Dragon Quest VII Reimagined é encantador, mas ainda peca em ritmo; testamos
Dragon Quest VII Reimagined é a mais nova releitura do clássico RPG por turnos da Square Enix, lançado primeiramente para PlayStation nos anos 2000. O título segue a tendência de relançamentos da série, como os bem-sucedidos remakes HD-2D da trilogia original, mas agora apostando em gráficos totalmente tridimensionais inspirados por dioramas. Além disso, seu principal ponto de venda está em uma série de ajustes e melhorias de qualidade de vida, que buscam tornar a jogatina mais fluida e divertida para os usuários.
A boa notícia é que o jogo, embora seja baseado em um título um pouco divisivo da série, entrega uma experiência bastante divertida e que pode servir de porta de entrada para novos jogadores. O TechTudo já testou a versão completa de Dragon Quest VII Reimagined e traz as impressões completas nas linhas a seguir. Vale notar que o jogo tem lançamento agendado para 5 de fevereiro, com versões para PC (Steam), PlayStation 5 (PS5), Xbox Series S, Xbox Series X, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2. Confira o que achamos, a seguir!
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Dragon Quest VII Reimagined ainda peca no ritmo da narrativa, mas cativa pelo gameplay e visuais carismáticos
Divulgação/Square Enix
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Visuais carismáticos são um grande acerto
É impossível falar de Dragon Quest VII Reimagined sem ressaltar o seu novo estilo visual. Tanto os personagens quanto os cenários estão muito bonitinhos e recheados de carisma. A direção artística é irretocável para o escopo da aventura, sendo responsável, ainda, por elevar os excelentes designs de criaturas de Akira Toriyama, autor de obras como Dragon Ball que faleceu em 2024 e sempre esteve envolvido na franquia de Yuji Horii desde os seus primórdios.
Segundo a desenvolvedora, o objetivo era aprimorar os visuais dos personagens com uma estética artesanal e acolhedora, enquanto as cidades e ambientes foram renderizados em um estilo de diorama — lembrando títulos como The Legend of Zelda: Link’s Awakening ou Echoes of the Wisdom, por exemplo. Além disso, os modelos dos companheiros do jogo foram criados a partir da digitalização de bonecos físicos. Essas decisões estão em harmonia com o tom aventuresco e até mesmo inocente do jogo, sendo um prato cheio para quem busca um RPG aconchegante para se divertir.
O gameplay por turnos de Dragon Quest VII Reimagined tem animações fluidas e uma série de melhorias de qualidade de vida
Divulgação/Square Enix
Gameplay mais bem-amarrado e cheio de novidades
Esta nova versão do clássico RPG por turnos também traz uma série de conveniências de jogabilidade que tornam a experiência muito satisfatória. Nenhuma delas é algo inédito no gênero, mas são funcionalidades muito bem-vindas. Por exemplo, agora os jogadores podem enxergar todos os inimigos no cenário antes de iniciar um combate. Antes, os confrontos surgiam de forma aleatória e invasiva. Desta forma, agora é possível evitar lutas caso o jogador esteja apenas a fim de seguir em frente.
Outra novidade da qual fiz bastante uso foi a possibilidade de mudar alguns parâmetros do gameplay. Dentre eles, a quantidade de experiência adquirida por batalha. Tentei deixar a jogatina a mais desafiadora possível, então reduzi ao máximo o ganho de experiência e o dano que meus personagens causavam, além de aumentar o dano que os monstros causavam em mim.
Em determinados momentos, para deixar o ritmo mais agradável, eu optei por aumentar apenas o ganho de experiência de classe (chamadas aqui de vocações), para facilitar o desbloqueio de novas habilidades, mas sem deixar que meus personagens subissem o próprio nível para não correr o risco de desbalancear os combates.
O estilo visual de Dragon Quest VII Reimagined eleva ainda mais o design de criaturas irretocável de Akira Toriyama
Reprodução/Bruno Magalhães
Gostei bastante dessa liberdade, pois o jogo, além de dispensar a necessidade de fazer lutas repetitivas apenas para evoluir os bonecos, também facilita a vida daqueles que quiserem fazer isso. Não à toa, também é possível aumentar a velocidade dos confrontos e até mesmo ativar um modo de combate automático, para não ser preciso repetir a navegação pelos menus em confrontos menos importantes.
Por volta das 20 horas de gameplay, o jogo introduz o sistema de vocações para todos os personagens. Foi neste momento que a modificação desses parâmetros de gameplay se provou realmente útil para destravar novas habilidades, sem que eu perdesse muito tempo apenas matando os mesmos tipos de inimigos. Foi uma das melhores mudanças dessa versão do jogo a meu ver. Também vale destacar os novos especiais, exclusivos de cada vocação, e a possibilidade de equipar duas ao mesmo tempo, por volta das 30 horas de jogo.
Essas são apenas algumas das conveniências de gameplay que foram adicionadas ao jogo. No geral, há pequenas alterações que também colaboram para deixar os combates mais fluidos e facilitar a navegação pela interface de menus. É o que se espera de um RPG atualmente, mas sem deixar de lado a essência da série Dragon Quest. Por isso, eu acredito que o jogo seja uma perfeita porta de entrada para principiantes, enquanto os veteranos têm as ferramentas necessárias para ajustar a dificuldade a gosto.
As vocações de Dragon Quest VII Reimagined agora têm especiais exclusivos e que colaboram com a estratégia dos combates
Divulgação/Square Enix
Narrativa arrastada pode decepcionar
Falando da história, Dragon Quest VII é infame pela sua duração e por não ter um ritmo muito agradável. A nova versão busca afinar muitas dessas questões, mas infelizmente ainda carrega o peso de alguns problemas estruturais. Para dar um pouco de contexto, a história retrata o herói protagonista, que é filho de um pescador em uma pequena cidade portuária chamada Pilchard, localizada na região do reino de Estard.
Por muito tempo, algo intrigava a população: o fato de que Estard era a única ilha existente no mundo inteiro. Por isso, o protagonista e seus melhores amigos, o príncipe Kiefer e a filha do prefeito de Pilchard, Mirabel, tinham sede de aventura e de descobrir a verdade por trás desse mundo. Isso os leva a um santuário proibido que os transporta ao passado — mais especificamente, a ilhas que deixaram de existir no presente por influência do Rei Demônio.
Os cenários de Dragon Quest VII Reimagined lembram pequenos dioramas e são muito lindinhos
Reprodução/Bruno Magalhães
Assim, começa uma grande aventura para resolver problemas locais nessas ilhas e testemunhar o efeito das suas ações, restaurando-as no presente. Tudo é estruturado na forma de pequenas histórias autocontidas, cujo objetivo principal é coletar dezenas de fragmentos de tabuletas de pedra que servem para destravar novos portais para outras ilhas do passado. Assim, o jogador deve rechear o mapa aos pouquinhos com novas ilhas e visitá-las em diferentes momentos do tempo para coletar itens-chave e cumprir objetivos que o levem até a força responsável por fragmentar o mundo.
Por conta do volume de ilhas, muitas dessas histórias e seus personagens são facilmente esquecíveis e podem deixar a jogatina muito arrastada. Demora para que acontecimentos do arco principal da história comecem a ter tração. Além disso, eu não acho que os personagens principais são bem-desenvolvidos. Por isso, eu não indicaria Dragon Quest VII Reimagined para alguém que espera um RPG denso e com um roteiro muito detalhado. A mecânica de viagem temporal também está longe da engenhosidade de jogos como Chrono Trigger, por exemplo.
Infelizmente, Dragon Quest VII Reimagined não traz textos localizados em português do Brasil
Reprodução/Bruno Magalhães
Pesa, ainda, o fato de que o jogo não tem legendas em português do Brasil — algo inadmissível nos dias atuais. Mais do que isso, as legendas em inglês me incomodaram por tentarem retratar textualmente, e de forma exageradamente caricata, os dialetos de diferentes povos que encontramos na história. Senti que a execução é bastante ofensiva, como se outras culturas “não conseguissem” se comunicar em inglês. Nos textos em japonês, por exemplo, isso não acontece. Como alguém que estuda o idioma já há muitos anos, eu tive mais facilidade prestando atenção nos diálogos em japonês.
Empolgou?
Um dos principais pontos de crítica do Dragon Quest VII original ainda permanece na versão Reimagined: o conteúdo inchado e ritmo arrastado da história. No entanto, é inegável que o novo estilo visual e as melhorias de gameplay tornam a jogatina muito mais agradável. São mudanças que por si só carregam a experiência do início ao fim. O resultado é um RPG repleto de charme e imperdível para quem busca uma aventura com a inocência de obras que remetem à nossa infância.
Caso você seja um veterano de RPGs, algumas das conveniências de gameplay podem deixar o jogo mais fácil do que gostaria. Ainda assim, a possibilidade de personalizar parâmetros como ganho de experiência e dano dão um nível de liberdade interessante para todos os perfis de jogadores. Caso ainda esteja com dúvidas após este texto de impressões, minha recomendação é baixar a versão de teste disponível em todas as plataformas, que traz todo o arco de abertura do jogo.
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