Dono da Refit é alvo de prisão em nova operação da Polícia Federal; ação manda bloquear R$ 52 bilhões

 

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O advogado e empresário Ricardo Magro, que comanda o grupo Refit, dono da Refinaria de Manguinhos, foi alvo de prisão preventiva nesta sexta-feira. O Supremo Tribunal Federal (STF) também determinou a inclusão do nome dele na lista de difusão vermelha da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal). Ele mora em Miami, nos Estados Unidos.

As ações fazem parte da Operação Sem Refino, que investiga um suposto esquema voltado à ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior. A PF cumpre 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. A operação contou com a parceria entre PF e a Receita Federal .

Além de Magro, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) foi alvo de um mandado de busca e apreensão na Operação. Os agentes vasculharam um apartamento de Castro em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio.

Os mandados foram expedidos no âmbito da ADPF 635/RJ, a chamada A"DPF das Favelas', direcionada a combater a atuação de organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos no estado do Rio de Janeiro. O relator do caso é o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Moraes ainda determinou o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.

Quem é Ricardo Magro

O dono do grupo Refit vive em Miami desde a década passada e é citado em investigações como o maior sonegador de impostos do Brasil por ter dívidas bilionárias com estados e União. Em novembro do ano passado, o conglomerado de Magro entrou na mira da Operação Poço de Lobato, coordenada pela Receita. A investigação apontou que o grupo tem débitos fiscais superiores a R$ 26 bilhões. Segundo a Receita, as fraudes chegavam a R$ 350 milhões que eram movimentados por meio de uma rede de distribuidoras, formuladoras, postos, importadoras, fundos de investimento e empresas de fachada no Brasil e no exterior.

Em 2016, Ricardo Magro chegou a ser preso no contexto da operação Recomeço, que investigou desvios da ordem de R$ 90 milhões em dois fundos de pensão: o Petros, de servidores da Petrobras, e Postalis, dos funcionários dos Correios. Ele, no entando, acabou sendo absolvido pela Justiça posteriormente.

Paulistano de 52 anos e formado em direito, ele já atuou como advogado do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Ele ascendeu na carreira empresarial no Rio de Janeiro ao assumir o controle do conglomerado Refit em 2008. Desde então, Magro entrou em embates judiciais com o Fisco. Ele sempre negou as irregularidades e se diz perseguido por uma campanha de empresários concorrentes do setor de combustíveis.

Nos últimos meses, o magnata suspeito de dar um calote bilionário nos cofres públicos entrou na mira do governo Lula. O presidente da República passou a defender a prisão dele nos Estados Unidos em discussões com integrantes do governo de Donald Trump.

— Eu liguei para o presidente Trump, dizendo para ele que, se ele quiser enfrentar o crime organizado, nós estamos à disposição. E mandei para ele, no mesmo dia, a proposta do que nós queremos fazer. Disse para ele, inclusive, que um dos grandes chefes do crime organizado brasileiro, que é o maior devedor deste país, que é importador de combustíveis fósseis, mora em Miami. Então se ele quiser ajudar, vamos ajudar prendendo logo esse aí — disse Lula, em dezembro do ano passado.

Reportagem do Fantástico publicada em novembro de 2025 mostrou que o empresário leva uma vida de luxo em Miami, tendo como bens um iate avaliado em R$ 9 milhões e um jato de R$ 25 milhões, enquanto é acossado por investigações da Receita, Polícia Federal e Ministério Público de São Paulo.