O Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, escolherá nesta segunda-feira seus candidatos para disputar as eleições de outubro, em meio à avaliação de analistas de que um movimento de muitos filiados ainda mais à direita pode ameaçar as chances de vitória do líder israelense.
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Os candidatos que saírem das primárias desta segunda-feira já enfrentarão uma disputa difícil — pesquisas indicam que a popularidade do Likud despencou desde o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, e o partido pode perder um terço de suas cadeiras.
Pesquisadores afirmam que a disputa pode ficar ainda mais difícil para o Likud caso seus 140 mil filiados registrados escolham uma lista de candidatos populistas e de direita radical, em um momento em que pesquisas mostram que uma parcela maior de seus eleitores tradicionais deseja uma aproximação com o centro político.
“A distância entre os filiados do Likud, os eleitores do Likud e o público em geral aumentou substancialmente, e isso pode ter um efeito dramático sobre a capacidade de Netanyahu de vencer”, afirmou o analista Nimrod Nir, do Agam Labs, da Universidade Hebraica.
Uma pesquisa do Agam Labs publicada em 11 de agosto mostrou que mais da metade dos eleitores do Likud, 54,9%, gostaria de um governo mais centrista do que a atual coalizão de Netanyahu, que inclui partidos judaicos ultraortodoxos e nacionalistas.
Mas apenas um terço dos filiados registrados que escolherão os candidatos nesta segunda-feira gostaria de ver um governo de centro-direita, segundo a pesquisa.
Dois terços preferem algo semelhante à coalizão que está deixando o poder, formada após a vitória eleitoral de Netanyahu em 2022.
O atual governo inclui o partido ultranacionalista Poder Judaico, do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, e o Sionismo Religioso, do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, que defenderam o despovoamento de Gaza e seu repovoamento com israelenses.
Netanyahu vem tentando recrutar candidatos mais moderados para contrabalançar os populistas que ganharam força na disputa das primárias.
“Como primeiro-ministro de Israel, pretendo aprofundar nossa unidade”, disse Netanyahu em uma declaração em vídeo publicada em 22 de julho.
“Por isso, trabalharei para formar um governo nacional amplo, um governo estável que garanta nossa segurança e nosso futuro.”
Um ex-integrante de alto escalão do Likud com conhecimento da estratégia do partido afirmou que, até agora, esses esforços não estão dando resultado.
“Se [Netanyahu] melhorar a lista e trouxer pessoas melhores, talvez tenha sucesso, mas ele não está indo na direção certa”, acrescentou o ex-integrante do partido, sem dar mais detalhes.
Quatro integrantes e ex-integrantes de alto escalão do Likud, que falaram sob condição de anonimato, disseram que o partido corre para reconquistar eleitores que se afastaram desde a última eleição.
Um porta-voz do Likud não respondeu a um pedido de comentário.
Pessoas observam estandes e anúncios de candidatos do Likud, partido liderado pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no dia da votação das primárias para definir a lista de candidatos da legenda, antes das eleições gerais de outubro, em Jerusalém, em 17 de agosto de 2026
REUTERS/Ronen Zvulun
Um quinto do eleitorado está indeciso
No levantamento do Agam Labs, que ouviu cerca de mil filiados do Likud e mais de mil eleitores, as divisões ficaram ainda mais evidentes quando foram analisadas questões específicas.
A atual coalizão fez concessões aos líderes ultraortodoxos que a integram e que buscam isentar seus membros do serviço militar obrigatório em Israel.
A questão tornou-se particularmente controversa durante a guerra em Gaza, com israelenses judeus não ortodoxos questionando por que deveriam assumir uma parcela maior do peso dos combates no conflito mais longo da história de Israel.
Mais de 80% dos eleitores do Likud querem um aumento no número de ultraortodoxos convocados para o serviço militar, segundo os dados do Agam Labs, ante apenas 65% entre os filiados do partido.
Temas divisivos como esse podem ser decisivos em uma eleição na qual cerca de 20% do eleitorado se declara indeciso.
Muitos deles são antigos eleitores do Likud desiludidos que o partido tenta reconquistar, segundo pesquisadores e especialistas em pesquisas eleitorais.
“São essas pessoas que vão decidir o que acontecerá na eleição”, afirmou Gayil Talshir, cientista política da Universidade Hebraica.
Um outdoor eleitoral do Likud, partido de Benjamin Netanyahu, mostra o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, o presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, e o líder do Hezbollah, Naim Qassem, acompanhado do texto em hebraico 'Vão perder', parte do slogan 'Eles querem que Netanyahu perca.
Não deixe que eles vençam', em Tel Aviv, em 17 de agosto de 2026
REUTERS/Amir Cohen.
