Após a festa, vem a ressaca. E na manhã desta segunda-feira (26/10), ela veio com força nos principais ativos da bolsa brasileira e no câmbio, que já na abertura sentiu o impacto do choque de expectativas da maioria dos investidores.
Os agentes apostavam majoritariamente em uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito com uma diferença de mais de 4 milhões de votos, mesmo tendo ficado atrás no primeiro turno, três semanas antes.No mercado cambial, o dólar comercial, que até a semana anterior operava abaixo dos R$ 5, voltou a ficar acima de R$ 5,60 na abertura do dia.
Com isso, a moeda norte-americana iniciou com alta de 12% na primeira hora da sessão, e depois recuou para um avanço de 9% por volta das 11h (horário de Brasília).Leia também: Mercado frustrado com derrota Flávio deve reagir negativamenteUm levantamento da Elos Ayta Consultoria aponta que oito das 10 maiores valorizações diárias do dólar desde o início do Plano Real, em junho de 1994, ocorreram durante a crise cambial de 1999 ou após o subprime de 2008, que contaminou as cotações em todo o mundo.
A maior alta da série ocorreu em 15 de janeiro de 1999, quando a moeda americana avançou 11,1% em um único dia.O movimento de alta do dólar é reflexo de uma reprecificação de ativos dos investidores, que projetavam uma vitória de Flávio após ele ter saído na frente com a vitória do primeiro turno.
No mercado preditivo, até o momento antes da votação, as principais bolsas de apostas indicavam uma mudança de governo e, consequentemente, de equipe econômica. A vitória de Lula, no entanto, faz os agentes mudarem as projeções tanto de trajetória de juros e preços, quanto no âmbito fiscal.Leia também: Reeleição de Lula derruba ativos brasileiros no exteriorAlém da moeda norte-americana, os juros futuros também saltaram na manhã desta segunda-feira em toda a curva.
O crescimento das taxas DI após a abertura já fazem investidores projetarem um novo aumento da Selic na próxima reunião de novembro. Atualmente, a taxa está no patamar de 13,75% ao ano.
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Correio Brazilliense