O DJ Henry Hyt morreu nesta quarta-feira (19), aos 45 anos.
Conhecido pela atuação na cena de música eletrônica de Belém, o artista teve um mal súbito durante a madrugada, segundo informações de amigos próximos.
A morte repercutiu nas redes sociais ao longo do dia, com homenagens de DJs, produtores culturais, amigos e fãs que acompanharam a trajetória do artista em eventos e casas noturnas.
VEJA MAIS
[[(standard.Article) Funk ganha novas batidas no Pará com influência do tecnomelody e da música eletrônica]]
As mensagens publicadas nas redes sociais lembraram a contribuição de Henry para a cena local e destacaram a relação que ele mantinha com outros artistas do cenário paraense.
Entre as homenagens está a do DJ Yohan Live, que recordou a influência de Henry ainda no início de sua própria trajetória.
“A minha história com esse artista começou muito antes do Trance, quando eu ainda tocava Tribal.
O Hytraxx era um dos meus DJs favoritos.
Suas tracks nunca falhavam.
Sempre carregadas de elementos marcantes, synths estridentes, energia e uma identidade que fazia a pista vibrar”, escreveu.
[instagram=DcPDVpBmDmB]
Yohan também afirmou que elementos presentes no trabalho de Henry continuam influenciando suas próprias produções.
Ele lembrou ainda que o DJ esteve entre os profissionais que acreditaram no início do projeto Yohan Live.
“HYT, obrigado por, lá atrás, acreditar no projeto YOHAN LIVE, quando ele ainda era apenas YOHAN.
Você foi um dos DJs que votaram em mim, que acreditaram que eu poderia, um dia, me tornar DJ e produtor de Psytrance”, declarou.
Dos concursos em rádio às raves
Ao O Liberal, o DJ Dan Miller relembrou a trajetória profissional do amigo e contou que Henry começou a ganhar projeção após vencer um concurso de DJs realizado por uma rádio de Belém.
A partir da visibilidade conquistada, passou a tocar em casas noturnas que marcaram a cena da cidade naquele período, entre elas Olé Olá e Zepellin Club.
Segundo Dan, com o amadurecimento da carreira, Henry passou a integrar o circuito de raves, momento em que alcançou uma das fases de maior destaque profissional.
Depois, retornou às boates e dividiu cabines com outros nomes da cena em casas como Louvre Club, Kiss and Fly e Pink Elephant.
Dan contou que Henry já era um nome reconhecido quando ele próprio começou a atuar como DJ.
A relação profissional acabou se transformando em amizade e aprendizado.
Para ele, além da técnica, Henry ensinava a lidar com o público e com os contratantes.
“Henry já era consagrado no cenário quando eu comecei, tive a sorte de ter um amigo/professor que além da técnica, me ensinou a tratar com o público e com contratantes”, relembrou.
Os dois também compartilharam diferentes noites de trabalho.
Dan recorda que algumas apresentações foram mais difíceis, mas que Henry costumava levar bom humor e tranquilidade para os momentos de trabalho.
“Tivemos noites sensacionais, e outras nem tanto, mas com o Henry sempre tinha uma dose de bom humor e tranquilidade, isso que ele transmitia o tempo todo, do jeito dele e com os mais chegados”, afirmou.
‘Papai Henry’ e a relação com novos DJs
A forma como Henry se relacionava com artistas que estavam começando também foi lembrada por Dan.
Segundo ele, o DJ ganhou os apelidos de “Papai Henry” e “Papai Hyt” entre pessoas próximas justamente pela disposição em orientar quem buscava espaço na música eletrônica.
Conhecido como ‘Papai Henry’ entre amigos, DJ era lembrado pela disposição em orientar novos artistas (Arquivo pessoal)
“Um cara que, apesar de toda trajetória, todo o sucesso, sempre parava tudo pra aconselhar quem estava começando, quem estava remando pra conseguir um espaço”, disse.
O DJ também destacou a personalidade de Henry fora das apresentações.
“Dono de um coração imenso e sempre cheio de atenção, por trás da cara de mal e jeito de bravo, tinha um homem, um DJ que tinha um objetivo: levantar a bandeira da música eletrônica, e isso ele nos ensinou, e vamos continuar para todo o sempre.
Juntos”, completou.
Amizade de quase três décadas
O produtor cultural Felipe Proença também recebeu a notícia da morte do amigo com quem mantinha uma amizade iniciada em 1997.
De acordo com Felipe, os dois conversavam quase todos os dias e compartilhavam projetos musicais ao longo de décadas.
Ele contou que conheceu Henry quando ainda começava a tocar e que, desde aquela época, já reconhecia o talento do amigo.
“O Henry, eu conheci ele em 97, e ele já era um talento absurdo.
Eu tava começando a tocar ainda, e ele me ensinou muito, e sempre fomos amigos e irmãos”, afirmou, emocionado o DJ.
Felipe Proença lembra amizade iniciada em 1997 e projetos musicais feitos ao lado do artista (Arquivo pessoal)
Felipe também destacou a presença de Henry em diferentes momentos de sua trajetória artística.
Segundo ele, os dois fizeram músicas juntos e dividiram palcos em diferentes projetos.
“Todas as músicas que eu fiz na vida foram com ele.
Todas as vezes que eu pisei em um palco, ele estava junto, com bandas”, contou.
Projeto 11:11 ORG estava entre os trabalhos recentes
Nos últimos meses, Felipe e Henry trabalhavam juntos na retomada do projeto da banda 11:11 ORG, ao lado de Fabrício Rosa.
Os três estavam preparando um novo repertório e produzindo músicas para a banda.
Felipe contou que os ensaios faziam parte da rotina recente dos amigos e que Henry iria à casa dele nesta quinta-feira (20) para continuar o trabalho.
A preparação de uma nova música também estava em andamento quando ele recebeu a notícia da morte.
“Eu estava terminando uma música nova com ele, e isso me pegou de surpresa hoje”, relatou.
A parceria entre Felipe e Henry, ao lado de Vini Cohen, também esteve presente no projeto “Máquina de Shiva”, live act de música eletrônica.
Henry também atuou como produtor
O DJ Vinicius Nape também recordou a convivência profissional com o artista.
Ele destacou a influência de Henry como DJ e produtor e a disposição que o amigo tinha para compartilhar conhecimentos relacionados à produção musical.
“Henry foi uma grande referência.
Generoso em compartilhar seus conhecimentos de produção e uma energia fora do comum em seus sets”, afirmou.
DJ Henry Hyt ao lado do DJ Vinicius Nap (Arquivo pessoal)
Vinicius também lembrou que dividiu a cabine com Henry em diferentes momentos, incluindo clubes nos quais foram residentes e rádios das quais participaram.
Para ele, o trabalho desenvolvido pelo DJ deixou uma produção musical que continua ligada às pistas.
“Com certeza ele deixa um legado para muitos e muita música para as pistas do mundo”, declarou.
Noites no Café com Arte
O DJ Roberto Figueiredo, proprietário do Café Com Arte, também relembrou as ocasiões em que Henry tocou na casa.
Segundo ele, o artista participou de algumas noites no espaço, inclusive em um período em que já não costumava tocar house.
“Pra mim foi uma honra tê-lo como DJ em algumas noites tocando no ‘Café’.
Principalmente, porque ele não estava mais tocando house na época”, contou.
Roberto recorda que Henry demonstrava satisfação em voltar à casa.
“Cara, adoro tocar aqui, no Café com Arte.
Tem uma energia diferente”, teria dito o DJ em uma das ocasiões.
Velório e sepultamento
O velório começou ainda nesta quarta-feira (19), às 20h, em uma capela particular localizada na avenida José Bonifácio, em Belém.
O sepultamento está previsto para a manhã desta quinta-feira (20), às 8h, no Cemitério Max Domini.
