Do smoking sem gravata aos broches: especialistas comentam tendências da moda masculina no Oscar 2026
No tapete vermelho da 98ª edição do Academy Awards, realizada no domingo (15), em Los Angeles, um detalhe chamou atenção para além dos vestidos volumosos e das joias milionárias: a ausência de gravata em muitos looks masculinos. Em uma cerimônia conhecida pelo rigor do smoking clássico, diversos convidados optaram por deixar o acessório de lado, criando uma estética mais minimalista e levantando a pergunta: trata-se de uma nova tendência ou apenas de uma atualização do dress code tradicional?
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Entre os homens que apareceram sem gravata estavam Michael B. Jordan, Pedro Pascal, Timothée Chalamet, Hudson Williams e o brasileiro Wagner Moura. O resultado foi um tapete vermelho que manteve a formalidade do traje clássico, mas com uma leitura mais leve e contemporânea.
Wagner Moura
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Entre os visuais mais comentados da noite esteve o de Damson Idris, que apostou em uma proposta mais fashionista e fora do padrão tradicional do evento.
Damson Idris
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O ator apareceu com um terno preto sob medida da Prada, inspirado no desfile masculino de outono de 2012 da marca — conhecido como “Os Vilões” — e arrematou o look com um broche personalizado em referência à Fórmula 1, criado por sua própria joalheria.
Entre tradição e atualização
Na avaliação do diretor criativo da Foxton, Igor de Barros, a escolha de dispensar o acessório pode indicar uma transformação mais profunda na forma como os homens se relacionam com a própria roupa.
Pedro Pascal
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“Por muito tempo, o vestir masculino seguiu códigos rígidos, quase como um protocolo. A ausência da gravata no Oscar parece simbolizar algo maior do que necessariamente uma queda da etiqueta, mas a abertura de um novo espaço de expressão, com mais adornos, texturas e possibilidades”, afirma. “Isso é interessante de se pensar, porque pode significar que, aos poucos, a roupa deixa de ser apenas conformidade e passa a refletir identidade, sensibilidade e estilo. Uma escolha mais subjetiva e, por isso, mais potente.”
A stylist Manu Carvalho vê a mudança por outro ângulo: mais do que substituir a gravata por acessórios, a ideia parece ser tornar o visual menos rígido.
“O não uso da gravata tem mais a ver com deixar o look menos composto, menos tradicional e menos formal. Vivemos o tempo de romper, subverter, atualizar. Tirar a gravata é um jeito de lançar um novo olhar, mais descolado e mais jovem para um look tão clássico”, afirma.
Timothée Chalamet
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Se a gravata perdeu espaço em alguns looks, os acessórios, por outro lado, ganharam protagonismo — especialmente os broches.
“Antes a gente só via os homens exibirem relógios, que eram a joia masculina. Agora vamos ver cada vez mais broches e outros elementos compondo esses looks”, diz.
Um exemplo foi Wagner Moura, que surgiu com um smoking da Zegna acompanhado de um broche criado pelo designer brasileiro André Lasmar. A peça representa um ramo branco carregado por uma pomba da paz e adicionou um elemento simbólico ao visual.
Além da função estética, os acessórios também tiveram papel político nesta edição do Oscar. Alguns convidados usaram pins com mensagens como “ICE Out”, em crítica às políticas anti-imigração nos Estados Unidos, enquanto outros aderiram a símbolos ligados ao movimento Artists4Ceasefire, que pede cessar-fogo em conflitos recentes.
Mais acessórios, menos rigidez
Esse movimento também reflete mudanças graduais na moda masculina, tradicionalmente marcada por códigos mais conservadores.
Michael B. Jordan
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Segundo o consultor de branding de moda Fábio Monnerat, a presença cada vez maior de broches e outros elementos no vestuário masculino faz parte de uma transformação lenta, mas significativa.
“A moda masculina sempre foi muito careta e, desde a Revolução Industrial, passa por mudanças muito pequenas nos códigos de vestimenta. Esses pequenos acréscimos, como broches ou bolsas, começam a mostrar um outro tipo de homem possível”, analisa.
Ainda assim, ele avalia que o acessório tradicional está longe de desaparecer.
“Não acredito que seja o fim da gravata. Dentro da construção clássica do terno ou do smoking, ela continua tendo um papel importante.”
A busca por individualidade também ajuda a explicar a escolha de muitos convidados de deixar o acessório de lado. Na visão do stylist Felipe Veloso, o red carpet tem se tornado um espaço cada vez mais aberto à experimentação.
“Hoje as pessoas tentam ser o mais criativas possível dentro dessas normas antigas. Não usar gravata também é uma forma de criar um look mais personalizado e individualizado”, explica.
Para ele, porém, o detalhe que mais saltou aos olhos nesta edição foi outro: a quantidade de broches nas lapelas. “Antes era algo pontual. Agora parecia que cerca de 40% dos homens estavam usando broches”, observa.
