Do bruxismo à harmonização facial: especialista explica quando procurar ajuda e quais cuidados tomar - QTU Questões do Universo

Do bruxismo à harmonização facial: especialista explica quando procurar ajuda e quais cuidados tomar

Fonte: Bandeira da fonte

Dor no rosto, sensação de cansaço ao mastigar, dificuldade para abrir a boca e estalos na mandíbula são sinais que podem passar despercebidos na rotina, mas merecem atenção.
Em alguns casos, esses sintomas podem estar relacionados ao bruxismo ou a alterações na articulação e nos músculos responsáveis pelos movimentos da boca.
A cirurgiã-dentista Thamyres Brasil, especialista em Disfunção Temporomandibular, Dor Orofacial e Harmonização Orofacial, explica que o primeiro passo é entender a origem do problema antes de iniciar qualquer tratamento.

Segundo a especialista, o bruxismo é uma condição complexa e pode estar relacionado a diferentes fatores da vida do paciente.
Ele pode aparecer de maneiras diferentes e, por isso, não deve ser analisado apenas a partir de um único sintoma.
A rotina, os hábitos e aquilo que a pessoa relata durante a consulta ajudam o profissional a compreender melhor o quadro.
“A questão do bruxismo é um mundo bem complexo.
Está muito relacionado com a ansiedade, com a rotina, com essa questão de não parar quieto.
Então, está relacionado também com a qualidade de vida e com o que você faz no seu dia a dia”, explica.

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O bruxismo pode acontecer enquanto a pessoa está acordada, durante o sono ou nas duas situações.
Entre os sinais relatados pelos pacientes estão dores, sensação de peso no rosto, desconforto ao mastigar e estalos ao movimentar a mandíbula.
Esses incômodos podem fazer parte da rotina por algum tempo antes de a pessoa decidir procurar ajuda.
“Tem gente que chega falando: ‘Doutora, estou sentindo meu rosto muito cansado, não consigo comer direito ou abro a boca e escuto um estalo’.
Se você vai a um profissional adequado, pode ter um diagnóstico e um tratamento correto”, afirma.

Tratamento precisa ser individualizado

Uma das principais dúvidas de quem sofre com bruxismo está relacionada ao uso da placa.
Apesar de ser conhecida por muitas pessoas, Thamyres explica que ela não deve ser encarada como uma solução que serve para todos os casos.
Antes da indicação, é preciso observar as condições do paciente e verificar se existem outros problemas associados.
A presença de outros sinais também precisa ser considerada para que uma medida adotada sem avaliação não acabe sendo inadequada para aquele quadro.
“Tem paciente que tem apneia associada, por exemplo, ronca muito.
Então, é preciso saber se existe alguma questão sistêmica ali.
Tem que ter um diagnóstico com um profissional especialista para saber para onde você vai”, explica.

Outro ponto levantado pela especialista é o uso da toxina botulínica, conhecida popularmente como botox.
Thamyres afirma que o procedimento não deve ser tratado como uma solução isolada para o bruxismo, embora possa ser utilizado em situações específicas e como complemento de outros cuidados, dependendo da avaliação do paciente.
Por isso, a consulta precisa considerar não apenas a dor, mas também hábitos, rotina e histórico de saúde.
“Tem gente que já chega dizendo: ‘Eu só quero um botox aqui porque está doendo muito’, porque já acha que sabe o que precisa fazer.
Mas não é um tratamento para o bruxismo.
O bruxismo é muito mais complexo e tem relação com o sistema nervoso central”, afirma.
Para ela, cada caso precisa ser analisado separadamente.
“Não tem como eu dizer que uma coisa vai tratar todo mundo.
Você precisa estar no consultório, falar da sua vida e das características do que está sentindo para a gente conseguir chegar a um diagnóstico”, ressalta.

ATM e DTM não são a mesma coisa

As duas siglas são parecidas e costumam gerar confusão.
A ATM é a articulação temporomandibular, localizada na região próxima ao ouvido e responsável por permitir movimentos como abrir e fechar a boca.
Já a DTM significa disfunção temporomandibular e se refere a problemas que podem atingir essa articulação, a musculatura e outras estruturas envolvidas nos movimentos da mandíbula.

“A DTM é a disfunção temporomandibular.
A ATM fica nessa região onde estão ligamentos e o côndilo.
A disfunção temporomandibular está ligada a alterações na articulação e também na musculatura”, explica Thamyres.
Dor na mandíbula, estalos, desconforto para mastigar e dificuldade para movimentar a boca podem aparecer em diferentes situações e não significam, sozinhos, que a pessoa tenha determinado problema.
Por isso, a profissional reforça que o diagnóstico deve ser feito antes de escolher qualquer tratamento.
“Todos os cirurgiões-dentistas têm uma noção dessa região porque estudam bastante cabeça e pescoço.
Agora, a especialidade é importante para ter a indicação certa e um diagnóstico correto”, afirma.

As dores orofaciais também fazem parte da área de atuação da especialista e incluem diferentes tipos de dor e desconforto sentidos na face e na boca.
Durante a consulta, o paciente passa por uma avaliação detalhada, conhecida como anamnese, em que são investigados sintomas, hábitos e histórico de saúde.
Essa conversa ajuda o profissional a reunir informações que nem sempre aparecem apenas no exame da região dolorida.
Por isso, segundo Thamyres, é importante que o paciente relate o que sente e também aspectos que possam estar relacionados ao problema.
“É preciso falar da sua vida para eu entender de onde vem tudo aquilo.
As características são importantes para a gente conseguir chegar a um diagnóstico”, explica.

Naturalidade e segurança na harmonização facial

Além de atuar no tratamento de DTM e dores orofaciais, Thamyres também trabalha com harmonização orofacial.
Para ela, os procedimentos estéticos devem respeitar as características de cada pessoa e não transformar completamente o rosto do paciente.
“Eu trabalho com naturalidade.
Vou pegar o que você tem, a sua essência, e deixar mais bonita.
Eu não vou fazer outro rosto.
A harmonização já fala no nome, é para deixar mais harmonioso aquilo que você já é”, afirma.

Segundo a profissional, alguns pacientes procuram atendimento por causa de pequenas assimetrias ou características que causam incômodo, mesmo que sejam pouco percebidas por outras pessoas.
Para ela, o objetivo não é reproduzir o rosto de outra pessoa, mas avaliar aquilo que faz sentido para cada paciente.
Nesses casos, a decisão deve partir de uma avaliação individual e de um planejamento seguro.

A tecnologia também pode ajudar nesse processo.
Thamyres utiliza ultrassom de alta frequência para visualizar estruturas do rosto e identificar produtos aplicados anteriormente, informação que pode ser importante principalmente quando o paciente já passou por outros procedimentos.
“Às vezes o paciente nem sabe o que colocou no rosto.
Com o ultrassom eu consigo visualizar, inclusive para evitar aplicar algo diferente e ter alguma intercorrência.
Conseguimos observar musculatura, gordura e vasos”, explica.
Para a especialista, porém, ter acesso à tecnologia ou dominar uma técnica não é suficiente.
É preciso entender o momento certo de realizar ou evitar um procedimento.
“Aplicar por aplicar, muita gente sabe.
Agora, saber como aplicar, onde aplicar e saber quando não aplicar é o diferencial”, destaca.

Perda de peso também pode mudar a aparência do rosto

As mudanças faciais provocadas por grandes perdas de peso também estão entre as situações observadas no consultório.
Isso pode acontecer, por exemplo, com pessoas que usam medicamentos injetáveis para emagrecimento sob acompanhamento profissional.
Com a redução de peso, o rosto pode perder volume e parte da gordura que ajuda na sustentação dos tecidos.

“A pessoa perde muita estrutura do rosto e gorduras que são importantes para sustentar a face.
A gordura é importante para deixar o rosto sustentado”, explica Thamyres.
Nesses casos, a especialista afirma que os procedimentos precisam ser planejados de acordo com a necessidade de cada pessoa e podem acompanhar as mudanças percebidas durante o processo de emagrecimento.
Entre as possibilidades citadas estão técnicas de estímulo de colágeno e outras tecnologias utilizadas na estética.
A indicação, segundo a profissional, depende da avaliação do rosto e do momento vivido pelo paciente.

Independentemente de a procura estar relacionada ao bruxismo, a dores ou à estética, Thamyres reforça que a avaliação deve vir antes da escolha de qualquer procedimento.
Para ela, o paciente não deve iniciar um tratamento apenas porque viu determinada técnica nas redes sociais ou porque recebeu uma indicação informal.
“É preciso realmente estar no consultório e conversar para entender de onde vem aquilo.
Saber quando não fazer um procedimento também faz parte do tratamento”, afirma.