Dólar recua frente ao real após ‘payroll’ surpreendente

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Fonte da notícia: Valor Valor

O dólar à vista exibiu desvalorização frente ao real nesta sexta-feira (7), em um movimento alinhado ao que se observou na maioria dos mercados mais líquidos. A moeda americana já apresentava fraqueza na abertura das negociações, mas a dinâmica ganhou tração após dados mais fracos na geração de empregos nos Estados Unidos. Apesar da queda, o real seguiu distante das melhores moedas do dia. Terminadas as negociações, o dólar à vista fechou em queda de 0,46%, cotado a R$ 5,0835, depois de ter tocado a mínima de R$ 5,0740 e a máxima de R$ 5,1035. Na semana, o dólar avançou 0,27%.

Perto das 17h05, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,37%, aos 99,562 pontos. Desde o começo das negociações de hoje o dólar apresentou viés de queda, embora o movimento tenha ganhado consistência após a divulgação de dados mais fracos na geração de empregos nos Estados Unidos em julho. O movimento inicial na reação foi de dólar muito mais fraco do que o observado, mas a resposta foi sendo gradativamente calibrada. O analista da Stonex Leonel Oliveira Mattos diz que a avaliação que predominou foi de um mercado de trabalho mais fraco, o que reduz a necessidade de apertar ainda mais a política monetária para combater a inflação ou, no mínimo, torna essa decisão mais complexa, já que novas altas de juros poderiam agravar o enfraquecimento da atividade e do emprego. “Com a redução das expectativas de alta de juros pelo Fed, observamos uma queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, o que reduz a atratividade dos ativos dos Estados Unidos para o capital internacional. Esse movimento enfraquece o índice do dólar (DXY), e o real acompanha essa tendência de perda de força da moeda americana, gerando pressão baixista sobre a taxa de câmbio.” O TS Lombard, por sua vez, diz que os dados vieram fracos, mas não alteram a visão da casa sobre o mercado de trabalho dos EUA. “A tendência subjacente do emprego permanece positiva e ligeiramente acima do nível de equilíbrio, porém em um ritmo tão baixo que oscilações setoriais relativamente pequenas podem provocar grandes variações nos números globais”, dizem Alexandros Xenofontos e Dario Perkins, em nota. “Portanto, o ritmo de contratações ainda não é suficiente para gerar um aperto significativo adicional no mercado de trabalho, o que reduz a urgência de o Fed elevar as taxas de juros. Mantemos a expectativa de aceleração do crescimento do emprego ao longo do segundo semestre, ao passo que a decisão de setembro dependerá cada vez mais dos dados de inflação.” Também pela manhã, o presidente da distrital de Richmond do Federal Reserve (Fed), Tom Barkin, disse que o “payroll” mostrou bem como está o mercado de trabalho, em um “balanço frágil”. O dirigente ainda afirmou que não enxerga pressões inflacionárias vindas dos salários. As declarações não chegaram a mudar a direção do mercado, mas podem ter dado respaldo para que o dólar continuasse com dificuldade de retomar força.

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