Dona de Consul e Brastemp investe R$ 300 mi e nacionaliza 100% da produção de máquinas de lavar
A Whirlpool, dona da Consul e da Brastemp, vai nacionalizar a produção das máquinas de lavar "front-load", de abertura frontal, antes importadas da Argentina. Com a mudança, fruto de um investimento de R$ 300 milhões, as marcas líderes de mercado passam a ter 100% da oferta de lavadoras de roupa destinadas ao mercado brasileiro e de países da América do Sul fabricada no Brasil.
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A estratégia da companhia, anunciada nesta segunda-feira, começa em setembro, com a transferência da produção de lavadoras e aparelhos lava e seca da cidade de Pilar, na Região Metropolitana de Buenos Aires, para Rio Claro, no interior de São Paulo.
Segundo o grupo, a decisão decorre de uma busca por mais eficiência e produtividade. Na fábrica argentina, eram cerca de 200 funcionários numa única linha de produção de aparelhos de abertura frontal, contra quase 4 mil empregados na unidade paulista, que produz todos os demais modelos das marcas. Outros 400 profissionais adicionais devem ser contratados.
Além disso, a fábrica de Rio Claro é onde fica localizado o centro de pesquisa para lavadoras do grupo, onde cerca de 100 engenheiros trabalham no desenvolvimento de tecnologia para esses aparelhos. Para receber a produção, a fábrica paulista passou por obras de expansão.
— Enxergamos que existe uma oportunidade de otimização de custo fixo, o que pode nos ajudar a ganhar produtividade e competitividade num mercado que cresce entre 3% a 4% ao ano — destaca o engenheiro Vinicius Tokuda, vice-presidente de Cadeia de Suprimentos, SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde) e Qualidade da Whirlpool.
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O executivo destaca que, no portfólio da Whirlpool, o modelo tradicional, de abertura superior, representa 95% da demanda brasileira. Com a nacionalização da produção das de abertura frontal, e a consequente redução de custos, a expectativa da empresa é aumentar a fatia desses produtos, alcançando até 10%.
Os ganhos de eficiência e redução de custos com a nacionalização da produção, porém, não devem se traduzir em redução de preços dessas lavadoras no mercado nacional:
— (As lavadoras de abertura frontal) giram entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil. Acreditamos que esse movimento vai nos ajudar a estar muito bem posicionados nessa fatia do mercado, atuando dentro dessa faixa.
Também pesou na mudança de estratégia da Whirlpool, segundo Tokuda, a política comercial da Argentina:
— Nos pressionou bastante contra outros concorrentes, principalmente asiáticos, já que lá o mercado é totalmente aberto.
Outro fator que contribuiu na decisão do grupo para trazer para o Brasil a fabricação dessas máquinas de lavar é a tendência de redução no tamanho dos imóveis no Brasil. Como mostrou O GLOBO, uma pesquisa do DataZAP, do Grupo OLX, mostra que a mediana dos apartamentos para alugar caiu de 71 metros quadrados em 2023 para 58 metros quadrados no ano passado.
— Ainda tem um espaço de crescimento para essas máquinas. Enxergamos cada vez mais é a redução do espaço da lavanderia, o que, potencialmente, leva produtos "combo", como a lava e seca, a ocupar um espaço maior no mercado — observa o engenheiro.
