Dona Déa: funcionários lamentam morte e destacam legado de fé, generosidade e liderança

 

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A notícia da morte da empresária e presidente do Grupo Liberal, Lucidéa Batista Maiorana, a Dona Déa, ocorrida na noite de quinta-feira (30), aos 91 anos, foi recebida com profunda tristeza e pesar por funcionários e colaboradores que conviveram com a empresária ao longo de décadas. O velório e procedimento crematório do corpo foram realizados na sexta-feira (1º), em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.


Para o jornalista Kako Barros, da Rádio Liberal FM, a trajetória de Dona Déa se confunde com a própria história profissional dele. “Ela sempre foi uma incentivadora. Quando eu comecei no rádio, falando de mensagens e orações, ela dizia como era importante levar fé e coragem às pessoas. Sempre me orientava com muito carinho”, relembra.


Ele destaca ainda a espiritualidade e a forma acolhedora com que ela se relacionava com os colaboradores. “Ela tinha serenidade, simplicidade, era muito devota de Nossa Senhora de Nazaré. Deixou um legado de perseverança, fé, amor e paz. Isso marcou a minha caminhada no rádio e na vida”, afirmou, emocionado.


A colaboradora de serviços gerais Jacira Batista também recorda com gratidão os gestos de cuidado da empresária. “Dona Déa era uma mulher maravilhosa, de coração enorme e bondoso. Sempre ajudava quem mais precisava, contribuía com igrejas, abrigos e tantas causas”, disse.


Lucidéa Batista Maiorana, a Dona Déa. (Reprodução/ redes sociais)


Entre as lembranças, ela cita momentos de convivência dentro da empresa. “Nas missas de Páscoa, Dia das Mães e nas celebrações de fim de ano, ela sempre estava presente. Era muito humana. Sou eternamente grata a ela e à família Maiorana”, declarou.


O relato mais detalhado sobre a convivência com Dona Déa vem do chefe de Produção de Conteúdo da Redação Integrada de O Liberal (regional), Jorge Ferreira, que acompanha a trajetória do grupo desde os anos 1980. Segundo ele, a presença da empresária era constante no dia a dia do jornal, especialmente no período em que a empresa ainda dava seus primeiros passos de expansão.


“Desde quando entrei, nos anos 80, ela já era muito presente. Chegava, falava com todo mundo no térreo do prédio antigo, subia para o gabinete do seu Romulo, e a gente via aquela movimentação. Era comum encontrá-la pelos corredores, conversando com os funcionários, principalmente com as mulheres da redação”, recorda.


De acordo com Jorge, Dona Déa cultivava uma relação próxima com os colaboradores, marcada pela simplicidade e pelo respeito. “Ela dava bom dia, boa tarde, perguntava como as pessoas estavam. Participava das confraternizações de fim de ano, distribuía presentes. A gente se sentia como uma família dentro do jornal”, afirma.


Ele também destaca o olhar social da empresária, que ultrapassava os limites da empresa. Um dos episódios mais marcantes, segundo ele, envolvia uma mulher em situação de rua conhecida como Dona Lúcia. “Ela vivia em condições muito difíceis. E Dona Déa sempre que a encontrava levava para receber cuidados. Depois de um tempo, ela voltava bem, arrumada, alimentada. Isso aconteceu várias vezes. Era um gesto de humanidade muito forte”, conta.


Além desse caso, Jorge lembra que eram frequentes as ações de solidariedade promovidas por Dona Déa, como a distribuição de alimentos para pessoas em situação de vulnerabilidade. “Ela ajudou muita gente, dentro e fora do jornal. Era algo natural dela”, diz.


Para ele, a empresária também teve papel decisivo na construção e continuidade do Grupo Liberal. “Ela esteve ao lado do seu Romulo desde o início, quando tudo ainda era pequeno, lá no prédio antigo. Depois que ele faleceu, ela foi fundamental para manter tudo de pé, garantindo a continuidade do trabalho com os filhos”, ressalta.


Segundo Jorge, Dona Déa era uma liderança firme, embora discreta. “Nada era feito sem a concordância dela. Ao mesmo tempo, não gostava de aparecer. Era influente, mas reservada. Sempre prezou pela união da família e pela continuidade do que foi construído”, afirma.


A religiosidade também era uma marca forte, lembra o jornalista. “Ela era muito católica, devota de Nossa Senhora de Nazaré. A gente sempre a via durante o Círio, acompanhando da sacada do jornal. Isso fazia parte da identidade dela e da própria empresa”, diz.


Para Jorge Ferreira, o legado de Dona Déa vai além da estrutura empresarial. “O que vemos hoje (jornal, televisão, portal) nasceu lá atrás, com muito esforço dela e do seu Romulo. Mas, mais do que isso, fica o exemplo de uma mulher humilde, generosa e que fez o bem para muita gente”, conclui.


Dona Déa nasceu em Monte Alegre, no oeste do Pará, em 10 de maio de 1934, e teve uma trajetória marcada pela superação. Viúva do jornalista e empresário Romulo Maiorana, assumiu a presidência do Grupo Liberal em 1986 e ajudou a consolidar um dos maiores conglomerados de comunicação da Amazônia.


Ela deixa sete filhos - Rosana, Ângela, Romulo, Rosângela, Rosemary, Roberta e Ronaldo -, além de um legado que ultrapassa o campo empresarial e permanece vivo na memória de quem conviveu com sua história.