Dois ex-agentes do FBI são acusados na Justiça de terem mentido sobre computador de filho de Biden

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Dois ex-agentes de inteligência do FBI, a polícia federal americana, foram formalmente acusados nesta sexta (23) de terem mentido em seus depoimentos ao Congresso sobre a investigação do laptop de Hunter Biden, filho do ex-presidente Joe Biden, durante a campanha eleitoral de 2020.

Os agentes Nikki Floris e Bradley Benavides, especializados em interferência estrangeira em eleições, fizeram suas primeiras aparições em um tribunal federal em Washington, onde respondem às acusações, segundo a agência Associated Press. O Departamento de Justiça formalmente acusa os agentes de terem mentido em depoimento ao Congresso em 2023 sobre o envolvimento de uma força-tarefa especializada em influência estrangeira nas investigações do caso de Hunter Biden e também sobre o conhecimento do laptop do filho do ex-presidente.

Os advogados dos agentes têm pressionado para que uma audiência seja realizada em breve, para que possam contestar as acusações. Ainda segundo a ABC, Floris seria uma "patriota" que "serviu a nação como uma dedicada oficial de inteligência do FBI por quase 20 anos".

"Apesar disso, o Departamento de Justiça a acusou falsamente de um crime com base no diz-que-me-diz de políticos, não nos fatos. Não é coincidência que o governo esteja fazendo estas acusações sem sentido agora, anos dois, às vésperas de uma eleição", diz o comunicado de seus advogados à imprensa americana.

Os EUA passam por suas chamadas "eleições de meio de mandato", em que são escolhidos os parlamentares e chefes do executivo de cada estado, no próximo dia 3 de novembro. Diversas medidas judiciais que envolvem diretamente ou indiretamente o resultado das urnas têm tomado conta do noticiário americano nas últimas semanas.

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SAUL LOEB / AFP Durante a disputa presidencial de 2020, em que Biden levou a melhor, o jornal The New York Post publicou conteúdos de um computador que teria sido deixado por Hunter Biden em uma loja de reparo sem Wilmington, no estado de Delaware.

Na época, o jornal disse ter obtido o hard drive do então aliado de Trump e ex-prefeito de Nova York, Rudy Giuliani. Foram encontrados no computador documentos que provavam crimes contra o fisco e porte ilegal de armas, pelos quais Hunter Biden foi condenado, mas recebeu o perdão presidencial do seu pai ao fim de seu mandato, em 2024.

No entanto, o achado foi extremamente polêmico, não só porque afetava a imagem da família do adversário de Trump nas urnas, mas porque levantou suspeitas tanto por parte de democratas quanto de republicanos de que haveria um envolvimento da inteligência russa nas eleições americanas, com o intuito de favorecer Trump.

Giuliani especificamente teria viajado ao exterior para conseguir "ajuda" para levantar informações suspeitas sobre a família Biden, segundo o jornal britânico The Guardian. Os dois agentes Floris e Benavides lideravam a já desmantelada Força-Tarefa de Inteligência Estrangeira (FITF, na sigla em inglês) quando o laptop foi descoberto e agora enfrentam a Justiça por terem afirmado, em depoimento ao Congresso, que a FITF não estava envolvida em quaisquer investigações sobre Hunter Biden.

Mensagens da época, no entanto, provam o contrário de acordo com a queixa apresentada contra eles. A FITF foi formada no primeiro governo de Trump (2017-2021) com o objetivo de investigar campanhas de outros países para influenciar os resultados eleitorais ou espalhar desinformação nos EUA.

No entanto, sua atuação se tornou alvo de críticas dos próprios republicanos no Congresso e, por isso, ela foi desmantelada no segundo governo Trump, em fevereiro de 2025. Apesar de indicado pelo atual presidente, o atual diretor do FBI, Kash Patel, tem feito esforços de revisar e investigar antigas operações de alta visibilidade da agência — uma medida popular entre a base conservadora de apoiadores de Trump.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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