A Quantum, criada há menos de seis meses para atuar no mercado de tecnologia para supermercados, começou a executar uma estratégia de consolidação do setor com a compra da Bluesoft e da VR Software e planeja investir mais de R$ 1 bilhão nos próximos 12 meses em novas aquisições e ferramentas de inteligência artificial (IA). A Bluesoft atende redes regionais de médio e grande porte, e a VR Software, mercados locais e regionais. As duas marcas serão mantidas. Segundo a Quantum, os supermercados que usam os sistemas das duas empresas vendem cerca de US$ 25 bilhões em mercadorias. O valor corresponde às vendas das lojas clientes, não à receita do grupo. A meta, de acordo com a empresa, é superar 10 mil clientes no curto prazo. A Quantum foi criada por um grupo liderado pelo americano Jake Lovelady, que é o presidente-executivo. Entre os investidores estão André Street, cofundador da Stone, e Augusto Lins, ex-presidente da empresa de pagamentos, além de fundos como Axa, BNP Paribas, LTS, Canary, Atmos, Maya e Positive, segundo a companhia. A tese, segundo Lovelady, é que em um setor de margens apertadas, pequenos ganhos em compras, estoque, escala de funcionários e precificação pesam no lucro do supermercadista. “Para a IA ter impacto, precisa estar integrada à operação diária”, disse. Questionado sobre exemplos concretos de ganho de margem ou redução de perdas, afirmou que a empresa ainda está no início e que vai medir esses efeitos à medida que as soluções chegarem aos clientes. Os supermercados vivem um momento de vendas fracas. Em agosto, o faturamento das lojas abertas há mais de um ano subiu 0,9% em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto as unidades vendidas caíram 3,1%, segundo o Radar Scanntech, que acompanha as vendas registradas nos caixas. Como a inflação medida pela consultoria está em 3,51% em 12 meses, o setor recuou em termos reais, de acordo com o relatório. O aperto foi maior nas lojas com 1 a 4 caixas, onde os preços subiram 6,2% e as unidades vendidas caíram 5,5%, a maior baixa entre os formatos. O levantamento também mostra onde a gestão pesa no resultado. A falta de produto na gôndola caiu para 4,7% dos itens, o menor nível em nove meses, mas a fatia de itens que estão na loja e não vendem subiu 2,3 pontos percentuais em um ano, para 11,4%. Nas lojas com um a nove caixas, esse índice chegou a 12,1%, o que, segundo a consultoria, pressiona o capital das empresas com mercadoria parada. A Quantum tem mais de 500 funcionários, dos quais mais de 250 são desenvolvedores, equipe que Lovelady diz esperar ampliar “de forma expressiva”. O executivo não detalhou os próximos alvos de aquisição nem comentou a disputa com concorrentes. A empresa pretende levar a operação a outros países, mas não deu prazo. “A ambição da Quantum é global desde o início, mas agora o foco é o Brasil”, afirmou.
Hermes de Paula/Agência O Globo
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