Drones russos já podem atingir toda a Europa, diz relatório internacional; entenda

 

Fonte:


A capacidade da Rússia de sustentar a guerra na Ucrânia “não mostra sinais de enfraquecimento”, enquanto a ameaça ao restante da Europa está em expansão. O alerta consta no relatório anual Balanço Militar 2026, do International Institute for Strategic Studies (IISS).

Restos humanos: Corpo encontrado em carro submerso pode encerrar mistério de mãe desaparecida há 22 anos nos EUA

Vídeo: Momento em que esquiadores resgatam homem soterrado na neve nos EUA viraliza nas redes sociais; assista

De acordo com o diretor do IISS, Bastian Giegerich, há “poucos indícios” de que Moscou esteja perdendo capacidade no quinto ano do conflito. Pelo contrário, o uso contínuo de mísseis de cruzeiro, mísseis balísticos e drones de ataque tem intensificado a pressão sobre as defesas aéreas ucranianas e demonstra a capacidade russa de projetar poder militar a longas distâncias, com implicações diretas para a segurança europeia.

Alcance de até 2.000 quilômetros

Segundo o relatório, mesmo sistemas considerados básicos, como o drone Geran-2 — versão modernizada do iraniano Shahed-136 — podem atingir alvos a até 2.000 quilômetros de distância. Isso coloca vastas áreas do continente europeu dentro de seu raio de ação.

Galerias Relacionadas

O IISS estima que a Rússia tenha destinado cerca de US$ 186 bilhões (aproximadamente R$ 955 bilhões) à Defesa em 2025, o equivalente a 7,3% do PIB, ante 6,7% no ano anterior. Embora o crescimento real da despesa tenha sido de 3% — abaixo dos 56,9% registrados em 2024 — o montante triplicou desde 2021.

Japão: País apresenta braço robótico 'serpente' para retirar destroços radioativos de Fukushima

Apesar dos custos elevados da guerra, o banco central russo conseguiu “manter a máquina de guerra operacional”, afirma o instituto. Caso a produção e o fornecimento de equipamentos militares sigam no ritmo atual, Moscou poderá reduzir até 2030 a diferença entre as forças disponíveis e as necessárias para um Exército ampliado.

Para Ruben Stewart, pesquisador sênior do IISS em guerra terrestre, a Europa dispõe de recursos suficientes para enfrentar a Rússia “se analisarmos puramente os números”. Em termos de brigadas, tanques e sistemas de artilharia, os meios existentes poderiam ser adequados.

No entanto, Stewart alerta para fragilidades em áreas críticas como inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR) e capacidade de ataque em profundidade — setores nos quais a Europa ainda depende fortemente dos Estados Unidos. Essa dependência limita a autonomia operacional diante de Moscou.

Segundo o especialista, a principal vulnerabilidade europeia é de natureza política. A incerteza quanto à reação de Washington diante de um eventual acionamento do Artigo 5º da OTAN — que prevê defesa mútua em caso de ataque a um membro da aliança — enfraquece a confiança no bloco, ainda que o apoio americano permaneça formalmente em vigor.

Gastos globais em defesa batem novo recorde

O relatório também aponta que os gastos globais com defesa continuaram a crescer em meio à incerteza geopolítica. Em 2025, o total mundial alcançou US$ 2,63 trilhões, acima dos US$ 2,48 trilhões registrados em 2024. Em termos reais, a alta anual foi de 2,5%, abaixo do crescimento de 7% a 8% observado nos anos anteriores, mas ainda mantendo a tendência de expansão.

O crescimento, porém, foi desigual. A redução da ajuda militar à Ucrânia e restrições no orçamento final de defesa do então presidente americano Joe Biden levaram a um ritmo mais moderado de gastos nos Estados Unidos — movimento que a administração de Donald Trump tem buscado reverter. Na Rússia, o crescimento oficial das despesas também foi mais contido, refletindo ajustes no complexo industrial-militar e limitações fiscais.

Na Europa, por outro lado, os gastos atingiram níveis recordes. Em 2025, os países europeus destinaram quase US$ 563 bilhões à defesa, cerca de US$ 100 bilhões a mais que no ano anterior — um aumento real de 12,6%, em linha com o avanço observado em 2024.

O movimento foi impulsionado por compromissos assumidos por membros da OTAN na Cúpula de Haia, em junho, para elevar os gastos com defesa e segurança a 5% do PIB até 2035. Com isso, a participação europeia nos gastos globais ultrapassou 21%, ante 17% em 2022.

A Alemanha liderou o crescimento regional, com aumento real de 18% no orçamento de defesa em 2025, alcançando € 95 bilhões (US$ 107 bilhões), após alta de 23% em 2024. Países nórdicos como Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia também ampliaram significativamente seus investimentos.

Já o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, teria classificado como “irracional” a meta de 5% do PIB, citando níveis elevados de dívida, pressões inflacionárias e custos de oportunidade para outros setores.