Do 11 de Setembro a grandes casos federais: quem é Alvin Hellerstein, o juiz de 92 anos do julgamento de Maduro
O julgamento de Nicolás Maduro nos Estados Unidos será conduzido por um dos nomes mais experientes do Judiciário federal americano. Designado após a prisão do ex-presidente venezuelano no sábado, o juiz Alvin Hellerstein, de 92 anos, presidirá o processo que começa nesta segunda-feira (5) no Tribunal Distrital do Distrito Sul de Nova York, em Manhattan, uma das cortes mais influentes do país.
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A acusação federal sustenta que Maduro enfrenta crimes graves, entre eles tráfico internacional de drogas, corrupção governamental e vínculos com organizações classificadas como terroristas. O caso foi distribuído a Hellerstein, atualmente um dos juízes mais antigos em atividade no sistema federal dos Estados Unidos, conhecido por conduzir processos de alta complexidade e grande repercussão.
O Distrito Sul de Nova York é responsável por julgar casos sensíveis ligados à segurança nacional, terrorismo e crime internacional. É nesse foro que o Ministério Público Federal detalhou as acusações contra o ex-líder chavista, apontando o suposto envolvimento do regime venezuelano com esquemas transnacionais de narcotráfico e lavagem de dinheiro.
Trajetória de um magistrado veterano
Nascido em Nova York, em 1933, Alvin Hellerstein iniciou sua carreira como advogado do Exército dos Estados Unidos antes de atuar no setor privado. Em maio de 1998, foi nomeado juiz federal pelo então presidente Bill Clinton, passando a integrar o Distrito Sul de Nova York, onde construiu uma trajetória marcada por decisões em casos complexos e politicamente sensíveis.
Em 2011, Hellerstein assumiu o status de magistrado sênior, o que lhe permitiu reduzir a carga de trabalho sem se afastar da atividade judicial. Desde então, continuou à frente de ações envolvendo terrorismo, segurança nacional, disputas financeiras de grande porte e processos civis de ampla repercussão pública.
De acordo com o The New York Times, entre os casos mais conhecidos julgados por ele estão ações de indenização relacionadas aos atentados de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas, o processo por assédio sexual contra o produtor de cinema Harvey Weinstein e o julgamento de Michael Cohen, ex-advogado do presidente Donald Trump.
Hellerstein também conduz, no mesmo tribunal federal, o processo contra Hugo Armando “Pollo” Carvajal, ex-chefe da inteligência militar venezuelana. Carvajal é acusado de tráfico de drogas e narcoterrorismo, e seu caso tem ligação direta com as investigações que envolvem o regime chavista.
Segundo documentos do processo, o depoimento de Carvajal terá peso central no julgamento de Maduro. O ex-general, que também foi congressista, decidiu cooperar com as autoridades americanas e se declarou culpado, no verão passado, de quatro acusações relacionadas ao narcotráfico e ao apoio a organizações terroristas, em um tribunal federal de Nova York.
A designação de Hellerstein para o caso coloca o juiz no epicentro de um dos julgamentos mais relevantes das últimas décadas. Nos últimos anos, ele assinou decisões que tanto contrariaram quanto respaldaram políticas do governo Donald Trump, incluindo sentenças que bloquearam deportações por razões constitucionais e outras que rejeitaram pedidos de redução de pena com base em critérios religiosos ou de nacionalidade.
