Dólar hoje avança diante de cenário adverso no exterior e testa os R$ 5

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Fonte da notícia: Valor Valor

O dólar à vista opera em alta nesta quarta-feira (7), com o otimismo dos investidores em relação ao cenário local sendo contido pelos ventos externos menos favoráveis. Hoje os agentes buscam por ativos mais seguros, o que fortalece o dólar globalmente e faz os rendimentos dos Treasuries de longo prazo nos Estados Unidos avançarem, com o retorno do papel de dez anos chegando às máximas de 24 anos. O real segue pressionado, mas não está entre as moedas mais desvalorizadas do dia. A divisa americana chegou a superar o patamar de R$ 5,00 ao longo da manhã, mas voltou a operar abaixo disso. Perto das 13h25, o dólar à vista avançava 0,43%, a R$ 4,9970, depois de ter batido na mínima de R$ 4,9820 e ter ido à máxima de R$ 5,0095. Já o euro comercial recuava 0,18%, aos R$ 5,5925. No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, apreciava 0,44%, aos 102,282 pontos. O dólar avança desde o começo do pregão desta quarta-feira, acompanhando a dinâmica global, de menor apetite por ativos de risco. Pedro Figueiredo, trader de câmbio da Hedgepoint, aponta em nota a clientes que o dia hoje é marcado pelo petróleo Brent voltando a operar acima de US$ 101 com ataques dos houthis à Arábia Saudita e combates perto do Estreito de Bab el-Mandeb, rota que ganhou peso com Ormuz fechado. “Há ainda uma tempestade a caminho de áreas produtoras nos EUA. Para o real, o petróleo em alta ajuda pelos termos de troca e amortece parte do risk-off [aversão a risco]; hoje, porém, o canal do dólar global e dos juros americanos pesa mais.” Pela manhã, Figueiredo projetava um viés levemente altista e tático para a moeda americana no Brasil, puxada pelo dólar global e pelos juros americanos antes da divulgação da ata do Federal Reserve (Fed), que deve ocorrer esta tarde. “Parte da alta da manhã tende a ser ‘hedge’[proteção] pré-ata, que pode ser desmontado se o documento não trouxer surpresa.” Para o profissional, o câmbio à tarde deve rondar o patamar de R$ 4,98 e R$ 5,04 por dólar. “Tom de novas altas [de juros pelo Fed] tende a levar o dólar ao topo do range; sem surpresa, espaço para desmonte do hedge montado ao longo do dia.” Matheus Zani, gestor de risco de moedas da Deaglo diz, em nota, que o primeiro turno das eleições tornou o "hedge” cambial mais barato. Segundo o profissional, com a reprecificação do mercado de juros e câmbio em 48 horas pós-eleição, o custo do ‘carry’ anualizado caiu de 7,11% para 6,60% (para 1 ano) e de 7,28% para 6,27% (para 2 anos). “O mercado vem precificando, de forma crescente, maior disciplina fiscal, taxas de juros reais mais baixas e um real mais forte. Isso poderia abrir espaço para uma queda mais rápida da taxa Selic em 2027.”

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