O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu aos seus ministros um balanço sobre os principais programas econômicos lançados nos últimos meses, entre eles o Move para motoristas de aplicativo, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
A reunião entre Lula e os ministros aconteceu nesta tarde, no Palácio da Alvorada.
O programa visa oferecer linhas de crédito com juros reduzidos para motoristas de aplicativos comprarem veículos.
Podem ser financiados veículos novos de até R$ 150 mil, carros seminovos, além de motos e bicicletas.
Durigan reconheceu que o Move para carros tem tido uma adesão abaixo da esperada pelo governo e disse que a equipe econômica está em contato com os bancos privados para ver se há medidas que podem ser adotadas para destravar a demanda.
"O que a gente tem visto é uma participação maior dos bancos públicos, do Banco do Brasil e da Caixa, com menos apetite por parte dos bancos privados.
Nós estamos sempre em contato para entender por que, mesmo com a garantia do governo [via Fundo Garantidor de Investimentos], não tem tido a adesão que a gente inicialmente esperava", disse o ministro a jornalistas.
Ele ponderou que, ainda, que menor do que o esperado originalmente, a demanda pela troca de carro tem tido um "volume bastante considerável".
"Nós estamos conseguindo avançar e acho que é razoavelmente satisfatório com a gente podendo ainda seguir em conversas e melhorar as condições."
Durigan falou que eventuais modificações no Move Carros ainda estão sendo estudadas.
"Existem alterações que podem ser feitas, não só do ponto de vista legal do programa, mas alterações que podem ser feitas com os bancos, na integração com as plataformas para receber informação sobre a renda das pessoas.
Então, estão ainda para avaliação."
Durante a reunião com Lula, os ministros falaram também sobre o programa de crédito para caminhões e ônibus e o Desenrola, de renegociação de dívidas para inadimplentes e trabalhadores informais adimplentes.
Segundo Durigan, na reunião de hoje não foi tratado o tema da "taxa das blusinhas", mas ele reforçou que o governo defende que a comissão mista para analisar a medida provisória (MP) que acaba com essa taxa seja instalada brevemente pelo Congresso Nacional.
O Legislativo terá uma semana de esforço concentrado no começo de setembro, mas não há, até o momento, previsão de votar a MP, o que preocupa o governo.
Sobre a Lei da Reciprocidade Econômica em resposta ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, o ministro reforçou que o acionamento não atrapalha as negociações.
"Não vai atrapalhar, pode ajudar, até porque nós vamos fazer um processo de reciprocidade com cautela, ouvindo os setores afetados", disse.
Ele também reforçou que o governo permanece à disposição de negociar com os Estados Unidos pelas vias diplomáticas.
"Nós estamos do lado desse empresário, tanto tentando resolver diplomaticamente quanto adotando as medidas aqui no Brasil para dar um fôlego, viabilizar a manutenção do negócio que está sendo prejudicado."
Sobre eventuais novas medidas, Durigan disse que está em avaliação uma extensão de drawback — regime que concede isenção ou desconto na aquisição de insumos para produção de bens destinados à exportação —, a pedido dos próprios setores afetados.
Além disso, o governo já lançou um pacote de crédito dentro do programa Brasil Soberano 3.
Dario Durigan
Antônio Cruz/Agência Brasil
