Câncer de mama e câncer de próstata estão entre os tumores mais frequentes no Brasil. Por isso, cada fator que possa ter relação com eles desperta interesse, e a saúde da gengiva entrou nessa lista.
Revisões que juntaram estudos de observação analisaram a ligação entre a periodontite, a inflamação crônica da gengiva e dos tecidos que seguram os dentes, e esses dois cânceres. Para o câncer de mama, uma análise de 2018 reuniu oito estudos, com cerca de 168 mil participantes, e encontrou risco 18% maior entre pessoas com doença na gengiva.
Os estudos tiveram resultados parecidos entre si, o que dá consistência ao achado. Para o câncer de próstata, uma revisão de 2021 reuniu sete estudos, com cerca de 294 mil participantes, e encontrou risco 17% maior.
Outra análise do mesmo ano, publicada em uma revista brasileira de urologia, chegou a um valor ainda mais alto, de 40%. Aumentos modestos, mas consistentes
Aumentos de 17% e 18% são considerados modestos em estudos de saúde populacional. O que chama atenção é a regularidade: a margem de incerteza não inclui a ausência de efeito, e os resultados se repetem em pesquisas independentes.
São dados que mostram associação; fatores como cigarro, idade e obesidade pesam nas duas condições e entram nos cálculos dos pesquisadores. Uma observação que anima os pesquisadores
Um dos estudos sobre próstata notou que a associação perdia força no grupo que tinha feito tratamento da gengiva. É uma observação secundária, que ainda precisa ser testada de forma específica, mas aponta um caminho promissor para as próximas pesquisas.
Nada aqui substitui os exames de rastreamento de mama e de próstata indicados pelo médico. Cuidar da gengiva é parte de um cuidado mais amplo com a saúde.
Sangramento, retração da gengiva e dentes que amolecem pedem avaliação de um cirurgião-dentista, que define a conduta caso a caso. Dr.
Fernando Costa Jr. Cirurgião-dentista — CRO-SP 38692.
Pioneiro no uso do laser Fotona na odontologia brasileira.
O Globo