Dr. Heber Videira conecta ciência e políticas públicas - QTU Questões do Universo

Dr. Heber Videira conecta ciência e políticas públicas

Fonte: Bandeira da fonte

Uma bolsa de estudos em escola pública abriu o caminho do físico médico Heber Simões Videira.
Em 19 anos de Medicina Nuclear, ele atuou em produção de radioisótopos, radiofarmácia, logística e regulação, e hoje leva essa experiência ao debate de políticas públicas, como o PL 2167/2025.
Nesta entrevista, ele conta esse percurso.
1 - Sua trajetória começou muito distante dos espaços que ocupa hoje.
Como a Física mudou esse caminho?
"Venho de uma família humilde e, desde jovem, vi na educação e na ciência uma possibilidade de futuro.
Estudei em escola pública e no SENAI e, sem condições de custear a faculdade, consegui uma bolsa pelo Programa Escola da Família do governo de SP.
Fui professor de Física em escola pública por cinco anos.
Pela Física, cheguei à Física Médica e, depois, à Medicina Nuclear.
Ali encontrei uma profissão em que uni a ciência, tecnologia e impacto na vida das pessoas.
Uma política pública abriu uma porta para mim.
Anos depois, entendi que eu deveria levar de volta conhecimento e oportunidade às pessoas".
2 - E como essa formação se transformou em uma atuação tão ampla?
"Em 19 anos, vivi toda a cadeia da Medicina Nuclear: atuei em produção de radioisótopos, radiofarmácia, assistência hospitalar, pesquisa, logística, proteção radiológica e regulação.
No doutorado, contribuí no desenvolvimento da produção de radiofármacos destinados ao diagnóstico e estadiamento do câncer de próstata em um hospital público.
Como fundador da MEDICAL ALD, empresa de distribuição e logística de radiofármacos, conheci 151 das 453 unidades de Medicina Nuclear do país e, na prática, diferentes realidades e o caminho da produção ao paciente.
Com a médica nuclear, Dra.
Mayara Torres, fundamos o MEDICAL ISOTALKS, podcast brasileiro dedicado à área, que já alcançou 17 países".
3 - Em que momento percebeu que poderia fazer diferença também além da área técnica?
"Quanto mais eu conhecia serviços, profissionais e diferentes realidades, mais percebia que alguns problemas não seriam resolvidos apenas no laboratório, hospital ou empresa.
Os encontros e conselhos de Alexandre Alcantara, deputado federal suplente e vice-presidente da ABDIMA, foram importantes.
Passei a compreender a articulação institucional e percebi que minha experiência técnica poderia contribuir nas decisões sobre ciência, inovação e acesso à saúde.
Ampliei minha atuação; não mudei de carreira.
Não deixei a ciência para entrar na política.
Continuo sendo físico médico, mas percebi que eu tinha que levar o conhecimento que construí para outros espaços.
Hoje, levo a ciência para onde as decisões que determinam seu futuro são tomadas".
4 - Sua experiência chegou também ao debate internacional.
O que trouxe dessa vivência para o Brasil?
"Aprendi que não basta produzir inovação: ela precisa chegar ao paciente.
Com radiofármacos, isso é ainda mais crítico, porque lutamos contra o tempo.
Levei à Agência Internacional de Energia Atômica a experiência que desenvolvi na MEDICAL ALD com a mitigação de denial and delay — recusas e atrasos no transporte de radiofármacos — e trouxe conhecimento e experiências para aproximar operadores, instituições e profissionais brasileiros.
Deixei de enxergar apenas os elos e passei a enxergar a cadeia inteira e como ciência, tecnologia, inovação e políticas públicas precisam estar conectadas".
5 - Após construir sua trajetória na Medicina Nuclear, o que o levou a ampliar esse horizonte para a medicina avançada?
"Foi na Medicina Nuclear que entrei em contato com imagem molecular, teranóstico, radiofármacos, dosimetria e medicina de precisão.
Nessa trajetória, enxerguei conexões com inteligência artificial, genômica, terapias gênicas e celulares, patologia digital, biologia molecular e outras tecnologias.
Percebi que o futuro da saúde não seria construído em uma única especialidade.
Para mim, medicina avançada é a convergência entre ciência e tecnologia para tornar diagnóstico e tratamento mais precisos, personalizados e acessíveis.
Dessa visão nasceu a ABDIMA — Associação Brasileira de Desenvolvimento e Integração da Medicina Avançada, que fundei e hoje presido".
6 - E como o senhor está transformando essa visão em ações concretas?
"Hoje atuo na interseção desses campos.
Na USP, mantenho minha ligação com pesquisa; na MEDICAL ALD, atuo com inovação, novos negócios, distribuição e logística de radiofármacos; na ABDIMA, trabalho para aproximar os atores da medicina avançada.
Tenho levado essa experiência ao debate de políticas públicas.
Mantenho interlocução com o Congresso Nacional e acompanho discussões como o PL 2167/2025.
Defendo profundamente um Plano Nacional de Desenvolvimento da Medicina Nuclear, conectando produção de radioisótopos, regionalização, descentralização da produção de radiofármacos, tipos de radiofarmácias, radiofármacos in house, logística, formação, regulação e financiamento.
Não quero apenas apontar problemas.
Quero aproximar pessoas, construir propostas e criar mecanismos para tirar boas ideias do papel".
7 - Depois de tudo o que construiu, que legado o Dr.
Heber Videira gostaria de deixar?
"Espero que, daqui a dez ou vinte anos, eu veja a Medicina Nuclear distribuída aos confins do país e que o acesso não dependa mais do CEP do paciente.
Quero ver os avanços da medicina mais acessíveis, inclusive integrados ao SUS, e continuar sendo físico médico, pesquisador e empreendedor, mas também alguém capaz de conectar ciência, inovação e políticas públicas.
Sou esposo e pai de dois filhos e penso em legado.
Para mim, sucesso não é apenas construir uma carreira, participar de projetos ou publicar trabalhos.
É fazer o conhecimento gerar transformação e abrir caminhos, como um dia abriram para mim.
Quando você acredita e ama o que faz, o impossível começa a se tornar possível.
Quero que outras pessoas também acreditem nelas mesmas, como eu aprendi a acreditar em mim.
Quero olhar para trás e perceber que não apenas acompanhei a transformação da medicina brasileira, mas fui um dos responsáveis por essa transformação".
Para conhecer mais, basta acessar: instagram.com/dr_heber_videira