A Polícia Civil vai encaminhar à Justiça Eleitoral material apreendido durante uma operação da Polícia Militar, realizada na noite do último sábado (5/9), em Ananindeua, na Grande Belém, para apuração de suposto crime eleitoral envolvendo o candidato ao Governo do Estado do Pará, dr. Daniel Santos. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram que o próprio candidato discutiu e até xingou policiais no interior de uma Delegacia de Polícia, chamando-os de "vagabundos", após a ocorrência verificada em um posto de combustível. A coordenação da campanha do candidato dr. Daniel foi procurada pelo Grupo Liberal sobre o assunto, mas até o momento não se manifestou.
Em nota à imprensa, neste domingo (6), a Polícia Militar informou que foi acionada na noite de sábado após denúncia de aglomeração em posto de combustível, em Ananindeua. “Quando chegou no local, os agentes se depararam com princípio de tumulto e com possível distribuição de combustível para fins de campanha política. Durante a ação, foram apreendidos listas com nomes e placas, um computador e dois celulares. O gerente e os frentistas do estabelecimento foram convidados para ir à Delegacia da Cidade Nova para prestar esclarecimentos. A Polícia Civil informa que recebeu todo o material apreendido e irá encaminhá-lo à Justiça Eleitoral, responsável pela apuração dos fatos", diz a nota.
A investigação policial, a partir da apreensão de computadores do posto, acessou o sistema com os nomes autorizados a abastecer. Nessa relação constam operadores diretos do ex-prefeito: Franci Pereira, vereadora da base de Daniel na Câmara, e Elton Nunes, chefe de gabinete da Prefeitura. Também circula nas redes sociais a informação de que o nome do vereador Fabrício Miranda, vereador e candidato a deputado estadual, estaria nessa lista.
A distribuição de combustível sem nota e sem prestação de contas configura despesa ilícita e abuso de poder econômico, em período eleitoral. No caso em questão, ao tentar ocultar as informações, o gerente acabou sendo levado pela polícia para prestar esclarecimentos sobre a situação. De acordo com a legislação em vigor, todo combustível de campanha exige identificação do veículo, nota fiscal e prestação de contas oficial.
Os dados do funcionamento do estabelecimento comercial, a partir da apreensão dos sistemas do posto, podem indicar a existência de uma contabilidade paralela criada para abastecer a estrutura do candidato à margem da lei.
O grupo do candidato Daniel Santos é pressionado por investigações em licitações, gestão de hospitais e bloqueio de bens. E tem como agravante, a partir de agora: gerente detido na polícia, computadores apreendidos e os nomes de seus aliados registrados na lista do abastecimento clandestino.
Candidato
Imagens que circulam nas redes sociais mostram o candidato Daniel Santos em uma discussão acalorada no interior em uma Delegacia de Polícia após a ocorrência verificada pela polícia sobre uma eventual distribuição ilegal de combustíveis, no período eleitoral. As primeiras informações sobre o caso são de que veículos estariam sendo abastecidos para uma carreata prevista para este domingo (6).
Na delegacia, o candidato Daniel Santos teria xingado um delegado e o comandante de uma unidade da PM. Esse momento de tensão foi registrado em vídeo, que passou a circular nas redes sociais. “Eu quero saber quem é o delegado Ricardo e o coronel Tabaranã. Eu quero saber quem são os dois vagabundos”, diz dr. Daniel.
Em suas redes sociais, o candidato negou as irregularidades. “Agrediram nossos apoiadores porque estavam abastecendo de forma legal para uma carreata legal previamente avisada ao TRE. Prenderam sem justificativa nenhuma 4 trabalhadores do posto”, afirma o candidato.
O Liberal