Duas mortes e cinco minutos no ar: o que se sabe sobre a queda de avião em prédio de Belo Horizonte

 

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Um avião de pequeno porte caiu na tarde desta segunda-feira sobre um prédio residencial no bairro Silveira, na região Nordeste de Belo Horizonte, deixando ao menos dois mortos, sendo eles o piloto e o copiloto, e três feridos. O impacto ocorreu na área de escadas do edifício, que foi evacuado preventivamente.

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De acordo com o Corpo de Bombeiros, a aeronave transportava cinco pessoas. Apesar da colisão, não houve registro de vítimas entre moradores dos apartamentos. Os sobreviventes foram encaminhados em estado grave para o Hospital João XXIII, próximo do local.

Cinco minutos no ar e alerta de emergência

Depois da decolagem no Aeroporto da Pampulha às 12h16, a aeronave permaneceu no ar durante cinco minutos antes da queda, às 12h21, quando o Corpo de Bombeiros foi acionado. Durante o breve voo, o piloto chegou a emitir um alerta de emergência — o chamado “mayday” — à torre de controle. As causas exatas da falha ainda não foram confirmadas e serão investigadas por órgãos competentes da aviação.

Modelo da aeronave

A aeronave envolvida no acidente era um EMB-721C Sertanejo, de matrícula PT-EYT. O modelo, fabricado em 1979, tem capacidade para até cinco passageiros. Esse tipo de avião é considerado de pequeno porte e costuma ser utilizado em voos particulares ou regionais.

O impacto

O prédio atingido fica na Rua Ilacir Pereira Lima, no bairro Silveira, na região Nordeste da capital mineira. O acidente aconteceu a cerca de 600 metros de uma escola, o que evitou um cenário potencialmente mais grave. Imagens divulgadas após o acidente mostram danos concentrados na área comum do prédio.

O avião bateu entre o terceiro e quarto andar do edifício residencial, em uma área da escada, sem atingir nenhum dos nove apartamentos. O monomotor atravessou a parede do prédio e caiu numa área de estacionamento. Os corpos do piloto e do copiloto ficaram sob os destroços da aeronave, informou o tenente Raul. Segundo o Corpo de Bombeiros, a edificação não tem risco estrutural aparente ou de explosão.

Equipes de resgate, perícia e agentes da Polícia Civil permanecem no local para avaliar os danos estruturais e reunir informações que possam esclarecer a dinâmica da queda. O prédio foi interditado temporariamente até a conclusão das análises técnicas.

Investigações

A Força Aérea Brasileira integra as investigações sobre o acidente. Segundo a FAB, investigadores do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA III), com sede no Rio de Janeiro (RJ), foram acionados para iniciar a apuração.

"Durante a Ação Inicial, profissionais qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para coleta e confirmação de dados, preservação de elementos, verificação inicial dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações necessárias à investigação", explica a FAB, em nota.

Fechamento de aeroporto

A queda acontece cerca de três anos após o fechamento do Aeroporto Carlos Prates, que era tradicionalmente utilizado por aeronaves de pequeno porte em Belo Horizonte. A desativação do terminal alterou rotas e operações desse tipo de voo na capital mineira.

Também é o segundo episódio envolvendo queda de aeronave na cidade em poucos anos. Em março de 2023, um monomotor caiu sobre casas no bairro Jardim Montanhês, em Belo Horizonte. O piloto, o médico José Luiz de Oliveira, de 66 anos, morreu, e a filha dele ficou gravemente ferida. O caso aumentou a pressão pelo encerramento das operações do terminal. As investigações devem apontar se houve falha mecânica, erro humano ou outros fatores contribuintes para o acidente.