Duas décadas depois, 3 milhões de refeições servidas para público carente, Reffetorio Gastromotiva saiu hoje de cena. E não volta mais
O principal motivo teria sido o término do prazo de dez anos da cessão do terreno pela Prefeitura do Rio na Lapa. Acabou hoje e não foi renovado de comum acordo. Foi ali, no galpão bem montado, que desde 2016 funcionou o Reffetorio Gastromotiva, um dos projetos de gastronomia social mais eficientes e bonitos do mundo, capitaneado pelo chef gaúcho Daid Herz, que hoje encerrou as atividades. Foram três milhões de refeições servidas para um público de baixissima renda. Com a parceria de mais de 20 mil voluntários, desfrutavam ali de refeições feitas e servidas com dignidade: sentavam-se à mesa bem montada e comiam entrada, principal e sobremesa preparados por chefs de cozinha. Mais de 450 chefs convidados de fora, muitos deles detentores de estrela Michelin, cozinharam ali.
O mentor e executor David Herz, da Gastromotiva: "o acordo terminou mas nós também encerramos um ciclo"
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Ao longo de 20 anos, David Herz, da Gastromotiva, pondera que viveu diferentes momentos de crescimento, transição e encerramento de ciclos. "Aprendi que são justamente esses momentos que nos convidam a parar, a olhar com mais profundidade para o trabalho, respirar e repensar os caminhos". Perguntei então se era apenas uma pausa: "Não, é definitivo. Sem volta", me disse Herz, que adiantou que o encerramento foi de comum acordo com os co-fundadores do Reffetorio, o chef italiano Massimo Bottura e a jornalista brasileira Alexandra Forbes
O balanço? " Três milhões de refeições servidas, evitamos o desperdício de centenas de toneladas de alimentos e contribuímos para consolidar a gastronomia social como prática cultural e politica. Esse legado permanece vivo""
O galpão da Lapa, onde funcionou o Reffetorio, já amanheceu vazio
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