais de volta ao mercado de trabalho.
“Nas políticas sociais em geral, se você tem uma lógica de controle de fluxo, e não como direito absoluto.
Você pressiona o gestor para otimizar o recurso que ele tem, e ele vai buscar otimizar, excluindo quem não tem mais direito e quem melhorou de vida, para trazer um novo beneficiário.
Em 2025, 90% de quem arranjou emprego no trabalho formal saiu do Bolsa Família”, explica.

Ministro da Fazenda, Dario Durigan
Tomaz Silva/Agência Brasil