Drone de R$ 1 bilhão: O que se sabe sobre as aeronaves desaparecidas em Ormuz?
Um drone de vigilância da Marinha dos Estados Unidos MQ-4C Triton segue desaparecido desde quinta-feira, quando emitiu um sinal de socorro sobre o Estreito de Ormuz. Até o momento, a aeronave não tripulada não retornou à base de origem na Estação Aeronaval de Sigonella, na Itália, e não há informações sobre seu paradeiro. Um incidente semelhante a um drone do mesmo modelo aconteceu em fevereiro deste ano, mas com desfecho positivo.
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De acordo com relatos do site The War Zone, no dia 9 de abril, a aeronave não tripulada, que pode chegar a custar US$ 200 milhões (aproximadamente R$ 1 bilhão), havia concluído cerca de três horas de monitoramento no Golfo Pérsico e na região do estreito e aparentava estar retornando à sua base, a Estação Aérea Naval de Sigonella, na Itália.
Dados do site de rastreamento aéreo Flightradar24 indicam que o drone acabava de cruzar o espaço aéreo da Arábia Saudita quando fez uma curva em direção ao Irã. Dados disponíveis, citado pelo site TWZ, afirmam que o drone desceu rapidamente até desaparecer. No momento da descida, a aeronave estava transmitindo o código 7700, usado para emergências gerais.
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Ainda não está claro se o equipamento caiu ou foi abatido, algo nunca antes registrado com o modelo.
Mapa de ação do drone americano MQ 4C desaparecido no golfo pérsico
Reprodução: FlightRadar
O incidente ocorreu dois dias após Estados Unidos e Irã chegarem a um acordo de cessar-fogo.
Caso similar, mesmo modelo e local
O desaparecimento de quinta-feira não foi o primeiro incidente a ser registrado com o modelo sobre o Estreito de Ormuz. Um outro MQ-4C Triton também teria desaparecido sobre a região em fevereiro, após emitir um sinal de socorro. A ação ocorreu poucos dias antes do ataque surpresa dos EUA e Israel contra o Irã.
Em 22 de fevereiro, segundo informações do portal ucraniano Defense Express, um MQ-4C Triton havia decolado de uma base aérea dos Emirados Árabes Unidos e voava sobre o Estreito de Ormuz, quando de repente emitiu o código de emergência 7700. Pouco tempo depois, ele desapareceu dos serviços de observação.
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O sumiço alimentou especulações de que o Irã pudesse ter abatido o drone. Mas, como registrado posteriormente, o MQ-4C Triton conseguiu retornar à base aérea dos Emirados Árabes Unidos.
Destruição confirmada
Em junho 2019, um protótipo do MQ-4C Triton — um RQ-4A Global Hawk BAMS-D — desapareceu quase exatamente sobre o mesmo ponto do MQ-4C Triton que sumiu em fevereiro. Naquela ocasião, porém, ele teria sido de fato abatido pelo sistema de mísseis Sevom Khordad, conforme informou o governo iraniano.
Teerã disse na época que o protótipo havia entrado em seu espaço aéreo, perto de Kuhmobarak, na província de Hormozgan, acompanhado de uma aeronave americana. Os iranianos argumentaram ter emitido dois alertas antes de abater o equipamento americano e que evitaram atirar na aeronave tripulada.
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Washington, porém, informou que a aeronave estava em espaço aéreo internacional. O presidente Donald Trump estava em seu primeiro mandato e, segundo o New York Times na época, teria aprovado uma ação militar em retaliação, mas desistiu no último minuto.
A derrubada do protótipo do MQ-4C Triton aconteceu em meio à escalada de atritos nas relações entre Irã e EUA. No ano anterior, em maio de 2018, Trump retirou Washington do acordo nuclear assinado em 2015 e retornou com as sanções a Teerã.
Um drone caro
Para além da tecnologia de ponta, uma das principais características dessa aeronave não tripulada é o seu valor — durante aquisição em 2024, a Marinha americana desembolsou US$ 187 milhões por drone (quase R$ 1 bilhão). Ainda assim, de acordo com a revista Forbes, seu custo de aquisição não representa o preço total que, em 2024, teve custo bruto estimado em US$ 243 milhões para cada MQ-4C (cerca de R$ 1,2 bilhão).
Criado pela americana Northrop Grumman, o MQ-4C Triton é uma evolução do RQ-4C Global Hawk da Força Aérea americana. Foi projetado para missões estratégicas de vigilância de longa duração, especialmente em áreas sensíveis como rotas marítimas, em grandes altitudes.
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Diferentemente de aeronaves convencionais, o modelo é capaz de operar por mais de 24 horas a altitudes superiores a 15 mil metros, com alcance de aproximadamente 13,7 mil quilômetros. Ele detecta, rastreia e classifica alvos e objetos de forma mais rápida, além de compartilhar essas informações com mais agilidade.
De acordo com o site da Northrop Grumman, um MQ-4C Triton pode oferecer quatro vezes mais a cobertura ISR (sigla em inglês para inteligência, vigilância e reconhecimento) do que outras aeronaves não tripuladas, sem perder altitude, alcance ou autonomia.
Até 2025, a Marinha dos EUA contava com cerca de 20 unidades do Triton, com planos de ampliar a frota. Apesar do valor atual, o Triton foi projetado originalmente para ser um auxiliar de baixo custo para plataformas tripuladas. Ele atua em conjunto, por exemplo, com aeronaves de patrulha P-8A Poseidon, fabricado pela Boeing, funcionando como plataforma de observação de grande altitude.
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