Dois anos depois, mãe reencontra filha levada de hospital ainda recém-nascida no início da guerra em Gaza
Uma mãe reencontrou a filha após mais de dois anos de separação, depois que a criança foi evacuada ainda recém-nascida durante o início da guerra em Gaza. A menina faz parte de um grupo de pelo menos oito crianças que voltaram do Egito e se reuniram com suas famílias.
Vídeo: Exército dos EUA investiga voo de helicópteros sobre mansão de cantor Kid Rock
Sinais de asfixia e fratura craniana: Pai é acusado de matar bebê de 11 meses enterrado vivo nos EUA
Os bebês estavam entre mais de 30 recém-nascidos gravemente doentes retirados do hospital Shifa, em Gaza, em novembro de 2023, durante intensos combates. À época, o hospital havia sido ocupado por forças israelenses, que afirmaram que o local era utilizado pelo Hamas.
Sundus al-Kurd aguardava o reencontro com a filha, Bisan, e descreveu o momento como uma mistura de sentimentos. Ela contou à rede BBC que estava “dividida entre o medo e a alegria” e temia não ser reconhecida após o longo período de separação.
Busca por informações
Durante a ocupação do hospital, Sundus tentou retirar a bebê, mas foi informada de que a criança não poderia sair da incubadora. Seguiu-se um período de quase um ano sem informações sobre o paradeiro da filha.
— Vivi entre o desespero e a esperança de que minha filha ainda estivesse viva. Meses depois, ouvimos nas notícias que bebês prematuros haviam morrido no Shifa. Eu olhava as fotos tentando sentir, como mãe, se aquela poderia ser minha filha ou não — contou à rede BBC.
A confirmação de que Bisan estava viva veio quase um ano depois. A criança havia sido levada para um hospital de campanha no Egito e foi identificada por uma pulseira rosa colocada após o nascimento. Ao receber a notícia, Sundus descreveu a sensação como "um sonho”.
Antes disso, ela já havia perdido outro filho, além dos pais e do irmão.
Retorno em meio a cessar-fogo e cenário incerto
O retorno das crianças ocorre no contexto de um cessar-fogo em Gaza, imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e é descrito como um resultado limitado do acordo.
Seis meses após o cessar-fogo, o futuro do território permanece indefinido. Gaza está dividida, com cerca de metade sob controle temporário de forças israelenses e outra parte sob domínio do Hamas, onde vive a maior parte da população. O cenário ainda é marcado por destruição.
O plano em discussão prevê a reconstrução do território e a retirada das forças israelenses, condicionadas ao desarmamento do Hamas, sem avanços significativos até o momento.
O ex-diplomata Nickolay Mladenov afirmou que a situação envolve uma escolha entre “uma nova guerra ou um novo começo”, e um funcionário palestino próximo ao Hamas indicou que o grupo pode rejeitar propostas de desarmamento.
