Receitas com cottage, whey, ovos, iogurte e carnes ganharam espaço nas redes sociais e acompanham uma busca cada vez maior por refeições com alto teor de proteína.
O interesse vai além de quem frequenta a academia: emagrecimento, saciedade e definição corporal também entraram nessa conta.
Entre os termos que passaram a circular nesse contexto está o "proteinmaxxing", usado para descrever a tentativa de aumentar ao máximo a presença do nutriente nas refeições.
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A rotina de celebridades e influenciadores ajuda a impulsionar esse comportamento.
Virginia Fonseca, por exemplo, costuma compartilhar detalhes sobre exercícios, refeições e outros hábitos do dia a dia, despertando a curiosidade de seguidores que querem saber o que ela come e como organiza a própria rotina.
Por que Virginia Fonseca e outras famosas estão apostando em receitas proteicas
Reprodução Instagram
O problema começa quando inspiração se transforma em regra.
Reproduzir o cardápio de uma famosa na expectativa de conquistar resultados semelhantes pode ignorar diferenças básicas entre os organismos e os estilos de vida.
Segundo a médica Bruna Manes, especialista em Nutrologia e Endocrinologia, a quantidade adequada deve ser definida de acordo com as necessidades de cada pessoa.
"A proteína é um nutriente fundamental e pode contribuir para a saciedade, manutenção e formação da massa muscular.
Porém, a quantidade necessária varia de pessoa para pessoa.
Não é porque uma celebridade apresenta determinada rotina alimentar que aquela mesma quantidade será adequada para todos.
Precisamos considerar peso, composição corporal, idade, nível de atividade física e objetivos individuais", pondera.
Por que a proteína ganhou tanto espaço?
A popularidade do nutriente acompanha a atenção cada vez maior à composição corporal.
Nas redes sociais, ele passou a ser associado não apenas ao ganho de massa muscular, mas também à saciedade e ao emagrecimento.
É nesse cenário que ingredientes como cottage, ovos, frango, carnes, iogurte grego e whey aparecem em preparações que prometem concentrar mais proteína sem abrir mão do sabor.
A fórmula se adapta especialmente bem ao conteúdo das redes, em que receitas rápidas, fáceis de reproduzir e visualmente atraentes costumam chamar atenção.
Isso não significa, porém, que quanto maior a quantidade consumida, melhor será o resultado.
"A proteína realmente tem uma função importante na alimentação, mas não devemos transformar isso em uma competição para consumir cada vez mais.
Uma dieta equilibrada precisa fornecer diferentes nutrientes.
Quando a pessoa concentra toda a atenção na proteína, pode acabar deixando de lado fibras, vitaminas, minerais e fontes adequadas de carboidratos e gorduras", explica Bruna.
Cottage virou ingrediente de sobremesa
Um dos alimentos que melhor representa essa tendência é o cottage.
Antes mais associado a refeições leves, ele passou a aparecer em doces, cremes, panquecas, pastas e até sorvetes.
A ideia é usar o alimento como base ou complemento de preparações que, em sua versão tradicional, teriam menor concentração proteica.
O apelo funciona nas redes porque reúne praticidade e a percepção de que uma receita conhecida pode ganhar uma versão mais adequada a determinados objetivos.
Mas acrescentar um ingrediente rico em proteína não transforma, por si só, uma preparação em saudável.
"Não existe problema em utilizar cottage em uma receita ou aumentar a quantidade de proteína de uma preparação.
O cuidado é não acreditar que qualquer receita se torna saudável apenas porque recebeu um ingrediente proteico.
Precisamos olhar para os demais ingredientes e para o contexto da alimentação daquele indivíduo", pontua a médica.
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Magnific
A dieta da famosa serve para você?
Quando uma celebridade mostra o que come, é comum que a refeição seja interpretada como parte da fórmula por trás de determinado corpo.
O que fica fora da câmera, porém, também importa: rotina, gasto energético, prática de exercícios, histórico de saúde e necessidades nutricionais variam de uma pessoa para outra.
"Quando vemos uma pessoa conhecida mostrando sua alimentação, estamos vendo apenas uma parte da rotina.
Não sabemos necessariamente quais são as necessidades nutricionais dela, quanto ela gasta de energia, como é sua rotina de exercícios ou quais são os acompanhamentos que realiza.
Por isso, copiar um cardápio de uma celebridade não significa que teremos o mesmo resultado", alerta.
Isso não significa que as redes não possam servir de inspiração.
Receitas e combinações podem ser incorporadas ao cotidiano, desde que não sejam encaradas como uma fórmula universal.
"As redes sociais podem ser uma boa fonte de ideias de receitas e combinações de alimentos.
O problema começa quando uma inspiração passa a ser encarada como uma prescrição.
Uma alimentação adequada precisa ser construída de acordo com as necessidades de cada pessoa", observa.
Mais proteína significa mais resultado?
A febre em torno do nutriente também estimulou um comportamento mais rígido: contar a quantidade presente em cada refeição e tentar elevar o consumo na expectativa de acelerar o ganho de massa muscular ou a perda de gordura.
Para quem pratica atividade física, a proteína tem papel importante na manutenção e na formação dos músculos.
Isso não significa, no entanto, que aumentar indiscriminadamente a ingestão vá produzir resultados melhores.
"Existe uma diferença muito grande entre consumir proteína em quantidade adequada e simplesmente aumentar a proteína da dieta.
O excesso não vai, sozinho, produzir um resultado melhor.
O mais importante é encontrar uma quantidade adequada dentro de uma alimentação equilibrada e que a pessoa consiga manter ao longo do tempo", destaca Bruna.
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A popularidade de receitas proteicas mostra como um hábito individual pode ganhar outra dimensão quando passa a circular nas redes sociais.
Cottage, whey e outros ingredientes entraram de vez no repertório de quem busca alternativas para as refeições, mas a quantidade consumida não deve ser definida pela dieta de uma celebridade ou pela tendência do momento.
"Não existe uma dieta perfeita que funcione para todo mundo.
O melhor plano alimentar é aquele que respeita as necessidades individuais, oferece variedade de nutrientes e consegue fazer parte da rotina de forma sustentável", finaliza Bruna.
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