Do interior do Pará ao radar do UFC: Romero Reis nocauteia rival e desperta interesse de Dana White
O telefonema ainda não veio, mas o contato já aconteceu. Dois dias após nocautear Ricardo Sattelmayer no Hype Brasil, em São Paulo, o paraense Romero Reis recebeu, por meio de sua equipe, um sinal claro de que entrou no radar do UFC. A maior organização de MMA do mundo pediu informações e materiais do atleta e avalia, agora, a possibilidade de investir cerca de 20 mil euros para tirá-lo de seu contrato atual. Aos 30 anos e com cartel de 20 vitórias e 9 derrotas, ele vê a oportunidade de dar o passo que faltava na carreira e ser mais um paraense a fazer parte da lendária franquia.
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Natural de Belém e criado em Santa Luzia do Pará, no nordeste do estado, Romero construiu seu caminho longe dos grandes centros do MMA. A última vitória, por nocaute, reforçou uma sequência de seis triunfos consecutivos e consolidou um percurso que já havia chamado atenção fora do país, com cinturões conquistados na Colômbia e na França, além de lutas em mais de dez países, incluindo na Chechênia em plena guerra, onde treinava ouvindo o som das explosões. A experiência internacional, acumulada em eventos de diferentes níveis, sustenta a avaliação de que está pronto para competir em um cenário mais exigente.
"Está muito próximo, estou vindo de seis vitórias consecutivas. Acabei de lutar o Hype FC, um evento russo, e venci. Ganhei um cara muito renomado e o UFC entrou em contato pedindo meus dados e alguns materiais pra fazer uma análise. Agora é esperar."
Da ressaca ao mundo profissional
Última luta de Romero terminou em nocaute (Reprodução Instagram Romero Reis)
A história no esporte começou por acaso, longe de qualquer planejamento e num dia de ressaca braba após uma festa na sua terra, Santa Luzia. “É muito hilário, tinha um amigo de cachaça, que me convidou pra ir numa academia tirar a ressaca. Eu no primeiro momento recusei, não achava legal esse negócio de homem se agarrando, mas acabei indo, gostei, e de lá pra cá passaram 10 anos, apaixonado pelo MMA”, relembra. O que era improviso virou rotina, e depois profissão. “No começo é muito ruim, porque, quando o atleta começa, recebe muitos nãos, e eu fui buscar o sim, as coisas aconteceram.”
A estrutura atual contrasta com o início. Romero afirma que hoje conta com uma equipe consolidada e suporte profissional. “Hoje tenho uma equipe que trabalha comigo, fechamos uma parceria com uma assessoria que é referência, trazemos pessoas pra trabalhar com a gente.” Em Santa Luzia, mantém uma academia própria, onde treina e acompanha novos atletas, numa tentativa de encurtar o caminho de quem começa.
A estrada consolidada, no entanto, não apaga as origens desse paraense que viveu as dificuldades de muitos moradores do Pará. Independentemente do que acontecer no futuro, ele já se considera realizado.
“Meu sonho está realizado, eu queria ser campeão mundial, independente da organização, queria fazer algo extraordinário. Sou um cara do interior, onde só tinha lamparina e comíamos chibé, hoje lutei em mais de dez países da Europa, estou realizado”, diz. A realização, ainda assim, não encerra o ciclo competitivo. O objetivo imediato é claro: “Meu objetivo próximo é fechar com o UFC, e espero que aconteça.”
Se a negociação avançar, Romero pode se juntar a nomes como Deiveson Figueiredo, Yuri Marajó, Michel Pereira, o campeão Lyoto Machida e tantos outros na lista de paraenses que chegaram ao maior palco do MMA mundial. Por ora, ele aguarda. “Está muito próximo, agora é esperar.”
