Drone 'canivete': Conheça armamento com lançamento 'relâmpago' projetado para exército dos EUA; vídeos
A AeroVironment apresentou o Mayhem 10, novo sistema autônomo de “efeitos lançados” que amplia a linhagem dos drones Switchblade — ou "canivete", em português —, já usados em combate, e mira exigências do Exército dos Estados Unidos. A empresa afirma que o equipamento foi projetado para operar a partir de plataformas aéreas, terrestres e marítimas, com capacidade de rápida montagem, lançamento e reconfiguração em campo.
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O Mayhem 10 tem como principal aposta a modularidade. Sua arquitetura permite alternar cargas letais e não letais conforme a missão, incluindo inteligência, vigilância e reconhecimento, guerra eletrônica, retransmissão de comunicações, funções de engodo e ataques de precisão. A ideia é oferecer aos comandantes um único sistema capaz de se adaptar à evolução do cenário de combate.
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Segundo a empresa, o objetivo é reduzir o tempo entre a detecção de um alvo e o disparo, ao mesmo tempo em que se diminui o risco para militares e ativos de alto valor.
— O Mayhem 10 estabelece um novo padrão de versatilidade operacional e capacidade de sobrevivência no campo de batalha moderno — disse Wahid Nawabi, presidente e CEO da AeroVironment, ao site especializado The War Zone, ao destacar a capacidade do sistema de operar em ambientes fortemente contestados.
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Apesar de herdar características da família Switchblade, o novo drone foi desenhado para ir além das munições vagantes tradicionais em escala e flexibilidade. O nome Mayhem 10 faz referência à capacidade de levar uma carga útil de até 10 libras, cerca de 4,5 quilos. O sistema tem alcance aproximado de 62 milhas, o equivalente a quase 100 quilômetros, e pode permanecer no ar por até 50 minutos. A montagem e o lançamento, segundo a empresa, podem ser feitos em menos de cinco minutos.
Drones 'canivetes' usados pelo Exército dos EUA
Reprodução: AeroVironment
Austin Johnson, diretor de desenvolvimento de negócios da AeroVironment para programas do Exército dos EUA, afirmou ao The War Zone que, embora o Mayhem seja uma evolução do Switchblade, o equipamento representa uma nova etapa no combate.
— Mayhem não é apenas sair do tubo, encontrar o blindado, matar o blindado, matar o inimigo. Mayhem é qualquer missão, em qualquer lugar, a qualquer momento. Então, neste momento, lançamos a partir de um Tubo de Lançamento Comum. Podemos lançar do ar e do solo — disse Johnson.
Drone Mayhem 10 sendo lançado de tanque não tripulado
Reprodução: AeroVironment
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Uma das diferenças está no lançamento assistido por foguete, em vez do uso de gerador de gás. A solução acompanha uma mudança de preferência do Exército americano em direção a sistemas de lançamento com assistência por foguete, segundo a empresa.
— O Mayhem 10 é altamente otimizado; foi construído especificamente para a missão de efeitos lançados, ao contrário de um Switchblade, que é muito voltado para uma missão singular antitanque, antiblindado — explicou Kevin Williams, engenheiro-chefe do Mayhem. — A modularidade está em seu núcleo.
O sistema possui uma seção frontal removível para acelerar a integração de novas cargas. Mais de oito tipos de carga útil já foram integrados, segundo Johnson. Entre as opções, ele citou uma configuração que “efetivamente pode agir como um míssil HARM, o que significa que podemos identificar, detectar e destruir um emissor”.
A AeroVironment afirma que o Mayhem 10 foi desenvolvido com arquitetura aberta, o que permite receber atualizações e cargas de terceiros sem grandes redesenhos. Em um teste citado por Williams, projetistas de carga útil tiveram acesso ao modelo de interface do sistema, inclusive por QR code, para compreender conexões elétricas, mecânicas e de dados. Em pelo menos um caso, a carga foi integrada fisicamente em 90 minutos após a chegada do fornecedor à instalação da empresa.
O controle pelos operadores é feito por meio do Tomahawk Grip e do ambiente de comando AV_Halo, da AeroVironment, otimizados para operações em rede e distribuídas. A arquitetura também permite que vários Mayhem 10 atuem de forma colaborativa em enxames, ampliando cobertura, saturando defesas e coordenando efeitos em uma área mais ampla.
— Podemos completar várias missões em um único enxame — afirmou Johnson. — Eles podem se comunicar entre si e completar a missão. Podem bloquear o inimigo com cargas de guerra eletrônica. Temos várias cargas cinéticas, então podemos executar um perfil de missão completo com vários Mayhems.
No campo da autonomia, o Mayhem 10 usa um processador orientado por inteligência artificial, que, segundo a fabricante, garante operação em ambientes degradados ou negados. O sistema foi projetado para resistir a interferência, spoofing e perda de sinais tradicionais de navegação. A comunicação e o posicionamento seguro usam GPS M-Code, datalink Silvus e uma rede mesh baseada em MANET, com conectividade de comando e controle em alcance aproximado de 16 a 25 milhas, cerca de 26 a 40 quilômetros.
A AeroVironment já realizou mais de 50 testes de voo financiados internamente com o Mayhem 10, incluindo testes com munição real, guerra eletrônica e retransmissão de links. A empresa afirma que o sistema deve atingir, neste verão no Hemisfério Norte, o nível TRL 8, que indica tecnologia testada e qualificada em voo, e entrar em produção inicial de baixa cadência ainda este ano.
— Estamos entrando nas competições — disse Williams. — Queríamos ir rápido, mas de forma confiável. Não queríamos chegar com um produto inferior. Estamos entregando um sistema de armas, não um sistema experimental.
Atualmente, o Mayhem 10 é voltado principalmente ao programa Launched Effects-Short Range, do Exército dos EUA, mas a empresa afirma que ele faz parte de uma nova família de produtos, o que deve abrir caminho para variantes futuras. Embora ainda não haja contrato do Exército, a AeroVironment já prepara uma linha de produção em Simi Valley, na Califórnia, e uma nova fábrica em Salt Lake City, em Utah, com capacidade prevista para produzir entre mil e 2 mil unidades por ano.
O lançamento ocorre em um mercado cada vez mais disputado por sistemas menores, inteligentes e conectados, capazes de serem empregados rapidamente, adaptados em campo e usados em grande número para sobrecarregar adversários. Ao mesmo tempo, o Mayhem 10 deve enfrentar uma concorrência crescente por futuras encomendas militares.
