Drones chineses transportam alimentos e retiram vítimas após tragédia causada por enchentes no Nepal

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Os drones de carga da fabricante chinesa DJI se tornaram uma das principais ferramentas da resposta humanitária às enchentes que devastaram áreas de fronteira entre o Nepal e a região chinesa do Tibete. As informações são do Ars Technica. Após o colapso parcial de uma geleira no Himalaia em 26 de agosto, autoridades nepalesas passaram a usar aeronaves não tripuladas para levar alimentos a comunidades isoladas, apoiar buscas por sobreviventes e retirar corpos de vítimas das áreas atingidas. A tragédia já deixou ao menos 1.369 mortos no Nepal, enquanto mais de 5 mil pessoas continuam desaparecidas, incluindo centenas de estrangeiros, de acordo com relatório da Autoridade Nacional para Redução e Gestão de Riscos de Desastres do país. No lado tibetano da fronteira, autoridades chinesas informaram 43 mortes e mais de 500 desaparecidos. Versatilidade dos aparelhos é essencial A operação é conduzida pelo Exército do Nepal com quatro drones DJI FlyCart 100 doados pela China. Segundo dados da Reuters, os equipamentos realizam entre 10 e 16 missões diárias de abastecimento. Os drones transportam atualmente cerca de 60 quilos de carga por voo, volume suficiente para entregar alimentos e suprimentos médicos em locais onde estradas e pontes foram destruídas pelas águas. Segundo o governo nepalês, as aeronaves já distribuíram 1.591 quilos de alimentos em 31 voos desde o início da operação.

Além do transporte de ajuda humanitária, os drones têm desempenhado funções incomuns em operações de emergência. A capacidade de carga dos FlyCart 100 permite a remoção de corpos de vítimas em regiões inacessíveis para equipes terrestres. Modelos menores também foram incorporados aos esforços de busca e resgate. Pilotos operaram drones dentro de túneis de usinas hidrelétricas atingidas pela inundação na tentativa de localizar trabalhadores presos. Equipados com alto-falantes, os aparelhos permitiam que socorristas chamassem possíveis sobreviventes ou reproduzissem sons para identificar sinais de vida em estruturas tomadas por lama e detritos. Até a última quarta-feira (9), mais de 13,6 mil pessoas haviam sido resgatadas, segundo o governo do Nepal. Vitrine da liderança chinesa A atuação dos drones no desastre reforça a posição dominante da China no mercado global de aeronaves não tripuladas. Os modelos utilizados no Nepal são produzidos pela DJI, empresa sediada em Shenzhen que responde por cerca de 70% a 80% das vendas mundiais de drones comerciais. Os mesmos equipamentos já vinham sendo usados desde 2024 em operações logísticas no Monte Everest. O povo da região emprega drones FlyCart para transportar cilindros de oxigênio e outros suprimentos até acampamentos de montanhistas, além de remover lixo das montanhas. Essa presença crescente transformou o Himalaia em mais um palco da disputa tecnológica entre China e Estados Unidos. Em maio deste ano, uma equipe americana tentou demonstrar um drone de carga produzido pela Freefly Systems na região do Everest, mas não recebeu autorização para operar. Posteriormente, o governo nepalês suspendeu temporariamente as operações dos drones chineses antes de voltar atrás após pressão de operadores de expedições. Especialistas ouvidos pelo Wall Street Journal afirmaram que o Nepal procura manter neutralidade estratégica entre as duas potências. Ainda assim, empresas locais apontam que os drones chineses apresentam vantagens relevantes em altitude elevada, com maior capacidade de carga e preços mais competitivos do que alternativas americanas. Enquanto Washington discute novas restrições e tarifas sobre equipamentos fabricados na China, o desastre no Nepal oferece um exemplo concreto de como drones de carga pesados estão migrando de aplicações comerciais para missões críticas de resposta a emergências, assumindo funções que antes dependiam exclusivamente de helicópteros ou equipes terrestres. *Com supervisão de Daniel Pinheiro Mais Lidas

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