Durigan diz que resposta da Europa ao tarifaço de Trump foi ‘abrupta’: ‘Pode ter agravado a situação’
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a resposta da Europa para as tarifas dos Estados Unidos foi “abrupta”, o que segundo ele, é muito diferente da postura adotada pelo governo brasileiro.
Em entrevista ao jornal francês Le Grand Continent, Durigan afirmou que a reação dos países europeus ao tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump pode ter atrapalhado as negociações com o governo americano.
— Talvez a diferença entre o Brasil e a Europa seja que demonstramos paciência em nossa resposta a Trump. Embora tenhamos contestado a decisão de impor tarifas, não retaliamos; pelo contrário, nos posicionamos politicamente como uma nação soberana que não merecia tal tratamento. A resposta europeia foi, sem dúvida, muito abrupta: tentar chegar a um acordo rápido com os Estados Unidos pode ter agravado a situação — disse.
O tarifaço do governo americano sobre produtos brasileiros entrou em vigor no dia 6 de agosto. Oficialmente, as negociações sobre as tarifas foram abertas no dia 6 de outubro, quando os dois líderes conversaram por telefone no ano passado, após encontro durante assembleia da ONU.
Em novembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump anunciou a redução de tarifas sobre alguns dos principais produtos brasileiros exportados para o país. Inicialmente, em abril, as sobretaxas americanas atingiram 37% dos produtos brasileiros exportados para os EUA. Em fevereiro, a Suprema Corte americana derrubou as sobretaxas, e permanecem apenas uma tarifa global de 10% para todos os países.
— Em relação às tarifas, o Brasil não retaliou contra os Estados Unidos. Simplesmente mantivemos nossas posições firmes, rejeitando qualquer tipo de interferência. Em determinado momento, nosso país enfrentava tarifas de 50%: um imposto de 10% aplicado globalmente, mais 40% adicionais — disse o ministro da Fazenda na entrevista.
