Durigan diz esperar cortes de juros como complemento ao Desenrola e nega que política fiscal atrapalhe BC

 

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na noite de hoje que o governo espera conjugar os efeitos do Novo Desenrola Brasil com a queda da taxa básica de juros (Selic), que disse esperar seguir caindo nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC).

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o ministro afirmou que a gestão das contas públicas pelo governo não é um obstáculo para que o BC mantenha o atual ciclo de queda dos juros iniciado há três meses.

Horas depois de lançar hoje o Novo Desenrola Brasil, segunda edição do programa de renegociação de dívidas do governo federal, ao lado do presidente Lula, em Brasília, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, é o convidado do Roda Viva nesta noite, em São Paulo.

O objetivo do Novo Desenrola é reduzir o alto endividamento das famílias brasileiras, que preocupa o governo no ano em que o presidente Lula concorre à reeleição.

Em sua primeira resposta no programa, Durigan afirmou que o governo "corrigiu o curso" no Novo Desenrola em relação à primeira versão do Desenrola, criado em 2023, e que não conseguiu deter o crescimento do endividamento dos brasileiros.

Ele afirmou que, em 2023, o governo criou uma plataforma de leilões de descontos entre os bancos para a renegociação de dívidas gerais e contava com a queda dos juros como forma de reduzir o crescimento exponencial das dívidas. No entanto, ele admitiu que mudanças na política monetária dos EUA e o seu reflexo na condução dos juros pelo BC no Brasil atrapalharam esse cenário.

— Agora estamos de novo às portas de um novo ciclo de queda das taxas de juros — afirmou Durigan, acrescentando que o governo optou agora por uma versão mais simples, sem plataforma única com acesso pelo gov.br e destacou o bloqueio dos participantes de jogarem em bets durante um ano como forma de que as pessoas voltem a se endividar. — Se a pessoa está recorrendo a um programa do governo para diminuir sua dívida, vai diminuir muito, me parece razoável que não jogue.

O ministro afirmou que não vê linhas de crédito incentivadas pelo governo ou mesmo a renegociação de dívidas no Desenrola como um fator que atrapalha a política monetária do Banco Central. Ele afirmou que a dificuldade do BC agora de reduzir os juros está mais ligado à pressão inflacionária decorrente da guerra no Oriente Médio.

Durigan foi incisivo ao dizer não concordar com a avaliação de economistas de que os gastos públicos são o principal fator que impede a queda dos juros no Brasil.

— Não acho que seja o fiscal a razão do juro alto no país — afirmou o ministro, dizendo que a política fiscal pode ser um dos faturas, mas "pesa pouco". — O que houve em 2024 e 2025 foi uma melhora gradual do fiscal. Isso é indisputável.

E continuou, dizendo que a situação fiscal não é a ideal, mas que vê uma evolução a partir do arcabouço fiscal aprovado em 2023:

— Temos vários desafios pela frente, mas o que fizemos de esforço fiscal foi de dois pontos percentuais do PIB.

O ministro afirmou que sua gestão na Fazenda é uma continuidade da proposta do ex-ministro Fernando Haddad (que deixou o cargo para concorrer ao governo de São Paulo) para a economia, o que ele definiu como "gradualismo".

O ministro disse não acreditar em uma "bala de prata" capaz de cortar gastos públicos e endividamento em pouco tempo. E criticou mecanismos como o teto de gastos, que impedia o crescimento das despesas públicas acima da inflação nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro. O ministro afirmou que o aumento da dívida pública no país se deve principalmente à alta dos juros, não à forma como o governo vem buscando gradualmente o equilíbrio das contas públicas.

— Temos um desafio no Brasil que é equilibrar a demanda social e de infraestrutura para o desenvolvimento com a redução do endividamento.