Drones que enviam drogas e celulares a presidiários interrompem pouso de helicópteros de hospitais na França - QTU Questões do Universo

Drones que enviam drogas e celulares a presidiários interrompem pouso de helicópteros de hospitais na França

Fonte: Bandeira da fonte

A entrega ilegal de drogas e celulares por drones para detentos criou uma crise grave na saúde pública em Estrasburgo (França).
Diante do perigo iminente de colisão no ar, helicópteros de resgate e da Segurança Civil foram proibidos de pousar durante a noite no Hospital Hautepierre.
As aeronaves não tripuladas sobrevoam a rota médica em direção ao centro de detenção de Elsau, situado a apenas quatro quilômetros do complexo hospitalar.
A restrição noturna, que durou três semanas, obrigou os voos de urgência a desviarem para a pista do Nouvel Hôpital Civil, no centro urbano da cidade.
O desvio forçado adiciona de 30 a 40 minutos ao tempo de socorro dos pacientes que precisam ser transferidos por terra até Hautepierre.
O alerta é grave: anualmente, a unidade recebe entre 320 e 330 pessoas resgatadas pelo ar, vindas de toda a região de Grand Est, da Alemanha e de Luxemburgo, sendo cerca de 40 casos atendidos na madrugada.
"Em casos de hemorragia, 30 minutos podem fazer a diferença", alertou o professor Julien Pottecher, chefe de anestesia e terapia intensiva do hospital, em declaração à agência de notícias France Presse (AFP).
O médico também reforçou os perigos do tempo perdido no trânsito.
Durante o período de veto, dois pacientes precisaram concluir o trajeto de ambulância após descerem no Hospital Civil e, felizmente, não sofreram danos irreversíveis.
"Não podemos descartar a possibilidade de que, entre esses casos, haja pacientes para os quais esse atraso adicional de 30 a 40 minutos represente um risco, seja para a vida ou para a função, resultando em um período de recuperação mais longo ou na necessidade de tratamento mais intensivo ou prolongado.", completou Julien.
O problema se intensificou desde abril, quando 19 drones foram flagrados à noite no heliponto do hospital, motivando denúncias formais à polícia.
Jérôme Coulon, chefe de segurança dos Hospitais Universitários de Estrasburgo, afirmou que uma reunião com autoridades locais foi marcada para conter o problema:
"Precisamos encontrar soluções rapidamente, e as encontraremos rapidamente."
A ação dos criminosos em Estrasburgo é parte de um desafio nacional que somou quase 5 mil voos clandestinos de drones em presídios franceses só em 2025.
Na última terça-feira, duas pessoas acabaram condenadas na cidade por operarem uma entrega a partir de uma rua que fica exatamente entre o hospital e a prisão.
Segundo nota divulgada pela Administração Penitenciária na quarta-feira, mais de 70 das 186 cadeias do país contam com tecnologia antidrone, incluindo a própria prisão de Elsau, que investiu 350 mil euros em um sistema desse porte em julho de 2025.

O órgão destacou ainda que, "como parte do plano 'Zero Celulares nas Prisões', lançado em novembro de 2025 pelo Ministro da Justiça, Gérald Darmanin, 1,05 milhão de euros (R$ 6,4 milhões) foram imediatamente alocados para reforçar as medidas de combate aos drones".
Apesar do investimento, entraves legais limitam a resposta dos agentes penitenciários.
Ghislain Karleskind, representante do Sindicato de Vigilantes Penitenciários, explicou à AFP que a lei proíbe o uso do bloqueador eletrônico “na sua capacidade máxima”, como na interceptação direta para forçar o pouso do aparelho.

Os servidores conseguem rastrear o operador remoto, mas dependem do acionamento da polícia.
Se o flagrante não ocorre na hora, os agentes apenas registram quais celas foram abastecidas para realizar vistorias no dia seguinte.
Como medida complementar, a prisão de Elsau prevê instalar redes nas janelas das celas até o final do ano para conter as entregas, iniciativa avaliada pelo sindicalista como de custo "exorbitante".
*Estagiário sob supervisão de Fernando Moreira