Ídolo do Flamengo, Rondinelli exalta zagueiros na seleção e critica troca de Filipe Luís por Jardim: 'Não tem constância'
Autor do histórico gol do título carioca de 1978, conquistado pelo Flamengo, Rondinelli ainda mostra surpresa com a troca de treinador ocorrida nesta temporada. Após algumas semanas iniciais com a equipe apresentando desempenho decepcionante, o presidente Luiz Eduardo Baptista decidiu demitir Filipe Luís e contratar Leonardo Jardim.
Para o ex-zagueiro de 72 anos, a falta de constância ainda é um problema no futebol brasileiro, e o Palmeiras é um exemplo com o trabalho longevo de Abel Ferreira.
— Filipe Luís teve momentos memoráveis dirigindo o Flamengo, e no futebol tem que mostrar serviço constantemente. Do nada, eu sinceramente fiquei surpreso com a saída. Mas é o que está acontecendo no futebol brasileiro. Não tem constância — disse Rondinelli, que visitou a "Biblioteca A Casa Amarela", na estação do metrô, na Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro.
— Um dos grandes treinadores que trabalhou conosco naquela fase maravilhosa (no final da década de 1970 e início da década de 1980) foi Cláudio Coutinho. A única equipe que mantém regularidade é o Palmeiras, com o português (Abel) no trabalho fazendo a diferença.
Rondinelli, camisa 3 do Flamengo, vendo a bola alcançando as redes do Maracanã
Eurico Dantas / Agência O Globo / 03-12-1978
Apelidado de "Deus da Raça" pela torcida do Flamengo, Rondinelli projetou a participação da seleção brasileira na Copa do Mundo, e elogiou bastante a convocação da dupla de zagueiros do rubro-negro, Léo Pereira e Danilo. Porém, o ex-jogador não disse estar muito confiante em um Mundial "brilhante", e mostrou insatisfação com o fato de a lista final de Carlo Ancelotti contar com uma maioria de jogadores que atuam fora do Brasil.
— (Léo e Danilo) são dois grandes profissionais. E vamos lá, esperar que a seleção brasileira faça uma brilhante Copa do Mundo... eu não acredito. Mas a convocação dos dois é bem positiva. Léo Pereira está numa fase boa. O Danilo é polivalente. Onde colocar, tem desempenho — elogiou.
O zagueiro Léo Pereira em treinamento na Granja Comary
Marcelo Theobald/Agência O Globo
— O Ancelotti, dentro do seu conhecimento e experiência, está convocando os melhores. Mas eu deixo uma opinião minha: na seleção brasileira, eu convocaria jogadores que atuam no Brasil. Os que estão na Europa, voando o mundo, estão com a vidinha arrumada, não tem compromissos no Brasil. Tem compromissos com o futebol onde atuam, na Arábia Saudita, Europa... mas, dentro do Brasil, eu conseguiria fazer três seleções com craques que estão despontando. Aí eu vejo que é uma seleção brasileira mesmo — ponderou Rondinelli.
Além disso, o ídolo rubro-negro também criticou que a seleção brasileira tenha um estrangeiro como treinador. Rondinelli exaltou Ancelotti, mas disse que ele precisa treinar a Itália.
— O treinador de uma seleção brasileira, como a italiana, tem que ser do país dele. Aqui, tem muitos que poderiam ter uma oportunidade de dirigir a seleção brasileira. Ele é excelente treinador, mas lá na Itália. Aqui, eu botaria treinadores brasileiros. A maioria dos treinadores brasileiros foram campeões mundiais — garantiu o "Deus da Raça".
