Douglas Souza fala de volta à seleção de vôlei e casamento: 'Estou com sede de bola e no ápice da preparação física e mental'
Aos 30 anos, "com sede de bola", se sentindo "no auge da forma física e mental", Douglas Souza está de volta à seleção brasileira de vôlei. Há uma semana, ele treina com o grupo de Bernardo Rezende, o Bernardinho, em Saquarema (RJ), de olho nos Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028. Douglas, que há cerca de cinco anos não vestia a camisa do Brasil, relembra que pós-Tóquio-2020, "um menino lidando com uma pressão absurda", pediu dispensa para cuidar da saúde mental. E afirma que quem retorna hoje à seleção "é um homem, um atleta maduro, experiente" pronto para o recomeço.
— Definitivamente, é uma fase de amadurecimento e de lindos recomeços — disse Douglas, ao GLOBO, cuja última aparição com a camisa da seleção foi em 2021.
Douglas Souza em partida dos Jogos de Tóquio-2020, contra a Tunísia
YURI CORTEZ / AFP
Mas foi em março de 2022, após recusar um convite para defender a seleção, que ele anunciou "sua aposentadoria da seleção" porque precisava cuidar da saúde mental. Citou que a decisão havia sido tomada em 2018, influenciada, principalmente, pela rotina intensa de treinos.
Neste período, Douglas bombou nas redes sociais e chegou a participar da Dança dos Famosos, da Rede Globo.
Douglas, que teve de adiar data de casamento com o streamer Gabi Campos para conciliar com a agenda do vôlei, disputará a Liga das Nações. A primeira etapa será em Brasília (DF), entre os dias 10 e 15 de junho. A temporada terá ainda o Campeonato Sul-Americano, em agosto, que será válido como Pré-Olímpico.
O ponteiro campeão olímpico na Rio-2016 e vice-campeão mundial em 2018 chega à seleção após desempenho destacado na Superliga e com a conquista do título brasileiro pelo Cruzeiro.
Em entrevista exclusiva ao GLOBO, ele conta sobre a decisão de voltar à seleção e o que mudou de lá para cá:
O GLOBO: Como foi esse processo de tomada de decisão de voltar à seleção brasileira? O que pesou? Quando "decidiu"?
— O estalo principal veio logo após o Mundial de seleções de 2025. Sentei com o meu noivo em casa e, pela primeira vez, externalizei a possibilidade de voltar. Senti que, com a bagagem que acumulei nesses anos, eu poderia agregar muito ao grupo, trazer uma nova energia. Mas decidi não falar nada para ninguém de imediato; preferi deixar a ideia amadurecer internamente, entender se era isso mesmo o que meu coração e meu corpo queriam. Quando tive a certeza absoluta de que estava pronto para me entregar 100%, liguei para o Bernardinho e disse que estava disposto a voltar.
O GLOBO: O que te faz voltar a defender o Brasil após quatro anos?
— O que me move é a vontade de vencer e de jogar em alto nível. Estou com muita sede de bola e me sinto no ápice da minha preparação física e mental para esse novo desafio. Além disso, nesses últimos quatro anos, o carinho dos fãs foi um combustível gigante; não passava um único dia sem que alguém pedisse o meu retorno nas redes ou nas ruas. Então, esse retorno é também por eles, como um agradecimento a quem acompanha o vôlei e sempre acreditou que eu ainda tinha muito a entregar vestindo a camisa do Brasil.
Douglas em meio ao time do Cruzeiro, campeão da Superliga 2025/2026
Divulgação CBV
O GLOBO: O que sentiu falta? O que gosta nesta ideia?
— No último ano, assistindo aos campeonatos de casa durante as minhas férias, o coração apertou. Senti uma falta absurda da adrenalina de estar em quadra, da vibração da torcida e daquela sensação única de rodar uma bola decisiva no ataque. Eu amo ter o meu tempo de descanso, mas a verdade é que passei tanto tempo jogando vôlei que o esporte já está no meu DNA. Meu corpo e minha mente sentem falta dessa rotina de alto rendimento. A ideia de voltar a sentir esse frio na barriga é o que mais me encanta agora.
O GLOBO: Você ensaiou o que falaria com o Bernardinho, uma vez que foi você que ligou para ele? Teve receio de algo?
— Não teve ensaio nenhum, sou um cara muito espontâneo. Apenas liguei quando tive a convicção real de que estava decidido a voltar. Não tive receio porque sei da seriedade do trabalho do Bernardo e do respeito mútuo que existe. A partir daquela conversa, segui totalmente focado no meu clube, trabalhando duro dia após dia. Eu sabia que a convocação não viria de graça; ela seria o resultado direto da entrega, da constância e do desempenho que apresentei ao longo de toda a temporada.
O GLOBO: Você encerrou seu ciclo com a seleção em 2022, quando precisou dar prioridade para a saúde mental. O que mudou de lá para cá? O que você fez para se fortalecer?
— A grande chave foi o autocuidado. Eu fiz muita terapia e continuo fazendo rigidamente; entender que cuidar da saúde mental é essencial não só para a vida pessoal, mas para o desempenho de um atleta de elite, mudou tudo para mim. Ano após ano, fui me fortalecendo e me conhecendo melhor. Também aprendi a respeitar meus limites e a descansar de verdade. Ter um tempo de qualidade para jogar videogame, viajar, curtir minha casa, meu noivo e minhas filhas pets foi fundamental. Esse período de respiro foi o que me permitiu regularizar minha mente e meu físico para chegar com força total onde estou hoje.
O GLOBO: O que você quer viver (de novo) com a seleção?
— Quando eu me afastei da seleção, eu tinha 26 anos. Olhando para trás hoje, vejo que, apesar de já ter conquistado muita coisa, eu ainda era um menino lidando com uma pressão absurda. O Douglas que retorna hoje é um homem, um atleta maduro, experiente e com uma sede de vitória ainda maior. Eu quero dar uma continuidade bonita à minha história com a camisa verde e amarela, ajudar a reestruturar o nosso grupo e, claro, trazer mais medalhas e títulos para o Brasil.
O GLOBO: Sua meta é disputar mais uma Olimpíada, em Los Angeles, em 2028?
— Sem dúvida, o planejamento de longo prazo inclui buscar mais uma Olimpíada em 2028, sim. Mas sou um atleta que vive muito o presente. Antes de Los Angeles, temos um ciclo inteiro pela frente. Minha meta imediata é brigar pelo título da Liga das Nações este ano e no próximo, além do Campeonato Mundial. Quero focar em cada torneio como se fosse o único. Pensar em 2028 é uma meta real, mas o trabalho para chegar lá começa agora.
O GLOBO: Nesse meio do caminho você se agigantou nas redes sociais... Ficou ainda mais famoso, entrou em programa de TV... Essa fase acabou? Você tem dado mais espaço para o esporte? Ou essa fase mais influencer continua?
— Essa fase não acabou e nem vai acabar, porque ela faz parte de quem eu sou. Hoje, eu influencio justamente sendo atleta. Acredito que o segredo do sucesso nas redes é ser 100% sincero com o público sobre o que estou vivendo e, no momento, eu respiro vôlei. Meu foco principal e absoluto está na quadra, nos treinos e nos jogos. Mas continuo compartilhando os meus highlights, os bastidores e realizando colaborações com grandes marcas. Uma coisa não anula a outra; elas se somam. Quero usar o meu alcance para influenciar novos atletas e mostrar que, com trabalho duro e autenticidade, nós podemos conquistar o mundo.
O GLOBO: O que de mais legal você conquistou nessa fase em que se dividiu entre o clube de vôlei e a fase influencer? Conheceu seu futuro marido nessa época?
— Foi um período de muitas descobertas. O lado "influencer" explodiu de forma muito repentina depois de Tóquio em 2021. Eu apenas gravava o meu cotidiano na Vila Olímpica, postava e, de repente, me vi representando grandes marcas nacionais e internacionais e conversando com milhões de pessoas. É uma responsabilidade gigantesca. O mais legal disso tudo foi poder viver essa reviravolta ao lado do meu noivo. Nós já estamos juntos há 9 anos, então ele já estava comigo muito antes de toda essa fama, me dando todo o suporte emocional e administrativo para que eu conseguisse equilibrar os dois mundos.
Douglas Souza e o noivo Gabi Campos: pedido de casamento
Reprodução
O GLOBO: Quando vocês irao se casar? Como será a cerimônia? Conta alguma coisa...
— O casamento vai ser em São Paulo e nós já tivemos que recalcular a rota e mudar a data! Como organizamos tudo muito tempo antes de eu decidir voltar para a seleção, a data inicial ia cair bem no meio de uma das etapas da Liga das Nações. Tivemos que ajustar o calendário, mas estamos superanimados com os preparativos. O nível de foco é tão grande que, pelo cronograma atual, no dia do casamento eu ainda tenho treino de manhã! Não vou perder nenhum compromisso com o grupo, então vou dar um jeito de treinar no primeiro período e casar à noite. Vai dar certo, vai ser na base da emoção! (risos).
O GLOBO: Como definiria essa sua nova fase?
— Estou vivendo uma das melhores fases da minha vida, se não a melhor. Voltar para a seleção depois de alguns anos longe, já estar integrado aos treinos e sentindo essa energia do grupo tem sido incrível. É uma dinâmica diferente, uma mescla de atletas experientes com uma nova geração cheia de gás, e estou adorando conhecer e trocar experiências com todo mundo. Definitivamente, é uma fase de amadurecimento e de lindos recomeços.
