Do Trampolim do Diabo aos foguetes: as histórias improváveis de São Conrado

 

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Hoje ponto de encontro para apreciar a vista, beber uma cervejinha ou tomar água de coco, o Mirante da Niemeyer já foi cenário de uma das fases mais perigosas do automobilismo brasileiro. Na década de 1930, a Avenida Niemeyer integrava o traçado do famoso Circuito da Gávea, competição disputada em vias públicas.

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Os pilotos enfrentavam condições precárias: buracos constantes, trilhos escorregadios dos bondes e ausência total de dispositivos de segurança. O público assistia às corridas em pé, muito próximo da pista, o que resultava em acidentes frequentes e atropelamentos ocasionais. Não havia bandeiras de advertência, áreas de escape ou paradas técnicas.

A periculosidade do circuito rendeu o apelido de “Trampolim do Diabo”. O trajeto passava inclusive pela região da Rocinha, ampliando ainda mais os riscos da prova. Os carros, pequenos e leves, ficaram conhecidos popularmente como “baratinhas”. O maior vencedor da história do circuito foi Chico Landi, um dos principais nomes do automobilismo nacional no período. Infelizmente, não há nenhuma comunicação séria informando isso.

Dos carros para os foguetes

A Praia de São Conrado já foi cenário de lançamentos de foguetes no Rio de Janeiro. Em 1963, enquanto banhistas aproveitavam o dia entre mergulhos e picolés, integrantes da Sociedade Interplanetária do Rio de Janeiro realizaram ali testes com foguetes experimentais.

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Foram ao todo três tentativas, acompanhadas de perto por curiosos que se surpreenderam com o barulho e com a cena inusitada. Os dois primeiros foguetes cumpriram o objetivo básico: decolar e voar. Nada de missões espaciais ou grandes conquistas astronômicas: tratava-se de experimentação científica em plena orla carioca. O terceiro lançamento, no entanto, fracassou e não conseguiu sair do chão.

E quem foi o tal Niemeyer?

Apesar da associação imediata com o arquiteto Oscar Niemeyer, a Avenida Niemeyer, em São Conrado, não leva o nome do autor de Brasília. O homenageado é Conrado Jacó Niemeyer, grande proprietário de terras na região no início do século XX e responsável pela abertura da via.

O comendador teve papel central na ocupação da área. Um de seus filhos chegou a morar no ponto onde hoje funciona o Motel Vip’s, reforçando a presença da família no bairro. Católico fervoroso, Conrado Niemeyer mandou erguer a Igreja de São Conrado, construída como homenagem à esposa.

O Vidigal era violento

O Morro do Vidigal carrega um nome ligado a uma figura controversa da história do Rio. A homenagem é a Miguel Nunes Vidigal, personagem conhecido pela repressão violenta a festejos populares e às religiões de matriz africana, além da perseguição sistemática a manifestações culturais negras.

Com a chegada da família real portuguesa ao Brasil, em 1808, Vidigal ascendeu ao poder e se tornou o primeiro brasileiro a comandar as forças militares do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Tratado como uma autoridade máxima na cidade, ganhou fama pelo uso da violência e pela imposição do medo em diferentes regiões do Rio de Janeiro.

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Apesar da reputação marcada pela brutalidade, Vidigal recebeu dos beneditinos uma extensa área de terras que ia da encosta do Morro Dois Irmãos até o mar. Foi nesse espaço que construiu sua residência. Nos últimos anos de vida, teve como vizinho o empresário Charles Le Blond, que mais tarde daria nome ao bairro do Leblon.

Miguel Nunes Vidigal morreu em 1843, aos 98 anos. A comunidade que hoje ocupa o morro, e que não guarda relação com a figura histórica que lhe deu nome, começou a se formar apenas na década de 1940, construída por trabalhadores e famílias que ajudaram a moldar a identidade cultural e social do Vidigal contemporâneo.

Praia do Vidigal: um recanto escondido na Zona Sul

Pouco conhecida até mesmo por moradores da região, a Praia do Vidigal fica espremida entre o Leblon e São Conrado. O acesso é simples: basta descer as escadarias localizadas na Avenida Niemeyer.

No início do século XX, a área era frequentada por Oswaldo Cruz, que costumava passar temporadas ali, onde morava seu sogro, em busca de alívio para o calor carioca. De bobo, não tinha nada.