Ídolos do k-pop se envolvem em polêmicas com símbolos nazistas
Com o k-pop indo além da Coréia do Sul e se consolidando como um fenômeno mundial, a atenção de milhões de fãs e da mídia está cada vez em cima dos idols (como são chamados os cantores do gênero). Entretanto, apesar do rigoroso treinamento que recebem nas empresas para evitar as polêmicas, os artistas não estão imunes a elas. Em alguns casos, episódios envolvendo referências ao nazismo marcam a trajetória de alguns deles, geralmente pelo uso de vestimentas, símbolos ou cenários que apresentam referências ao regime alemão do período da Segunda Guerra Mundial. Recentemente, as polêmicas voltaram à tona após um caso envolvendo o cantor sul-coreano Sehun, que postou uma foto no Instagram lendo um livro de um autor canadense ligado à extrema-direita. Jordan Peterson costuma fazer oposição ao feminismo e apoia pontos de vista consideradas racistas. Fãs criticaram a postagem e relembraram outros episódios em que astros do k-pop foram alvo de indignação após uso de imagens de regimes totalitários.
Confira abaixo os idols envolvidos nas polêmicas envolvendo o nazismo e a explicação das empresas que gerenciam as suas carreira:
Algumas polêmicas surgem com postagens dos próprios idols em suas redes sociais. Foi o que aconteceu com Sowon, integrante do GFriend, em 2021, após ela ter publicado, no Instagram, uma foto em que aparecia abraçando carinhosamente um manequim de tamanho real vestido como um soldado nazista da época da Segunda Guerra Mundial. As fotos foram feitas durante a gravação de um clipe do grupo. Anos depois, outra cantora também precisou excluir fotos da rede social: Chaeyoung, do grupo TWICE, publicou uma foto usando uma blusa que tinha uma suástica, símbolo do nazismo, na estampa, em 2023. Nas duas ocasiões, ambas as cantoras e suas empresas emitiram um pedido de desculpas pelas fotos. No caso de Chaeyoung, a cantora afirmou não saber o que seria uma suástica e o seu significado na História.
Chaeyoung (à esquerda), do TWICE, usando camisa com suástica e Sowon, do GFriend, em foto com manequim que usa uniforme de soldado alemão
Reprodução
Idols masculinos também já estiveram envolvidos nas polêmicas. Em 2018, uma foto do líder do grupo BTS, RM, tirada durante um ensaio fotográfico, mostrava uma suástica na parte da frente do chapéu. Na época, muitos fãs e críticos ficaram indignados com a imagem. O Centro Simon Wiesenthal, uma importante organização judaica de direitos humanos, criticou a foto de RM e outras imagens publicadas pela própria empresa do grupo, Big Hit, em que RM e outros integrantes do grupo, SUGA e Jin, aparecem posando no memorial do Holocausto, em Berlim (Alemanha), em 2015. Na época, o vice-reitor do Centro, rabino Abraham Cooper, disse que o grupo teria zombado do passado.
RM, do BTS, com chapéu em que aparece uma suástica na frente
Reprodução
Além do nazismo, outro integrante do BTS também esteve envolvido em uma polêmica que causou o cancelamento de uma participação do grupo em uma televisão japonesa. Isso aconteceu após a circulação de uma foto onde Park Jimin usava uma camisa que homenageava à libertação da Coreia sob domínio nipônico com a frase "PATRIOTISM OURHISTORY LIBERATION KOREA" (tradução: Patriotismo Nossa História Libertação Coreia) acompanhada de uma imagem da bomba Nagasaki explodindo. A bomba foi lançada na cidade japonesa em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial. O bombardeio aconteceu três dias após o primeiro, na cidade de Hiroshima, e causou a morte instantânea de centena de milhares de pessoas, e muitas faleceram depois em consequência de doenças causadas pela radiação.
Jimin, do BTS, usa camisa em homenagem à libertação da Coreia com imagem da bomba de Nagasaki
Reprodução
A BigHit lançou um extenso comunicado explicando os casos envolvendo os dois artistas, que ela representa: segundo a empresa, o chapéu usado por RM foi enviado junto com todo o figurino pela equipe responsável do ensaio fotográfico, e que o artista e a empresa só recebeu sem verificar possíveis polêmicas. Sobre a camisa usada por Park Jimin, a empresa disse não ter sido usada com intenção de ofender ninguém. Além disso, a empresa também afirmou que não apoia nenhuma forma de totalitarismo, incluindo o nazismo, e que erros como esses não seriam repetidos dali pra frente.
As vestimentas não são os únicos "inimigos" dos artistas sul-coreanos. Em 2022, a música "Anthem Of Them Spirit" colocou o grupo EPEX no centro de um debate envolvendo o nazismo. Após o lançamento do videoclipe da música, fãs e críticos identificaram referências diretas à Noite dos Cristais (Kristallnacht) de 1938. O episódio marcado na História mundial, aconteceu na madrugada entre 9 e 10 de novembro daquele ano, quando soldados alemães destruíram janelas e vitrines de casas e propriedades de judeus, além de ter assassinado 91 deles. Além da letra da música, alguns fãs também reclamaram da semelhança do figurino usado pelo grupo com o uniforme nazista.
Trecho da música "Anthem Of Teem Spirit", do EPEX, com referência ao nazismo
Reprodução
Em defesa, a empresa que representa o grupo, a C9 Entertainment, afirmou que a música, a letra e o videoclipe foram baseadas, principalmente, no livro "1984", de George Orwell, publicado em 1949, e não em eventos históricos reais. A empresa também pediu desculpas informou que a letra da música seria alterada.
(*) Estagiária sob supervisão de Fernando Moreira.
