Dois pedreiros são mortos durante operação da PM em São Gonçalo; circulação de ônibus chegou a ser suspensa no Jardim Catarina
Dois pedreiros — identificados como Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, e Edivan Felipe de Assis, de 46 — foram mortos a tiros pela Polícia Militar na manhã desta quarta-feira no Jardim Catarina, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Testemunhas relatam que as vítimas eram trabalhadores e estavam com ferramentas e marmitas. Em resposta, protestos fecharam pistas da BR-101 e da RJ-104, rodovias que passam no entorno da região, mas as vias já foram reaberta. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), que realizou perícia no local.
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De acordo com a TV Globo, os agentes teriam confundido os equipamentos usados pelas vítimas com uma arma. Como consequência, desde a manhã, o tráfego na BR-101, na altura do KM 306, foi afetado por conta de um protesto. Pneus chegaram a ser atravessados na pista e foram incendiados por volta das 9h20. Cerca de duas horas depois, a Polícia Rodoviária Federal informou que o trânsito foi totalmente liberado, mas um novo tumulto ocorreu no início da tarde, momento em que balas de borracha chegaram a ser disparadas para dispersar o grupo.
Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, um dos mortos em São Gonçalo
Reprodução
Homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope), do 7º BPM (São Gonçalo) e da Polícia Rodoviária Federal reforçam o policiamento na BR-101, no trecho de Jardim Catarina. Uma faixa da RJ-104 também foi ocupada por populares.
Pelo menos três coletivos foram usados como barricadas, segundo a Federação das Empresas de Mobilidade do Estado do Rio (Semove). Três linhas intermunicipais de ônibus tiveram os trajetos desviados, enquanto outras nove municipais tiveram a circulação suspensa no Jardim Catarina por determinação da PM, conforme informado por Semove e prefeitura de São Gonçalo. À tarde, a operação dos coletivos foi retomada de forma gradativa: "as empresas operam com extrema cautela para garantir o atendimento à população, mantendo o monitoramento constante das condições de segurança nas vias", atualizou a Semove.
Em entrevista à TV Globo, a tenente-coronel Cláudia Moraes, porta-voz da PM, afirmou que a perícia irá esclarecer as circunstâncias das mortes — "qual era a distância, o que o policial poderia ter visto naquela situação" —, mas a policial destacou que as câmeras corporais usadas pelos agentes serão importantes na averiguação. A operação na região, segundo ela, ocorreu para apoiar uma empresa de telefonia, que precisaria entrar em área conflagrada para remover duas torres.
— Toda a transparência em relação a esse caso será dada tanto pela Polícia Civil (que investiga o caso), como pela Polícia Militar — afirmou a porta-voz da Polícia Militar, garantindo que o policiamento será reforçado no entorno do Jardim Catarina, mas que ainda está sendo estudada a permanência na área conflagrada. — A ocupação vai ter que ser avaliada pelos setores operacionais da corporação.
Protesto chegou a fechar a BR-101
Reprodução / TV Globo
Armas apreendidas e câmeras requisitadas
Em nota, a PM, por meio do 7º BPM (São Gonçalo), afirma que "um procedimento apuratório segue em curso para averiguar todas as circunstâncias". A corporação reconhece que "policiais militares atingiram dois homens em uma motocicleta, durante ocupação na localidade de Ipuca", mas"lamenta a morte do Marcelo da Cruz Silva e do Edivan Felipe de Assis e ressalta que preza pela transparência de suas ações colaborando integralmente com as investigações do caso".
Já a Polícia Civil, que solicitou as imagens das câmeras corporais dos policiais militares envolvidos na ação, informa que as armas usadas pelos agentes já foram apreendidas e vão passar por confronto balístico. Os agentes testemunhas serão ouvidos na DHNSG. Os corpos de Edvan e Marcelo foram encaminhados para o Instituto Médico-Legal, onde serão periciados.
O caso também é acompanhado pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que expressa "extrema indignação", já que "as informações divulgadas até agora apontam que os trabalhadores foram confundidos com criminosos enquanto carregavam ferramentas de trabalho e marmitas".
