Duda Santos, protagonista de 'A nobreza do amor', quer ser inspiração para jovens pretos: 'Não tinha princesa da minha cor'
Bem longe do Brasil, Alika (Duda Santos) é a princesa de Batanga, reino africano fictício de “A nobreza do amor”, nova novela das seis que estreia nesta segunda-feira (16) na Globo. Quando seu pai, Cayman (Welket Bunguê), morre após ser deposto do trono num golpe do primeiro-ministro Jendal (Lázaro Ramos), ela foge para o Brasil com a mãe, Niara (Erika Januza).
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Na cidade do interior de Barro Preto (também fictícia), no Rio Grande do Norte, a moça, que passa a se chamar Lúcia, descobre o amor nos braços de Tonho (Ronald Sotto), um trabalhador humilde. Mas o romance é colocado à prova por conta de Mirinho (Nicolas Prattes), um riquinho que vai ter uma paixão doentia pela princesa. Em sua terceira novela seguida como protagonista, Duda Santos mergulhou na origem africana de sua personagem.
— Descobri meu mundo com essa novela, entendi de onde eu vim. Isso mostra o meu pertencimento, os meus princípios, o que eu quero da vida. É muito importante saber disso para entender o presente e saber para onde vamos. É uma fábula linda. Eu sou muito devota do sonho. Acho fundamental a gente sonhar — afirma a atriz de 24 anos.
Tonho (Ronald Sotto) e Alika (Duda Santos) na novela 'A nobreza do amor'
Estevam Avellar/Rede Globo
No papel de par romântico de Duda, Ronald Sotto estreia como o herói de uma novela após um papel em “Malhação: toda forma de amar” (2019) e uma participação em “Travessia” (2022). O jovem de Nova Iguaçu se mostra entusiasmado com a função de galã.
— Ainda não caiu minha ficha sobre isso. Eu gosto muito do que eu faço, independentemente do tamanho do papel. Poderia ser um pequenininho que eu ia estar na mesma gana para contar essa história. Como esse personagem é enorme, obviamente, está demandando muito de mim. Estou bem animado, ainda mais por ser um projeto que fala sobre nós, negros — pontua o jovem de 27 anos, que define Tonho como um sonhador: — É um homem chucro que quer ter sua terra para melhorar a vida da família. Aí tromba com a mulher da vida dele e tudo fica turvo e confuso. Ele vai descobrir como é estar apaixonado por um amor que é ancestral. Nem ele mesmo entende.
Crias de comunidades na Zona Norte do Rio e na Baixada Fluminense respectivamente, Duda e Ronald veem o novo trabalho como inspiração para outros jovens negros da periferia.
— Não tinha referência de princesa da minha cor na minha infância. Minha mãe fingia que era princesa e eu também. A gente brincava muito disso, mas era algo muito distante da gente. Por isso que é tão representativo contar essa história. Teve um dia que ouvi uma criança na rua ao me ver: “Meu Deus, a princesa da novela!”. Isso para mim já valeu a pena — afirma Duda, que passou a infância e a adolescência no Ipase, conjunto popular da Vila da Penha.
Tonho (Ronald Sotto) e Alika (Duda Santos) na novela "A nobreza do amor"
Estevam Avellar/Rede Globo
Já Ronald cresceu em Morro Agudo, em Nova Iguaçu.
— É meio doido pensar na minha trajetória. Acho que nem em sonho eu me via nesse lugar (de protagonista). A Baixada me deu bagagem para eu chegar onde estou. É um lugar pelo qual tenho muito carinho. Hoje moro perto da Globo (na Zona Sudoeste do Rio), mas minha família toda ainda vive lá — diz Ronald.
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