Doença silenciosa, osteoporose é uma das principais causas de mortalidade entre a população idosa

 

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Fraqueza nos ossos, falta de força e dor. Estes foram alguns dos sintomas que a professora aposentada Lucimir Bento, de 82 anos, sentiu há dez anos atrás. Preocupada, ela procurou atendimento com uma médica reumatologista, especialidade voltada ao diagnóstico de doenças que afetam o sistema musculoesquelético do corpo humano, como articulações e ossos, por exemplo. Depois do exame de densitometria óssea, veio o diagnóstico: osteoporose no fêmur esquerdo e na coluna.


Mais de 10 milhões de pessoas no Brasil possuem a doença, de acordo com a Fundação Internacional de Osteoporose. Segundo a médica reumatologista Julimar Benedita, de Belém, a osteoporose é a principal doença que afeta o metabolismo dos ossos. “É uma doença que acomete principalmente mulheres pós-menopausa, e se caracteriza por redução da massa óssea, o que predispõe a fraturas a mínimo trauma”, diz.


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A osteoporose se associa com o processo natural de envelhecimento e também com a redução dos níveis de estrogênio no corpo feminino para além dos índices normais. O quadro predispõe o surgimento de fraturas, por conta da perda de massa óssea, e, a partir do processo, pode ocorrer a invalidez. 


“Por conta disso, traumas como queda da própria altura, tossir, abraçar, levantar peso podem afetar. Às vezes a fratura de vértebra é silenciosa, a pessoa só descobre porque perdeu 4 cm de altura”, explica a médica.


Segundo o Ministério da Saúde, existem outras causas que podem favorecer o surgimento do quadro:


Doenças endócrinas, como diabetes ou hiperparatireoidismo;

Deficiência de cálcio e/ou vitamina D;

Sedentarismo;

Menopausa;

Alimentação inadequada;

Tabagismo;

Anorexia nervosa;

Alcoolismo;

Uso de alguns tipos de medicamentos;

Deficiência na produção de hormônios.


Mudanças


Com a descoberta do quadro, a aposentada Lucimir precisou mudar completamente a rotina. Ela iniciou com a medicação e reposição de cálcio, além de incluir o mineral na alimentação, por meio da ingestão de leite e derivados. Além disso, também fez a reposição de vitamina D, que é indispensável para a absorção de cálcio no intestino.


Mesmo com o diagnóstico tardio, é possível ter uma melhora no quadro. (Foto: Ivan Duarte | O Liberal)


“Todo ano faço a densitometria óssea. Hoje tenho um personal e faço exercícios de força, de impacto, caminhada e corrida, tudo na academia do meu prédio”, conta Lucimir. Antes de começar a praticar exercícios com frequência, a aposentada sentia muito cansaço e desânimo. Depois, ela conta que percebeu um aumento da força e resistência, e agora consegue subir e descer escadas sem problemas, além da melhora da autonomia.


Ao obter o diagnóstico de osteoporose, muitas pessoas se assustam, já que o quadro é silencioso e aos poucos enfraquece os ossos conforme o envelhecimento. Mesmo com o diagnóstico tardio, é possível ter uma melhora no quadro. 


“Eu aconselho as pessoas, porque fiz esse tratamento tardiamente. Aconselho que as pessoas comecem, principalmente as mulheres, a fazer o acompanhamento médico antes dos 40 anos. A menopausa é uma das causas do enfraquecimento do estrogênio e aí já viu, tem que fazer reposição hormonal, às vezes a mulher não se dá bem e ela tem que recorrer à medicação, à boa alimentação e fundamentalmente ao exercício físico”, aconselha Lucimir Bento.


Ossos enfraquecidos


A osteoporose é uma doença que não causa sintomas até que algum osso seja quebrado, já que os ossos não possuem nervo de dor. Em muitos casos, o paciente só descobre a doença na densitometria óssea ou quando ocorre alguma fratura. Apesar da maior prevalência em mulheres, os homens também podem sofrer com o quadro, que pode ter como causa hipogonadismo (disfunção nos testículos), consumo de álcool e uso de corticoides.


“Existe o osso normal. Com a perda de massa óssea, que é lenta e gradual, ele pode se tornar osteopênico. Se nada for feito, se torna osteoporose, que pode culminar em fratura, seja no punho, seja na coluna ou no fêmur”, destaca a médica Julimar. No caso da bacia, a fratura neste local é uma das mais graves, pois pode causar incapacidade, perda da independência e invalidez. 


O risco de fratura é calculado com o uso de um instrumento chamado FRAX, uma ferramenta da OMS que estima a probabilidade de fratura maior osteoporótica e fratura de fêmur nos próximos dez anos. “O FRAX é um exame epidemiológico de rastreio baseado em determinadas perguntas, se a pessoa tem doença, se não tem. É uma forma de calcular o risco”, explica Julimar.


Já o rastreio com a densitometria óssea é feito em mulheres no pós-menopausa. “Agora homens, depende, porque eles têm a testosterona por mais tempo. No caso de uma pessoa que diz que escorregou e quebrou o fêmur, para essa pessoa, não é preciso pedir densitometria, porque ela já tem osteoporose estabelecida através da fratura ao mínimo trauma”, informa.

Outros exames, como dosagens laboratoriais, por exemplo, também podem ser solicitados pelo médico e fazem parte do protocolo de diagnóstico da osteoporose.


Veja a lista de dicas para prevenir a osteoporose


Fazer densitometria óssea ao entrar na menopausa, no caso de mulheres, e ao completar mais de 70 anos, no caso de homens.

Tomar sol por 15 minutos nos braços ou pernas, 3x por semana, antes das 10h ou depois das 15h, para auxiliar na absorção de vitamina D. Sem ela, o cálcio não é absorvido corretamente.

Incluir três porções de cálcio por dia na alimentação. Ex: 1 copo de leite + 1 fatia de queijo + 1 iogurte. Outras opções são: couve, queijo do Marajó e castanha-do-pará, além de farinha de casca de ovo.

Ingerir a medicação corretamente, conforme a orientação do médico. 

Priorizar atividades físicas com peso, como musculação, agachamento e atividades que exigem força de duas a três vezes por semana.

Organizar a casa para evitar quedas, priorizando evitar a fratura de fêmur, considerada a mais grave: 1 em cada 5 idosos morre em 1 ano depois dela e metade não volta a andar sozinho. É preciso retirar os tapetes da casa, inserir barra no banheiro, acender luz à noite e ter cuidados com a vista.


Fonte: Julimar Benedita Gomes de Oliveira, médica Reumatologista e membro da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso).


*Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Fabiana Batista, coordenadora do Núcleo de Atualidades