Dois anos sem jogar, sete minutos para abalar a Inglaterra: conheça Brian Cipenga, autor do gol da RD do Congo
Brian Cipenga precisou de apenas sete minutos para apresentar sua história à Inglaterra.
Escalado pela primeira vez como titular em uma Copa do Mundo, o atacante aproveitou uma falha da defesa inglesa e bateu Jordan Pickford para abrir o placar nas oitavas de final, em Atlanta.
Foi o primeiro gol do jogador de 28 anos pela seleção da República Democrática do Congo — e justamente diante de uma das favoritas ao título.
A rapidez do lance contrasta com a demora de sua carreira para decolar.
Nascido em Kinshasa, Cipenga cresceu em uma família de poucos recursos e chegou a Portugal ainda jovem para tentar viver do futebol.
No início da trajetória europeia, porém, perdeu o passaporte, deixou o visto vencer e passou cerca de dois anos sem poder ser inscrito nem disputar partidas, período que coincidiu com a pandemia.
Quando conseguiu voltar aos campos, não havia atalhos.
Cipenga passou por Boavista B, Freamunde, Famalicão sub-23, Sporting Ideal, Anadia e Vilaverdense antes de alcançar a Segunda Divisão portuguesa com o Paços de Ferreira.
Baixo, veloz e destro, fez da ponta esquerda o seu caminho de subida: recebeu a bola longe das grandes vitrines e foi avançando clube por clube, divisão por divisão.
O salto para a Espanha ocorreu em 2024, quando foi contratado pelo Castellón.
Depois de duas temporadas de destaque na Segunda Divisão, acertou durante a Copa uma transferência sem custos para o Almería, com contrato por três anos e opção de renovação.
Antes mesmo do gol contra a Inglaterra, já havia deixado seu cartão de visitas no Mundial: na estreia diante do Uzbequistão, completou seis dribles, segunda maior marca de um jogador em uma partida da fase de grupos.
Cipenga também chegou tarde à seleção.
A primeira convocação veio apenas em outubro de 2025, quando já tinha 27 anos, como substituto de um jogador lesionado.
Menos de nove meses depois, estava em campo no primeiro mata-mata da história da RD Congo e fazia o país sonhar contra a Inglaterra.
Para quem já passou dois anos esperando autorização apenas para voltar a jogar, sete minutos foram mais do que suficientes para mudar de vida.
