A Motiva deixou de disputar leilões de rodovias por causa do risco climático. A PremieRpet viu o preço do óleo de peixe usado em suas rações subir 300% depois que o aquecimento do Pacífico, associado ao El Niño, levou ao fechamento da pesca de anchoveta no Peru.
E a Nespresso alerta que, se a forma de produzir café não mudar, vai faltar o grão no mundo nas próximas décadas. Os casos mostram como a crise climática deixou de ser um tema periférico e passou a pesar em decisões de investimento, na cadeia de suprimentos e na relação com fornecedores e consumidores.
Eles foram apresentados nos cinco primeiros episódios do videocast “Práticas Sustentáveis”, série do Um Só Planeta em parceria com o Valor Econômico que conversa com executivos sobre como grandes empresas enfrentam os desafios da transição para a economia verde, com estratégia, inovação e liderança.
As entrevistas são conduzidas pela jornalista Naiara Bertão, editora de ESG do Valor e de Um Só Planeta. Motiva: clima entra na conta dos leilões
O episódio de estreia recebe Miguel Setas, CEO da Motiva, maior empresa de infraestrutura de mobilidade do Brasil. Ele conta como a companhia passou a precificar o risco climático ao lado dos riscos regulatório, financeiro e macroeconômico, o que já a levou a desistir de leilões de rodovias.
Setas também relembra as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, quando rodovias ficaram alagadas e a empresa levou 11 dias para normalizar o serviço. Desde então, a Motiva prepara 5 mil planos de resiliência climática para seus ativos mais críticos.
A conversa aborda ainda a antecipação em oito anos da meta de redução de emissões de escopos 1 e 2 validada pelo Science Based Targets initiative (SBTi) e a instalação de mais de 40 passagens de fauna na BR-163, em Mato Grosso do Sul. “Sustentabilidade para mim é ética, é uma ética nova, é uma ética da vida na terra”, disse Setas.
Assista agora: Como a Motiva enfrenta o risco climático | Práticas Sustentáveis
PremieRpet: riscos distantes, impacto direto No segundo episódio, Fernando Torres Maluf, vice-presidente de Exportação e Sustentabilidade da PremieRpet, fabricante de alimentos para cães e gatos, explica como a empresa trocou sua matriz térmica de óleo e gás por biomassa de eucalipto e se tornou autossuficiente em energia solar.
A energia vem de um contrato de longo prazo (PPA) com a Comerc Renew no Complexo Solar de Castilho (SP), projeto de R$ 940 milhões em que 120 hectares são dedicados exclusivamente à companhia. Maluf mostra como riscos climáticos e geopolíticos distantes chegam à operação.
Além da alta do óleo de peixe, um problema geopolítico no fornecimento de polietileno elevou em até 40% o custo das embalagens. O executivo fala também sobre o desafio do escopo 3, com um projeto-piloto de rastreabilidade de carbono para 15 produtos da linha de exportação, e sobre a parceria do Instituto PremieRpet com a ONG Onçafari para a conservação da onça-pintada em Mato Grosso do Sul.
Assista agora: Natura: sustentabilidade na mesma pauta do resultado financeiro
O terceiro episódio recebe Ana Beatriz Macedo da Costa, vice-presidente de Sustentabilidade, Jurídico e Reputação Corporativa da Natura. Ela explica a virada da empresa de uma agenda de sustentabilidade para um modelo de negócio regenerativo, com a meta de gerar impacto positivo em quatro capitais (financeiro, humano, social e ambiental) até 2050.
Ana detalha como os compromissos são medidos, com ferramentas como o iP&L (Integrated Profit and Loss), que mapeia externalidades positivas e negativas, e como um comitê ligado ao conselho de administração acompanha esses indicadores nas mesmas reuniões em que discute os resultados financeiros.
A conversa passa pela atuação na Amazônia, como o mecanismo de blended finance Amazônia Viva, que usa a Natura como compradora garantida para viabilizar crédito a comunidades e, segundo a executiva, tem inadimplência zero. “O que a gente não pode perder é essa coerência.
Tem que ser coerente com os valores e com aquilo que eu acredito”, afirmou. Assista agora:
CBA: energia limpa não basta No quarto episódio, Leandro Faria, gerente-geral de Sustentabilidade, Segurança e Meio Ambiente da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), discute os impactos ambientais da produção de alumínio, da mineração à logística.
A CBA produz 100% da energia que consome a partir de fontes próprias, entre 21 hidrelétricas e complexos eólicos, que somam 1,5 GW de capacidade instalada. Mas, segundo Faria, a energia renovável não elimina todos os desafios de descarbonização do processo produtivo.
A conversa aborda ainda o selo de alumínio sustentável Alennium, a meta de reduzir em 20% o consumo de água nova por tonelada de alumínio até 2030, em regiões sujeitas a estresse hídrico, e o ReAl, processo desenvolvido pela empresa para reciclar alumínio de embalagens multimateriais, que separa o metal do plástico e ainda produz hidrogênio como subproduto.
Assista agora: Nespresso: prêmio para o produtor regenerativo
O quinto episódio reúne Mariana Marcussi, diretora de Marketing e Sustentabilidade da Nespresso Brasil, e Daniel Motyl, gerente de Café Verde da Nespresso Brasil. O país responde por um terço do café comprado pela empresa no mundo, e 60% das cápsulas levam grão brasileiro.
Segundo Motyl, na última safra os produtores mais regenerativos colheram 36 sacas por hectare, contra 30 dos menos regenerativos. Como o mercado ainda paga o mesmo valor pelos dois tipos de café, a Nespresso aprovou um prêmio de mais de R$ 6 milhões que, a partir de 2027, vai remunerar os 20% de produtores mais regenerativos.
Mariana fala sobre o desafio de engajar o consumidor na reciclagem das cápsulas, cujo alumínio vai para a embalagem de um creme da Natura e cuja borra vira biometano. Assista agora:
Onde assistir Os cinco episódios do videocast “Práticas Sustentáveis” estão disponíveis nos canais do Um Só Planeta.
O “Práticas Sustentáveis” é uma realização de Um Só Planeta em parceria com o Valor Econômico, e conta com a mediação da jornalista e editora Naiara Bertão. Se preferir, acesso o canal do Youtube do Valor Econômico e confira a playlist completa.
Clique AQUI para assistir no Youtube.
Globo