Durigan diz que ajuste fiscal de Flávio Bolsonaro é ‘ilusão barata e vazia e mercado está comprando’

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Fonte da notícia: Valor Valor

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou como “ilusão barata” a reação positiva do mercado financeiro ao resultado do primeiro turno das eleições e afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está deixando as contas públicas em uma situação melhor do que recebeu.

“É uma ilusão barata, uma ilusão vazia, que está se vendendo e o mercado tem comprado isso”, afirmou Durigan em entrevista à CNN Brasil nesta quinta-feira (8), ao comentar a queda das taxas de juros longos após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, que trouxe Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"No governo Bolsonaro, não foi feita nenhuma correção de ajuste fiscal. Inclusive, o risco país piorou, o endividamento público piorou, quando você toma o começo e o fim do governo Bolsonaro", completou.

Durigan negou que o atual governo seja gastador e disse que ele e o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, colocaram as contas públicas em ordem. “O governo não gastou além na conta”, disse.

Segundo ele, a evolução da dívida pública nos últimos anos foi determinada principalmente pelos juros, e não pelo resultado primário. O ministro afirmou ainda que o governo Lula 3 adotou medidas de contenção de despesas.

Citou o bloqueio de R$ 20 bilhões no Orçamento no ano passado, os R$ 16 bilhões congelados neste ano e a revisão de benefícios tributários, com uma redução linear de 10% dos benefícios. Para Durigan, o compromisso fiscal de um eventual quarto mandato de Lula não deve ser baseado em um corte abrupto de despesas.

Ele criticou a suposta proposta de Flávio Bolsonaro de um ajuste superior de R$ 200 bilhões nos gastos públicos, sem detalhamento de como a medida seria implementada. Ele disse, ainda, que um ajuste dessa magnitude poderia atingir áreas sociais.

“Tirar R$ 200 bilhões, que é toda a despesa discricionária que o Executivo tem, é voltar a ter desmatamento”, exemplificou. “Não adianta a gente querer tratar com medicamento de alta dosagem o tema do endividamento público e não olhar para o crescimento, não olhar para o emprego, não olhar para a balança comercial, não olhar para projetos estratégicos no país”, afirmou o ministro.

Dario Durigan, ministro da Fazenda Wenderson Araujo/Valor

Publicação Original Valor valor.globo.com
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