Durigan diz que BRB não é problema do governo federal, mas do DF, e afasta socorro do Tesouro sem 'risco sistêmico'
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na noite de hoje que o rombo financeiro bilionário do Banco de Brasília (BRB) provocado por operações fraudulentas com o Banco Master são um problema do Governo do Distrito Federal (GDF), não do governo federal.
Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o ministro afirmou que não é papel do Tesouro Nacional usar recursos públicos para salvar bancos e afirmou que só cogitaria essa hipótese se houver risco sistêmico, uma ameaça de contaminação de todo o sistema financeiro, caracterizado pelo Banco Central (BC).
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Sobre o socorro ao BRB, banco estatal de Brasília que acumula prejuízos bilionários decorrentes de operações com o Master, o ministro repetiu na entrevista ver com clareza que "este é um problema do GDF".
Ele não afastou totalmente a possibilidade de o Tesouro Nacional garantir empréstimos que o BRB busca para reequilibrar seu balanço, como quer a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), mas demonstrou não ver com bons olhos o uso de dinheiro público para resolver o problema do BRB.
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— A minha posição sobre isso é bem clara. O problema do BRB é um problema do GDF. Eu não estou dizendo que a União em algum momento não pode entrar, mas é um problema do GDF, a gente não pode esquecer isso. O BRB fez algumas operações, que estão nos jornais, que quebraram o banco — disse o ministro. — Se não tiver risco sistêmico, se for uma questão de banco com dificuldade, existem os mecanismos para lidar com isso. E aí não tem que se falar em intervenção especial, ajuda do Tesouro, não tem que se falar nisso. A única hipótese em que eu cogitaria, e de novo não estou dizendo que vou, é risco sistêmico, caso o Banco Central analise dessa forma.
Durigan afirmou que "não é o papel" do Tesouro Nacional salvar banco:
— Não posso pegar dinheiro público para cobrir um rombo que foi feito com um caso que dizer que é mal-explicado é o mínimo. Esse debate não pode ser empurrado como tem se pretendido pelo GDF com o governo federal porque é um problema do GDF. E acho inclusive que tem inclusive saídas que passam pelo fundo constitucional do GDF, que é dinheiro da União.
Perguntado pela repórter do GLOBO Thaís Barcellos como isso poderia ser feito, o ministro respondeu:
— Como o Fundo Constitucional do GDF garantir a operação, se for o caso.
Master: responsabilidade de Campos Neto
Sobre o caso do Banco Master, Durigan afirmou que é muito grave e repetiu o ex-ministro Fernando Haddad dizendo que é "o maior escândalo financeiro do nosso sistema financeiro". O ministro da Fazenda afirmou que a "responsabilidade primordial" é da gestão do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
— Acho que a responsabilidade primordial, pode ter outras, é de quem acompanhou esse processo no Banco Central, da autorização (de operação do Master) até a ultimas aprovações de aquisição de bancos (pelo Master), que foi de 2019 a 2024, na gestão do presidente do BC anterior.
A declaração de Durigan difere do que falou o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, indicado por Lula, em uma comissão do Congresso em abril. Respondendo perguntas de parlamentares, Galípolo afirmou que a sindicância interna do BC não encontrou nenhum indício de que seu antecessor tenha atuado para favorecer o Banco Master ou o banqueiro Daniel Vorcaro.
O ministro defendeu que as leis sejam "cumpridas no Brasil doa a quem doer", "exercidas e aplicadas com rigor" neste caso e lamentou o rombo financeiro causado pelo ressarcimento dos clientes do Master pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que lembrou ser, no fundo "dinheiro do sistema financeiro, dos próprios poupadores".
A bancada de entrevistadores do Roda Viva que entrevistou o ministro da Fazenda foi formada por Thais Barcellos, repórter do GLOBO; Sergio Lamucci, editor-executivo do Valor Econômico; Christiane Pelajo, âncora do Times Brasil/CNBC; Luiz Guilherme Gerbelli, repórter de Economia do Estadão; Mariana Brasil, repórter da Folha de S.Paulo; e Thais Herédia, âncora da CNN Brasil.
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