Divórcio anunciado: demissão de Filipe Luís pelo Flamengo pode parecer ato intempestivo, mas não foi
O Flamengo demitiu o treinador que conquistou cinco títulos em 16 meses e logo após classificar o time para a sétima final com uma goleada de 8 a 0 sobre um dos semifinalistas do Estadual. E aqui não importa se o adversário era o frágil Madureira. O fato nos soa tão fora de contexto que, contado isoladamente, chega parecer um ato tresloucado, intempestivo e movido pelo início de temporada abaixo das expectativas. Não foi.
Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo, não era admirador ardoroso do trabalho de Filipe Luís. E não tinha a ver com modelo de jogo ou método de treinamento. A principal razão era o fato de o ex-lateral ter sido promovido ao cargo na gestão do desafeto Rodolfo Landim. Algo percebido pelo técnico, que se “defendia” evocando sua história no clube e o inegociável desejo de fazer a equipe jogar como a torcida deseja.
A arrastada renovação do contrato no fim do ano passado esteve por um triz. Bap apontava falhas no trabalho de Filipe, mesmo com as conquistas do Brasileiro e da Libertadores, e não gostou da forma como o treinador tratou a renovação: do tempo para o início das conversas à demora para assinar o acordo — passando, é claro, pela inclusão do agente Jorge Mendes e pela tentativa de mudar o que havia sido pactuado antes do Natal.
Os três dias de ausência à mesa, com irritante silêncio do técnico, fez o presidente autorizar acerto com Leonardo Jardim, que fizera uma só exigência: a liberação do dono da SAF do Cruzeiro, a quem prometera não dirigir outro time no Brasil — nó desatado por Bap. O recuo estratégico de Filipe ao saber do acordo verbal com Jardim impediu a oficialização da troca. Mas Bap só recuou pelo clamor da torcida nas redes e a interferência de seus pares.
Ainda assim, desde que o treinador aceitasse a oferta do clube — dois anos de contrato e salários em torno de R$ 3 milhões mensais. O mau início da temporada fez com que Bap interviesse às vésperas do clássico com o Vasco — com dez dias de trabalho. A partir daí, a equipe não andou e, com o técnico fragilizado, em função da reação da torcida com o insucesso em partidas de maior complexidade, Bap determinou a demissão.
Na semana passada, Leonardo Jardim anunciou estar pronto para voltar ao trabalho e rejeitou sondagens do Vasco, interessado em lhe fazer uma proposta. Nesta segunda-feira, desembarcou em Belo Horizonte para prestigiar um evento social a convite de Pedro Lourenço, dono da SAF cruzeirense. E nesta terça-feira, dia do aniversário de Zico, o ídolo maior, será oficializado como substituto de Filipe Luís. Presente de Natal?
