Documentos mostram que supermodelo Naomi Campbell deu acesso a eventos de moda e da alta sociedade a Epstein

 

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Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) mostram que a supermodelo britânica Naomi Campbell deu a Jeffrey Epstein acesso a festas da alta sociedade e importantes eventos de moda. O material documenta o início e o fim da amizade entre os dois.

O pedófilo condenado e Naomi conversaram por telefone, se encontraram pessoalmente e até se convidaram mutuamente para festas ou jantares que organizavam, de acordo com os documentos, que fazem referência a comunicações trocadas diretamente entre os dois e/ou seus respectivos assistentes.

Entre os eventos para os quais a top model convidou Epstein estavam sua festa de aniversário de 2004, em Saint-Tropez (França), uma festa na grife Dolce & Gabbana em Paris para comemorar os seus 25 anos de contrato com a marca e um evento da NEON — uma instituição de caridade criada supostamente para "beneficiar programas de saúde e educação infantil em toda a Rússia" — que ela co-organizou com Dasha Zhukova, então esposa do bilionário russo Roman Abromovich, em Moscou.

Os convites para os eventos de Paris e Moscou foram enviados em 2010, apenas um ano depois de Epstein ter sido libertado da prisão após se declarar culpado de aliciar uma menor, destacou a revista "People".

Um membro da equipe de assessores de Naomi escreveu em e-mail compartilhando detalhes da festa da Dolce em Paris: "Estarei na porta se houver algum problema". Já o evento em Moscou ocorreu enquanto Epstein ainda estava em prisão domiciliar e era para a NEON — uma instituição de caridade criada para "beneficiar programas de saúde e educação infantil em toda a Rússia" —, de acordo com o convite.

Em janeiro de 2016, segundo e-mails entre Epstein e uma pessoa não identificada, Naomi solicitou o uso do jato particular de Epstein para viajar a Miami. Epstein recusou o pedido.

A maioria dos arquivos que mostram a relação entre o financista, encontrado morto em prisão de Nova York em 2019, e Naomi divulgados pelo DOJ consiste em listas de contatos, agendas e e-mails.

Todos os três eram mantidos pelos assistentes de Epstein, que, nesse período, incluíam Sarah Kellen e Lesley Groff.

"Por favor, ligue (Epstein) para Naomi Campbell. Ela está na Espanha, mas está bem", escreveu Lesley Groff, assistente do financista, em 29 de maio de 2015.

Anos antes, em 27 de setembro de 2011, Sarah Kellen, outra assistente, contatou Campbell antes da viagem de seu chefe à Europa: "Oi, Naomi. Jeffrey está em Paris e gostaria de saber se você também está por aí. Espero que esteja tudo bem."

Em março do ano seguinte, outro e-mail foi enviado por alguém do círculo de Epstein, cujo nome foi omitido nos arquivos: "Oi, Naomi, Jeffrey e eu estamos em Paris com Woody Allen e gostaríamos de saber se você está na cidade e se gostaria de jantar conosco amanhã à noite."

Lesley repassou a Epstein a seguinte mensagem supostamente escrita por Naomi: "Olá, Leslie, como você está? Quero ver o Jeffrey. Saio amanhã às 18h. Preciso ir para Vail, no Colorado, para fazer algum tratamento. Está doendo muito e logo irei para o Marrocos, pois preciso voltar para Londres. Estou exausta, querida. Beijos."

As últimas comunicações entre os assistentes de Epstein e Naomi oram enviadas em janeiro de 2016 e tratavam do uso do jato particular do magnata, conhecido como "Lolita Express", pela modelo. A recusa, após muita insistência, parece ter alimentado o fim do relacionamento, que havia se iniciado em 2001, em Saint-Tropez, quando Epstein foi a uma festa promovida por Flavio Briatore (ex-figurão da Fórmula 1), então namorado de Naomi.

Quando foram divulgados os primeiros documentos relativos ao caso Epstein, Naomi divulgou uma nota: "O que [Epstein] fez é indefensável, e quando ouvi isso, fiquei enjoada, assim como todos os outros. Já tive minha cota de predadores sexuais e, graças a Deus, tinha pessoas boas ao meu redor que me protegeram disso. Estou ao lado das vítimas. Elas ficarão traumatizadas para sempre."

A top model não se manifestou sobre a liberação dos novos documentos pelo DOJ.

Em setembro de 2024, Naomi foi proibida por cinco anos de administrar instituições de caridade no Reino Unido após uma investigação apontar má conduta financeira em sua organização, a Fashion for Relief.