Do gelato gourmet ao sorvete de perfume: o que explica o boom das sorveterias no Brasil

 

Fonte: Bandeira



Sabores cada vez mais criativos, ambientes planejados para render fotos e likes nas redes sociais e lojas cheias até nos dias frios. O mercado de sorvetes vive um verdadeiro boom no Brasil, impulsionado pela expansão das franquias, pela experiência gourmet e por mudanças nos hábitos dos consumidores.

Tem muita gente com a impressão de que abriu uma sorveteria em cada esquina...

"Vejo cada vez mais marcas diferentes, mais marcas gourmetizadas // Desde o ano passado eu tenho reparado nesse aumento no número de sorveterias. Tem sorvete pra todos os gostos e pra todos os bolsos também.// "

Andando pelas ruas do Rio de Janeiro, não é difícil perceber o aumento de sorveterias, muitas com espaços pensados pra transformar uma sobremesa ou lanche em experiência. O setor vive um bom momento não só no Rio, mas também em outros locais do Brasil, impulsionado por investimentos e expansão de franquias.

A indústria teve alta de 6,8% em 2025, segundo a Associação Brasileira do Sorvete. No Rio, os números impressionam ainda mais: o faturamento do setor cresceu 26% no ano passado.

Marca que nasceu no estado em 2018, a Calebito já tem trinta e uma unidades no Rio, no Espírito Santo e em Minas Gerais. O plano, agora, é ir para São Paulo. Para o coordenador de marketing da empresa, Calebe Tatagiba, o hábito de tomar sorvete deixou de ser associados somente ao verão, registrando alta de vendas inclusive no inverno.

"Tem um mercado consumidor gigante para isso. Cada vez mais, as pessoas estão deixando de consumir só sorvete no calor. Nós temos lojas em cidades como Petrópolis e Nova Afriburgo, que são cidades frias, teoricamente, e que elas faturam bem, têm bons resultados, mesmo no frio.."

A expansão das sorveterias vem sendo guiada pelo modelo de franquias. Segundo a Associação Brasileira de Franchising, o segmento registrou um aumento de 19% no faturamento em 2025, ultrapassando a marca de 16,9 bilhões de reais.

Mas não é só o número de lojas que cresceu. Pra conquistar novos clientes, as sorveterias também têm apostado em sabores diferentes, com ingredientes inusitados.

Quem entra numa sorveteria dificilmente encontra só aqueles sabores clássicos, como chocolate, baunilha e morango. O fundador da Vero Gelato, Andrea Panzacchi, criou sabores como jenipapo e coentro com pimenta. A inspiração vem de viagens pelo país.

Andrea Panzacchi, dono da Vero

Divulgação

"Obviamente eu também pesquiso, viajo pelo Brasil, aí descobro, sei lá, aquele doce de leite daquele lugar, aquela rapadura do outro, aquela sobremesa. Aliás, estamos na estação de festa junina, de sabores, tudo. Então, por exemplo, sorvete que é típico de festa junina, mas que eu dei uma baianada nele, é o sorvete de milho com dendê.."

E a criatividade não fica restrita às gelaterias tradicionais. Marcas de outros segmentos também passaram a apostar no sorvete para atrair clientes e criar experiências diferentes para o público.

Tem até perfume virando sabor de sorvete. A ideia começou como uma ação de verão da Granado, mas ganhou espaço permanente nas lojas da marca, como conta a diretora de marketing e vendas da empresa, Sissi Freeman.

"A ideia da sorveteria surgiu porque a gente queria educar as pessoas sobre os ingredientes da perfumaria que estão dentro, às vezes, dos perfumes favoritos, porque a gente percebe que as pessoas têm muito mais facilidade de identificar quais são os sabores que elas gostam de comer. Era para ser uma ação de dois, três meses de verão e acabou que já está há mais de um ano e meio e a cada lançamento de perfume a gente tem um novo sabor."

Além de apostar em novos sabores e experiências de consumo, o setor também foi beneficiado por uma mudança de hábito dos consumidores. Para o CEO da Momo Gelato, Walter de Mattos, a forma como os brasileiros enxergam o sorvete também mudou nos últimos anos.

"O sorvete industrial era consumido como extravagância, como sobremesa. E hoje, muita gente incorporou como um alimento nutritivo. Isso criou esse mercado de gelato premium. Nesse sentido, o hábito também impactou, porque o picolé, o sorvete de baixa qualidade, ele era consumido de maneira muito sazonal. Claro que no verão tem um crescimento, mas não tem uma queda de consumo no inverno."

A projeção inicial para 2026 é de que o setor de sorvetes siga em crescimento e alcance alta de 7%.