Donos de produtoras de funk alvos de operação da PF já foram citados em investigações sobre o PCC

 

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A Polícia Federal (PF) realizou na manhã de quarta-feira (15) uma operação policial que prendeu os MCs Ryan SP e Poze do Rodo, em uma investigação para desarticular uma associação criminosa voltada à movimentação ilícita de valores no Brasil e no exterior. Além dos artistas, também estão entre os alvos os donos das produtoras de funk GR6 e Love Funk, empresas citadas em investigações anteriores por suspeita de ligação com o PCC.

Na operação desta semana, segundo a PF, o grupo atuava em esquemas de lavagem de capitais, utilizando um sistema estruturado para ocultação e dissimulação de recursos que seriam provenientes do tráfico de drogas. Entre os métodos identificados estão operações financeiras de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e transações com ativos digitais. O volume movimentado pelos suspeitos ultrapassa R$ 1,6 bilhão em 24 meses.

MC Ryan SP é apontado como líder de esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional, diz PF

Na decisão que autorizou a realização da operação, a Polícia Federal colocou entre os participantes do esquema o empresário Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, da GR6, empresa que produz grandes nomes do funk no país, entre eles MC Ryan SP, e tem mais de 40 milhões de inscritos no canal do YouTube.

Segundo a PF, a estrutura da empresa teria sido utilizada para ocultar a origem de valores ilícitos, e parte desses recursos teriam ligação com o PCC. A GR6 teria realizado “transferências financeiras a Ryan, e figurou em investigações pretéritas relacionadas ao funcionamento do PCC”, diz a decisão judicial que decretou a prisão temporária do MC e também de Rodrigo Oliveira.

A Justiça também decretou bloqueio e sequestro de valores em contas bancárias e criptoativos relacionados à GR6.

Outro citado é Henrique Alexandre Barros Viana, da produtora Love Funk, empresa também relevante no cenário do funk, com mais de 13 milhões de inscritos no YouTube. A PF cita que Viana seria parte do grupo criminoso e teria realizado operações financeiras sem lastro. Ele está na lista como um dos alvos dos mandados de prisão. A Formato Funk, nome oficial da Love Funk, também foi submetida a bloqueios judiciais.

Como funcionava o esquema de lavagem de dinheiro envolvendo MC Ryan e Poze do Rodo

Tanto a GR6 quanto a Love Funk foram citadas anteriormente em outra investigação da Polícia Federal, a Latus Actio, em 2024. Na época, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontou movimentações suspeitas nas empresas e a Polícia Federal investigava se os recursos tinham vinculação direta com o PCC. O caso tramita sob sigilo na Justiça.

Em maio de 2025, o Ministério Público de São Paulo denunciou seis pessoas em decorrência da investigação. Segundo o MP, o dinheiro de movimentações atípicas da Love Funk “tinham origem no tráfico de drogas e outras atividades ilícitas, operadas por criminosos de alta periculosidade (incluindo condenados por roubo a banco e pelo assassinato de líderes do próprio PCC)”.

Os advogados da GR6, do empresário Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, que também foi alvo de um mandado de prisão, dizem que os valores e transações financeiras mencionados referem-se a "relações comerciais lícitas e regulares, inerentes à atividade empresarial da companhia, todas devidamente formalizadas e respaldadas por contratos e documentação fiscal".

Em nota, a defesa da Love Funk e de Henrique Viana afirmou que o homem é um “empresário respeitado nacionalmente na indústria musical. A defesa reafirma a inocência do representado que não praticou crime algum. Sempre esteve à disposição e informa que se manifestará nos autos tão logo tenha acesso integral à investigação, adotando as medidas cabíveis”.