Dólar sobe mais de 1% e chega a R$ 5,30. Petróleo não dá trégua e avança a US$ 102
O dólar comercial opera em forte alta nesta sexta-feira, refletindo a escalada de tensões com a guerra no Irã. Pouco depois das 15h, a moeda americana estava em alta de 1,20% frente ao real, a R$ 5,3052. A Bolsa operava nas mínimas do dia, com o Ibovespa recuando 0,62%, para 178.175 pontos.
No exterior, o petróleo segue em alta e avançava 1,68%, com o barril do tipo brent sendo negociado a US$ 102,11. A alta ocorre mesmo após o presidente americano Donald Trump ter autorizado uma nova leva de compra de petróleo russo. E dois dias depois de os países ricos terem liberado 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas, ou um terço do total.
Este ano, o petróleo já acumula alta de 65%.
Na Bolsa brasileira, as ações da Petrobras operam em leve queda, de 0,62%. A estatal anunciou nesta sexta-feira um reajuste de 11% no preço do diesel, um dia após o governo Lula ter lançado uma série de medidas para conter a alta dos combustíveis. O pacote do governo prevê a isenção de impostos federais e uma subvenção a produtores e importadores de diesel.
O presidente Donald Trump ameaçou o Irã com novos ataques, enquanto o secretário de Defesa Pete Hegseth disse que a sexta-feira marcou os maiores ataques até agora contra a República Islâmica, com a aliança EUA-Israel atingindo cerca de 15 mil alvos desde o início da guerra. Hegseth também afirmou que o novo líder do Irã, Mojtaba Khamenei, foi ferido e está “provavelmente desfigurado”.
Além disso, Trump disse que os EUA têm iranianos vivendo no país “sob vigilância”, em meio a novas preocupações sobre o potencial de terrorismo doméstico durante a guerra com o Irã.
— Em um horizonte de curtíssimo prazo, o mercado provavelmente continuará sendo guiado por manchetes — disse Matt Maley, da Miller Tabak. — Portanto, se virmos qualquer tuíte relevante do presidente Trump, seja otimista ou pessimista, isso deve ter um impacto significativo no mercado hoje.
As ameaças surgem depois que tanto Donald Trump quanto Ali Khamenei adotaram tons desafiadores na quinta-feira. Khamenei indicou que o Irã buscaria garantir que o Estreito de Ormuz permanecesse fechado. Trump, por sua vez, disse que impedir o Irã de possuir armas nucleares e de ameaçar o Oriente Médio é de “maior interesse e importância” para ele do que o custo do petróleo.
A atenção agora se volta para a reunião do Federal Reserve na próxima semana, quando se espera que as autoridades mantenham as taxas de juros inalteradas. Essa previsão já existia antes dos acontecimentos mais recentes no Oriente Médio.
A combinação da disparada dos preços do petróleo com preocupações no mercado de crédito privado está fazendo com que a atividade do mercado se assemelhe ao período que antecedeu a crise financeira global, disse Michael Hartnett, estrategista do Bank of America Corp.
Hartnett observou que o desempenho dos ativos neste ano tem estado “de forma preocupante mais próximo” do comportamento de preços observado entre meados de 2007 e meados de 2008.
